O Brasil traz ótimas lembranças a James Rodríguez. Foi nos estádios do país que o camisa 10 protagonizou o momento máximo de sua carreira na Copa de 2014. E o armador parece disposto a mais nesta Copa América. Já tinha orquestrado a vitória da Colômbia sobre a Argentina, na estreia da competição. Nesta quarta-feira, brilhou outra vez, resolvendo o difícil jogo contra o Catar. Os Cafeteros amassaram seus adversários durante os 90 minutos, mas encontraram problemas para abrir o placar no Morumbi. O gol no triunfo por 1 a 0 saiu apenas no fim do segundo tempo, graças a um fantástico cruzamento de trivela do craque. Duván Zapata, que ganhou uma chance entre os titulares, guardou. O resultado confirma a classificação dos colombianos, exibindo segurança defensiva e muito ímpeto no ataque sob as ordens de Carlos Queiroz. Já os catarianos, apesar da derrota, podem se tornar uma pedra no caminho da Argentina.

Escalações

Os dois times vieram com novidades a campo. Roger Martínez seguiu entre os titulares de Carlos Queiroz, diante da lesão de Luis Muriel. Da mesma maneira, Duván Zapata ganhou a posição de Radamel Falcao García, fora da melhor forma física. Embora fosse dúvida, Wilmar Barrios seguiu na cabeça de área. O Catar, por sua vez, se posicionou num 5-3-2. A formação escolhida por Félix Sánchez dava mais liberdade a Akram Afif na frente, apoiando Almoez Ali. Já na defesa, proteção ampliada.

Colômbia no comando

O Catar teve um momento ou outro com mais inciativa durante os primeiros minutos, tocando a bola e tentando empurrar a Colômbia. Porém, desde o princípio, os Cafeteros deixaram expressa a sua superioridade. Até chegaram a balançar as redes aos cinco minutos, em cabeçada de Davinson Sánchez que Roger Martínez aproveitou, mas o atacante estava em posição de impedimento. Os perigos dos colombianos eram mais constantes. James Rodríguez poderia ter feito de cabeça, mas errou o alvo em ótimas condições. Depois, seria a vez de Juan Guillermo Cuadrado encher o pé, exigindo boa defesa de Saad Al Sheeb. Todavia, logo essa postura agressiva dos sul-americanos diminuiria.

Muita intensidade, poucas chances claras

A partir dos 20 minutos, a Colômbia passou a exibir um pouco mais de dificuldades para romper a forte marcação do Catar. Os árabes trancavam a entrada de sua área e, sem poder exibir sua costumeira velocidade, os Cafeteros não tinham muita inventividade na criação. Duván Zapata brigava bastante dentro da área, mas sem conseguir definir. Enquanto isso, os colombianos precisavam permanecer atentos, com os catarianos tentando encaixar os contragolpes. Os sul-americanos que apertavam, mas esbarravam principalmente em Boualem Khoukhi, que fazia um excelente trabalho na defesa. Antes do intervalo, no último lance de perigo, Zapata ajeitou para Stefan Medina e o lateral acertou o lado de fora da rede. A definição ficaria para a etapa complementar.

Al Sheeb frustra a Colômbia

A Colômbia retornou com mais atitude para o segundo tempo. Buscava explorar principalmente o jogo aéreo, se dando bem pelo alto contra a defesa do Catar. E os ataques perigosos se tornaram mais numerosos. Logo aos quatro minutos, o árbitro assinalou um pênalti para os Cafeteros por toque de mão, mas depois cancelou ao rever a jogada no monitor. Depois, Mina cabecearia com muito perigo, para fora. E os goleiros começaram a trabalhar, sobretudo Al Sheeb. O catariano fez duas ótimas defesas diante de Roger Martínez, com destaque a um chute de muito perto, que o arqueiro espalmou com uma só mão. Do outro lado, quando Afif tentou responder, Ospina defendeu em dois tempos.

O jogo pega fogo

Carlos Queiroz, que havia trocado Medina por Santiago Arias na volta do intervalo, para dar mais vigor ao ataque pelo lado direito, deixou a Colômbia ainda mais ofensiva a partir dos 20 minutos. Radamel Falcao García entrou no lugar de Cuadrado, dez minutos antes de Luis Díaz suplantar Roger Martínez. Os Cafeteros provocavam uma blitz, mas a defesa do Catar conseguia se safar. Por mais que cedesse espaços, travava na hora dos arremates. Além disso, o clima da partida ficou quente, com jogadores se estranhando. No mais, os catarianos até tentaram incomodar um pouco mais no ataque, mas sem grande efetividade em suas investidas.

James, o craque

A vitória da Colômbia, merecida, se definiu apenas aos 40 minutos. E contou com toda a qualidade técnica de James Rodríguez. O camisa 10 participou do jogo, mas tinha dificuldades diante da marcação pesada do Catar. Tirou o coelho da cartola só no final. Após avanço preparado por Falcao, o craque fez um cruzamento fabuloso, frontal, metendo a trivela na bola. Mandou na cabeça de Zapata, que se infiltrou entre os zagueiros e cabeceou firme, finalmente vencendo Al Sheeb. Também foi uma atuação positiva do centroavante, especialmente por sua postura, brigando por todos os lances e abrindo espaços.

E ainda teve um pouco mais

O gol não definiu a partida de imediato. A intensidade se seguiu nos últimos instantes. Abdelkarim Hassan assustou em chute cruzado, que passou ao lado da meta de Ospina. De qualquer maneira, a Colômbia lamentou bem mais os erros que impediram o segundo tento. Zapata perdeu um gol feito nos acréscimos. Luis Díaz deu um passe açucarado e, sozinho com o goleiro, o centroavante bateu para fora. Ao menos não fez falta. Na saída de campo, os jogadores de ambos os times se estranharam, mas sem que nada pior se desencadeasse.

Como fica a situação

A Colômbia chega a seis pontos no Grupo B e, com isso, confirma a classificação. Exibe um futebol que a coloca entra as favoritas. Os Cafeteros voltam a campo no próximo domingo, quando encaram o Paraguai na Fonte Nova. Já o Catar, ainda com chances de avançar, tem um ponto. Para chegar aos mata-matas, precisará bater a Argentina no domingo, dentro da Arena do Grêmio. Um duelo que deve contar com presença massiva dos torcedores albicelestes.

Ficha técnica

Colômbia 1×0 Catar

Estádio: Morumbi, em São Paulo
Árbitro: Alexis Herrera (VEN)
Gols: Duván Zapata, aos 40’/2T
Cartões amarelos: Uribe (Colômbia); Madibo, Hassan, Ró-Ró, Afif (Catar)
Cartões vermelhos: Nenhum

Colômbia: David Ospina, Stefan Medina (Santiago Arias), Yerry Mina, Davinson Sánchez, William Tesillo; Wilmar Barrios, Juan Guillermo Cuadrado (Radamel Falcao García), Mateus Uribe; Roger Martínez (Luis Díaz), Duván Zapata, James Rodríguez. Técnico: Carlos Queiroz.

Catar: Saad Al Sheeb, Ró-Ró, Bassam Al Rawi, Boualem Khoukhi, Tarek Salman, Abdelkarim Hassan; Assim Madibo, Hassan Al-Haydos (Ahmad Moein), Abdulaziz Hatem (Karim Boudiaf); Akram Afif, Almoez Ali. Técnico: Félix Sánchez.