Caso Adnan Januzaj passe cinco anos na Inglaterra e recuse convocações de Bélgica, Albânia, Sérvia e Turquia, pode atuar pela seleção inglesa em 2018. O cenário, tão improvável e tão longínquo, fez surgir uma discussão entre os personagens do futebol do país sobre a naturalização de estrangeiros e ganhou um opositor ferrenho na figura de Jack Wilshere.

O meia do Arsenal, depois, deixou claro que não estava falando sobre Januzaj especificamente, mas respondeu se jogadores de outros países deveriam atuar pela Inglaterra. “As únicas pessoas que deveriam jogar pela Inglaterra são os ingleses. Morar na Inglaterra por cinco anos não te torna inglês. Se eu for para a Espanha e morar lá por cinco anos, não vou jogar pela Espanha”, justificou.

O presidente da Associação de Futebol da Inglaterra, Greg Dyke, evitou tomar uma posição sobre o assunto, mas levantou questões. “Acho que não é sobre o indivíduo, mas talvez mudar os princípios. Eu coloco o limite aqui ou ali? A ideia de que um jogador que não nasceu neste país não poder jogar aqui é irreal, mas quanto tempo eles devem ficar por aqui? O que diz a Fifa?”, perguntou.

O regulamento da Fifa diz claramente que um jogador pode atuar pela seleção do país se “viver no território relevante por pelo menos cinco anos seguidos após completar 18 anos”. As quatro nações do Reino Unido, porém, fizeram um acordo, em 1993, para desconsiderar essa lei. Um jogador torna-se apto a atuar por Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales se receber cinco anos de educação, antes dos 18 anos, nesses países. Para contornar isso, é necessário reunir todos e obter uma aprovação unânime da exceção.

Januzaj à parte, essa regra impede que a seleção inglesa faça que nem a Alemanha, por exemplo, que usa alguns jogadores descendentes de turco, como Mesut Özil. Isso, na opinião do técnico sub-21 da Escócia, Billy Stark, atrapalha os times britânicos. “Provavelmente estamos tornando as coisas mais difíceis para nós mesmos, talvez estejamos sendo um pouco dogmáticos, mas até nosso acordo mudar, temos que continuar assim”, ponderou.

A formação de jovens é um problema na Inglaterra. Jogadores ingleses com menos de 21 anos disputaram apenas 2,28% dos minutos da última temporada da Premier League. Dyke assumiu a FA em julho e definiu um plano para fortalecer a seleção para a Eurocopa de 2020 e na Copa do Mundo de 2022. Uma das formas pode ser flexibilizar as regras de naturalização, mas, para isso, ele teria que realmente mudar alguns princípios em um país que não é muito afeito a esse tipo de coisa.