O significado da cena não se contém em si. O lance mais famoso de Gordon Banks extrapola o sentimento de espanto contido naqueles poucos segundos. Logicamente, o fato de ter acontecido em uma Copa do Mundo, contra a seleção brasileira tricampeã e em um arremate de Pelé, aumentam o simbolismo. Ainda assim, o feito do camisa 1 se tornou sinônimo para qualquer milagre que um goleiro execute sob as traves. Quando alguém quer exaltar uma defesa, geralmente compara ao milagre do inglês para afirmar sua grandeza.

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O voo do Jalisco é apenas um pequeno extrato da carreira de Banks. Mas que já ajuda a apresentar o quão fantástico era o arqueiro. Sua história em clubes não teve tantas taças, vestindo principalmente as camisas de Leicester e Stoke City. Entretanto, com a seleção inglesa, o camisa 1 é inquestionável. Jogou duas Copas do Mundo em altíssimo nível, derrotado apenas uma vez e sofrendo míseros quatro gols em nove partidas. Em 1966, além de campeão, também foi eleito o melhor da posição. E ainda teve a sua passagem pelos Three Lions abreviada por um grave acidente de carro, que prejudicou seriamente sua visão.

Nesta semana, Banks revelou a nova partida de sua vida: a lenda de 77 descobriu um câncer de rim. “Eu sou mais um no país que enfrenta essa situação. Eu tenho que batalhar e seguir em frente”, afirmou, em entrevista ao jornal Sunday Mirror. “Ter vencido a Copa de 1966 e feito a defesa contra Pelé me deu confiança para lutar contra a doença. As pessoas continuam falando sobre a defesa e eu às vezes penso sobre isso. Se eu pude fazer isso contra Pelé, o melhor do mundo, então eu serei capaz de batalhar contra este problema de saúde. Isso me ajuda. Espero que possa inspirar outras pessoas na mesma posição que eu”. O veterano já iniciou seu tratamento, passando por sessões de quimioterapia, e talvez precise realizar um transplante, caso a medicação não seja efetiva.

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Em maio, Banks recebeu uma grande homenagem do Stoke City. O clube inaugurou uma estátua de bronze em frente ao Estádio Britannia. O goleiro passou sete temporadas com os alvirrubros, equipe que defendia quando foi convocado à Copa de 1970. E, neste momento, ainda em vida, os tributos à carreira de Banks poderiam continuar. Inclusive, com uma justa premiação da Fifa.

Recentemente, Oliver Kahn saiu em defesa dos goleiros, sugerindo que os jogadores da posição deveriam ter uma condecoração alternativa à Bola de Ouro. Nem todos concordam. Mas não seria demais se, em conjunto ao Prêmio Puskás, a entidade internacional também oferecesse uma votação à defesa mais bonita do ano. Como sugeriram alguns leitores neste final de semana, o Prêmio Gordon Banks. Se Yashin já dá nome ao troféu entregue ao melhor goleiro da Copa do Mundo, esta seria eferência direta ao milagre mais conhecido da história do futebol, e ainda uma justa homenagem ao inglês.

Adicionar tal premiação a sua cerimônia de gala não daria trabalho à Fifa. Acima disso, traria a merecida consideração ao trabalho que os goleiros fazem ao longo do ano. Além de, é claro, garantir a ovação que Banks precisa receber em vida. Que, diante da luta que enfrenta, pode até mesmo motivar a sua vontade de viver.


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