Jack Warner foi suspenso pela Fifa, mas o presidente da Concacaf veio a público e mostrou e-mail que diz que Mohammed Bin Hammam “comprou” a Copa do Mundo de 2022 para o Qatar.

O e-mail foi enviado pelo secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke, que questiona o fato do presidente da Confederação Asiática de Futebol estar concorrendo para a presidência da Fifa.

“[Hammam] pensou que poderia comprar a Fifa como a Copa do Mundo”, diz Valcke no e-mail mostrado por Warner.

A Fifa suspenseu Bin Hammam e Warner por diferentes acusações de receberem suborno, que ainda precisam ser investigadas. Bin Hammam foi suspenso pela entidade no domingo de manhã, horas depois de ter desistido da corrida presidencial na Fifa.

Com isso, Sepp Blatter, 75 anos, será o único candidato à presidência, já que foi inocentado das acusações feitas contra ele. A Fifa afirmou que a eleição irá ser realizada normalmente conforme programado, na quarta-feira.

Jack Warner reagiu furioso com a decisão da Fifa de suspendê-lo do cargo. O presidente da Concacaf mostrou que não está disposto a aceitar essa postura. “Eu vejo a suspensão como a pior forma de justiça por qualquer organização esportiva”, disse ele.

“Eles vieram premeditados, não estão preparados para ouvir, eles estavam com cartas marcadas para fazerem o trabalho e foi o que fizeram”, afirmou Warner.

O ministro de Trinidad e Tobago ainda soltou acusações que envolvem Jérôme Valcke, secretário geral da Fifa. “Eu escrevi para Valcke dizendo a ele que, entre outas coisas, que o resultado das eleições [da Fifa] pode causar uma ruptura com o mundo árabe, que nós podemos lidar agora e que eu pediria para Bin Hammam desistir de concorrer”, explicou.

“Jérome respondeu para mim e eu cito: 'Sobre MBH [Mohhamed Bin Hammam], eu nunca entendi porque ele está concorrendo. Se ele realmente pensa que tem uma chance ou se é apenas uma forma radical de mostrar o quanto ele não gosta mais de JSB [Joseph Sepp Blatter]. Ou ele pensou que poderia comprar a Fifa como eles [Qatar] compraram a Copa do Mundo'.”

Warner mostrou o e-mail à TVs e ainda continou. “Vocês não precisam acreditar em mim, gostar de mim, ninguém precisa comer comigo, beber comigo ou dormir comigo. Mas Jesus Cristo, fiquem com a verdade quando vocês a vêem”, declarou.

Warner foi além e ainda acusou o presidente Blatter de fazer doações ilícitas a membros da Concacaf. “Eu indiquei que no congresso de Miami, no dia 3 de maio, o senhor Blatter deu um presente de U$ 1 milhão para a Concacaf gastar como achasse melhor”, afirmou Warner, em comunicado.

“Isso irritou o presidente [da Uefa] Michel Platini, que estava presente e chegou ao secretário geral Jérôme Valcke reclamando que Blatter não tinha permissão do comitê financeiro para dar esse presente, mas Jérome respondeu que encontraria o dinheiro para Blatter”, continua o comunicado.

“Eu também indiquei que a Fifa, através de Blatter, organizou entrega de notebooks e projetores como presente a todos os membros do Caribe e nenhuma objeção foi feita até hoje em relação a esse caso”, disse ainda o presidente da Concacaf na carta divulgada.

Warner e Bin Hammam são acusados de oferecerem cerca de US$ 40 mil para cada membro do Caribe, em reunião realizada nos dias 10 e 11 de maio. Os pagamentos seriam para assegurar votos para Bin Hammam na candidatura à presidência.

Jack Warner ainda fez questão de afirmar que é inocente e negou qualquer conduta errada.