O Japão apresentou o seu novo técnico da seleção, a 70 dias da estreia dos Samurais na Copa do Mundo de 2018, na Rússia. O jogo será contra a Colômbia em um grupo difícil, que ainda tem Polônia e Senegal. Akira Nishino deixa o cargo de diretor para assumir como treinador, aos 63 anos e com um extenso currículo no país. Ele assume no lugar do demitido Vahid Halilhodzic, demitido a dois meses da Copa. A saída do bósnio vem depois de maus resultados e de problemas com o elenco. Além disso, a ideia em trazer um técnico veterano e do próprio país, que já trabalhava na federação, é resgatar o estilo de jogo que a JFA, a Associação de Futebol Japonês, acredita ser melhor ao time.

LEIA TAMBÉM: A crise da seleção não abate: Argentina é terceira a comprar mais ingressos da Copa

Nishino foi jogador de futebol em uma época ainda antes do profissionalismo da J-League. Atuou pelo Hitashi, de 1978 a 1990, além de ter jogado 12 vezes pela seleção japonesa, em 1977 e 1978. Como treinador, comandou o time sub-20 do Japão em 1991 e 1992, depois foi o técnico do time sub-23 do Japão que venceu o Brasil na Olimpíada de Atlanta, em 1996 – um time que tinha Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo e Bebeto. Depois, comandou o Kashiwa Reysol, Gamba Osaka, Vissel Kobe e seu último trabalho foi o Nagoya Grampus, de onde saiu em 2015.

“[O Japão] tem muitos aspectos de alto nível em termos de técnica”, afirmou Nishino, em sua coletiva de imprensa de apresentação. “O time pode competir de uma forma bem-organizada e disciplinada”, continuou. “É muito importante construir essa força. Nós não iremos buscar aquilo que não temos, mas sim melhorar o que nós já temos construído”.

O presidente da JFA, Kozo Tashima, disse que a demissão de treinador bósnio não foi apenas pelos maus resultados recentes. “Não foi baseado apenas em vencer ou perder jogos. Nós ouvimos a opinião de jogadores e de outras pessoas, mas não foi a única base para esta decisão. Nos jogos contra Mali e Ucrânia, a confiança e comunicação com os jogadores foi um pouco perdida, nós olhamos tudo isso e tomamos nossa decisão”, afirmou o dirigente japonês.

Nishino é visto como um técnico conservador no seu país e passa longe de ser algo empolgante. Seus trabalhos foram muitas vezes criticados nos últimos 10 anos por estarem parados no tempo ou desatualizados. O Japão, porém, parece saber disso e a escolha de alguém que não exerce o papel de treinador desde 2015, quando ganhou cargo de diretor na federação, tem a ver com isso.

“Se nós tivéssemos feito isso antes, nós poderíamos não ter escolhido Nishino. Mas com apenas dois meses restantes, nesta situação, nós tomamos esta decisão”, justificou Tashima. “É claro que cada técnico terá uma forma que ele quer que o seu time jogue. Mas é mais provável que seja um estilo de futebol que seja japonês”, continuou o presidente da JFA.

Enquanto Vahid Halilhodzic tentava fazer do Japão um time forte no contra-ataque e com mais força física, Nishino deve trazer de volta uma característica mais comum aos jogadores japoneses, com posse de bola a um jogo baseado em passes. Com um estilo de jogo que os jogadores estão mais acostumados a jogar na seleção, a JFA espera conseguir acelerar a preparação do time, a tão pouco tempo da Copa do Mundo e estar preparado para estrear no dia 19 de junho.

Nomes de prestígio no Japão como Shinji Kagawa, Keisuke Honda e Shinjo Okazaki foram deixados de lado pelo antigo técnico algumas vezes. Com a volta de Nishino, é provável que esses jogadores, já acostumados com seu estilo, ganhem força e reapareçam no time japonês. O sonho é voltar a estar ao menos nas oitavas de final da Copa, umas missão que será dura.


Os comentários estão desativados.