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Pisacane, o herói que superou uma rara doença para estrear na Serie A aos 30 anos

A Itália é uma fonte de histórias comoventes em torno do futebol. Como a de Fabio Pisacane, das mais bonitas, mas que nem sempre foi assim. O defensor do Cagliari fez sua estreia na Serie A neste domingo, em partida contra a Atalanta. E na apresentação de quem carrega um mar de sonhos que já foram tantas vezes ameaçados na elite do futebol italiano, nada mais justo do que uma grande vitória. Quer dizer, mais uma. Desta vez, um triunfo individual, o qual tem um significado ainda maior quando se evoca o passado do jogador e se conhece o que está por trás do atual dono da camisa 19 rossoblù.

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Ainda que seja oriundo de Nápoles, foi nas categorias de base do Genoa que o garoto iniciou a sua carreira. Aos 14 anos, acabou descoberto por Claudio Onofri, ex-zagueiro do Grifone. E, durante o seu início no clube, naquela que deveria ser uma manhã rotineira antes de seguir ao treino, ele mergulhou no pesadelo que perdurou mais do que uma noite. Ao acordar, Pisacane permaneceu na cama e não era capaz de se movimentar. O diagnóstico identificou a síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara e grave que se manifesta por uma progressiva paralisia dos membros e pode levar até à morte se afetar os músculos respiratórios e o sistema nervoso.

Mas Fabio resistiu. E não desistiu até vencer a batalha que tentou complicar seu maior desejo. Pouco tempo depois de sair de um coma, voltou aos gramados, mesmo com limitações decorrentes do problema neurológico e contra a indicação dos médicos. Aos 18 anos, o defensor subiu o primeiro degrau da escalada gloriosa que resultou em sua estreia na Serie A mais de uma década depois. Em 2004/05, Pisacane assinou seu primeiro contrato profissional, ainda no Genoa. Porém, o jogador não foi utilizado pelos genoveses na campanha em que foram rebaixados para a terceira divisão italiana. Nas três temporadas seguintes, jogou emprestado no Ravenna, Cremonese e Lanciano, todos da Serie C.

Antes de chegar ao Cagliari, Pisacane disputou a Serie B por Ancona, Ternana e Avellino. Com os rossoblù, não era titular absoluto na última temporada, quando se sagrou campeão da segunda divisão. No entanto, esteve presente na maioria dos jogos da campanha impecável da equipe da Sardenha, seja atuando como zagueiro ou na lateral direita. Com todas suas restrições fisiológicas, ele se fez importantíssimo no processo de volta à elite do futebol italiano, somando cerca de 2500 minutos em campo pela Serie B. E foi na lateral que atuou neste domingo, saindo com a vitória por 3 a 0 sobre a Atalanta.

Pisacane teve que passar por cima das imposições de seu corpo para, enfim, realizar a conquista. O empenho do defensor de 30 anos para superar suas próprias barreiras é constante, uma vez que a doença não possui cura. O sonho pode ter demorado para acontecer, mais do que para a maioria dos estreantes da Serie A. Entretanto, é difícil encontrar alguém que tenha conseguido vencer tantos obstáculos.

[No vídeo abaixo, Pisacane se emociona ao recordar sua caminhada até a Serie A em entrevista após o jogo contra a Atalanta]

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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