O anúncio de Marcell Jansen causou estranheza. Aos 29 anos, o lateral esquerdo presente nas Copas de 2006 e 2010 resolveu se aposentar. Titular apenas em parte da última temporada no Hamburgo, o defensor não tem problemas sérios de lesão, e chegou até mesmo a jogar pela seleção há um ano e meio. Mas, após ficar sem contrato com os Dinossauros, preferiu abandonar os gramados a procurar outra equipe. E o motivo é, em tempos de futebol globalizado e mercado intenso, bastante curioso: Jansen preferiu seguir morando em Hamburgo, sem se ver vestindo outras camisas. Para quem viu a sua enorme vibração após a vitória nos playoffs de rebaixamento, que manteve o clube na primeira divisão, consegue entender melhor a sua escolha.

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“Nos últimos anos, estive muito ligado emocionalmente ao Hamburgo. Eu continuarei a viver em Hamburgo e sempre amarei este clube. O Gladbach, da cidade na qual nasci e onde comecei, também. Mas ir para uma nova equipe? Não, eu não quero mentir ou enganar algum time e sua torcida quando não estarei totalmente ao lado deles. Eu não posso só beijar um novo escudo”, declarou o lateral, em uma sincera entrevista ao Bild.

Jansen seguia com propostas de outras equipes, entre elas o Benfica, que parecia próximo do acerto. “Eu pensei sobre o assunto no final de semana. Eram várias ofertas boas, mas, para mim, sair não era uma opção. Estou bem, posso acertar minha própria transferência e ganhar um bom dinheiro, mas eu prefiro renunciar a isso”.

Cada um sabe como gerir a sua carreira. Mas em um meio profissional, no qual o dinheiro quase sempre fala mais alto, a decisão de Jansen chama a atenção. E é digna de aplausos. Os torcedores do Hamburgo sabem que podem contar com um ídolo nas arquibancadas a partir de agora. Já o clube, também poderia repensar com carinho sua relação com o veterano e, quem sabe, dar-lhe um emprego – até nas categorias de base, onde ajudaria a transmitir esse amor à camisa às gerações mais novas.