Jadon Sancho não atravessa o melhor momento no Borussia Dortmund, oscilando com o time. No entanto, talento não falta ao ponta, como bem provou em outras fases com os aurinegros – sobretudo em sua exuberante temporada passada. Aos 19 anos, ele ganha convocações regulares à seleção inglesa. E permanece como uma excelente opção ao ataque de Gareth Southgate, com ótimas chances de figurar na Euro 2020 – aquela que seria sua primeira competição internacional.

Dentre as características marcantes de Sancho dentro de campo, sua habilidade é evidente. O ponta gosta de partir para cima dos defensores e criar espaços com seus dribles. Pois sua ginga foi talhada nas ruas, e com um grande professor. Crescido na periferia de Londres, o descendente de trinitinos costumava bater sua bola nas quadras da cidade e se espelhava nos dribles de Ronaldinho. Via os lances do bruxo no YouTube e tentava entortar os marcadores da mesma forma. Frank Lampard e Didier Drogba eram outras inspirações ao adolescente, que indica certa admiração pelo Chelsea.

“Era sobre aprender os dribles e me expressar. Eu gosto de adaptar esses truques ao jogo de verdade. Isso torna a vida dos defensores mais difícil, porque seus oponentes não pensam que você tem esse tipo de habilidade. Isso te dá vantagem contra alguns jogadores e felizmente tem funcionado para mim. Ronaldinho era o principal cara que eu gostava de ver no YouTube. Mas eu curtia bastante Frank Lampard e Didier Drogba quando jogavam no Chelsea. Eram os três jogadores que me inspiravam”, afirmou Sancho, em entrevista ao Independent.

Durante os tempos em Londres, Sancho fez amizade com outros jogadores que seguiram um caminho parecido no futebol. Reiss Nelson agora começa a despontar no Arsenal. Enquanto isso, Ian Carlo Poveda é uma aposta na base do Manchester City. Os três batiam bola nas ruas da capital. “Reiss e Ian são realmente muito bons, eu sempre tentava competir com eles. Éramos amigos. Foi bom ter pessoas indo na mesma direção que eu”, contou.

Inicialmente, Sancho se juntou às categorias de base do Watford. Depois, aceitou uma proposta do Manchester City quando tinha 15 anos. No entanto, não demorou a optar pelo Borussia Dortmund e aceitar o desafio de se mudar à Alemanha. Sair da zona de conforto não foi uma barreira ao garoto, diferentemente do que acontece com outros jovens ingleses.

“Sim, foi muito difícil deixar a Grã-Bretanha. Mas se você ama o que faz e toma uma grande decisão, então precisa abraçá-la. Eu agarrei essa chance e fiquei feliz em me adaptar, em aprender uma nova cultura. Não é incomum se mudar para um novo país. Todo jogador estrangeiro que vem à Inglaterra precisa aprender inglês. Jogadores espanhóis acham nosso país diferente de suas casas. Senti que gostaria de me adaptar e aprender uma língua diferente”, analisou Sancho.

O elenco do Dortmund possui um papel essencial nesta adaptação: “Os jogadores do Dortmund me dão muitos conselhos, porque são bastante experientes. Marco Reus é um grande jogador e ele continua me dizendo que preciso trabalhar duro nos treinos, porque qualquer um pode tomar o seu lugar a qualquer momento. Eu realmente ouço, porque acredito no que ele diz. Há sempre alguém que deseja pegar seu lugar. Se você trabalhar duro todas as semanas, fica mais difícil para os concorrentes. O futebol é muito competitivo”.

“Eu entendo muito bem os termos em alemão usados no treinamento. Quando todo mundo está falando em alemão nas sessões, eu compreendo o que dizem. Obviamente, falar fluente é difícil no momento, mas estou aprendendo devagar. Tudo o que você pode fazer é trabalhar duro todos os dias e esperar por uma chance. Quando acontecer, você agarra”, complementou.

Além disso, o ponta vê com bons olhos a oportunidade de outros atletas ingleses buscarem chances no exterior: “Cada situação é diferente e isso depende da personalidade do jogador. Não é porque você não está atuando na Inglaterra que deve sair para outro país. Minha situação é que eu sempre estive longe de casa desde os 11 anos, quando passei a morar no Watford. É sobre lidar com as situações sozinho. Você terá muitos dias difíceis. Não é para qualquer um. Mas pode ser uma boa opção. Você só precisa garantir as decisões corretas”.

Convocado às seleções de base da Inglaterra desde o sub-16, Sancho participou da conquista do Mundial Sub-17 em 2017. Sua ascensão meteórica, no entanto, o levou à equipe principal logo após a Copa do Mundo de 2018. São dez partidas pela equipe nacional, sete apenas neste ano, com dois gols marcados. O garoto terá mais uma chance de brilhar nesta Data Fifa, quando os Three Lions encerram sua participação nas Eliminatórias da Euro contra Montenegro e Kosovo. A equipe ainda precisa assegurar sua classificação.