A atual edição da Copa Ouro anda um tanto quanto esvaziada, mas guarda as suas boas histórias. E a Jamaica, mais uma vez, tem a chance de brilhar no principal torneio de seleções da Concacaf. Os Reggae Boyz já tinham causado surpresa em 2015, quando eliminaram os Estados Unidos e perderam para o México na decisão. Repetirão o feito em 2017, desta vez com os oponentes invertidos. Neste domingo, eliminaram nas semifinais uma desfalcada seleção mexicana, sem os seus principais jogadores por causa da Copa das Confederações. Pegarão na decisão os americanos, favoritos na revanche, mas escaldados pela histórica derrota há dois anos.

Por mais que não dispute a Copa do Mundo desde 1998 e não figure sequer no hexagonal final das Eliminatórias para 2018, a Jamaica vem demonstrando uma eficiência enorme na Copa Ouro. A equipe caribenha terminou a fase de grupos invicta, segurando empates contra México e El Salvador, além de bater Curaçao. Deu sorte no chaveamento e derrubou o surpreendente Canadá nas quartas de final. Já neste domingo, o placar de 1 a 0 foi o suficiente para surpreender os mexicanos.

Apesar das ausências no México, ainda assim se esperava uma campanha melhor do time comandado por Luis Pompilio Paez – substituindo o suspenso Juan Carlos Osorio. Todavia, a Jamaica lutou demais pela classificação. O goleiro Andre Blake acumulou milagres, diante da pressão de El Tri. Já aos 43 do segundo tempo, Kemar Lawrence anotou o gol histórico para selar a segunda decisão consecutiva dos Reggae Boyz. Cobrança de falta perfeita, sem chances de defesa para o goleiro Jesús Corona.

O elenco da Jamaica não conta com grandes estrelas. Nem mesmo Wes Morgan e Adrian Mariappa, jogadores de maior destaque no futebol europeu, estão presentes desta vez. A base do time se divide entre os clubes locais e os americanos, onde atuam os principais destaques – como o goleiro Andre Blake, o zagueiro Jermaine Williams e o atacante Darren Mattocks. Até mesmo o técnico Theodore Whitmore, destaque da seleção nos anos 1990, é considerado interino no cargo. O segredo está na coesão defensiva, que faz os jamaicanos chegarem tão longe. Além disso, alguns jovens destaques vêm conseguindo se sobressair, como Kemar Lawrence e o atacante Romario Williams.

Até pelo embalo desde o retorno de Bruce Arena no comando, os Estados Unidos vão à final referendados para recuperar a taça. O US Team venceu quatro de seus cinco jogos no torneio e eliminou de maneira categórica a Costa Rica na semifinal. Também tem seus desfalques, com a ausência de alguns jogadores que atuam na Europa, como Christian Pulisic e Bobby Wood. Ainda assim, comparativamente a força dos americanos é inegável, até por jogarem em casa. Na decisão, devem ter o apoio de quase 70 mil torcedores no Estádio Levi’s, casa do San Francisco 49ers.

A Jamaica, de qualquer maneira, tem a seu favor o fato de repetir a melhor campanha de sua história na Copa Ouro, que garante uma tranquilidade maior para buscar o título. O elenco vem tarimbado pela derrota na decisão anterior, bem como sabe o caminho do ouro para superar os americanos. Toda a pressão está do outro lado. Se falta repercussão ao torneio da Concacaf, o sucesso dos Reggae Boyz pode garantir um episódio histórico.