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Para Luca Toni, centroavantes como ele estão fora de moda

É muito comum ouvirmos o discurso que os centroavantes que são apenas finalizadores não possuem mais espaço no futebol atual. Atualmente, se exige que o jogador faça mais do que isso. É uma ideia um pouco restritiva de futebol, que é um esporte que permite diversos estilos de jogo, inclusive jogar com um centroavante típico, como Toni. Basta lembrar que o jogador, já veterano, foi o artilheiro da Serie A na temporada passada, ao lado de Mauro Icardi, da Inter. Para Toni, porém, jogadores como ele estão fora de moda. Pior: italianos como ele não aparecem mais.

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“Hoje em dia, os centroavantes não estão mais na moda”, declarou o jogador do Verona. “Não há mais centroavantes clássicos como eu ou Ibrahimovic, agora temos esses falsos noves e não temos muitos italianos aparecendo”, continuou Luca Toni.

“Eu não posso te dizer quem é o meu herdeiro. Quando eu estava na seleção, todos os atacantes estavam marcando 20, 25 gols por temporada. Agora não temos mais um centrovante que seja titular em um grande time”, analisou o camisa 9 da seleção italiana na campanha do título na Copa do Mundo de 2006. “Se você faz 15 gols pelo clube, é uma festa”.

Luca Toni foi artilheiro da Serie A em 2005/2006, pela Fiorentina, com 31 gols. O alto número de gols fez com que ele levasse também a chuteira de ouro na temporada, com 33 gols (os outros dois foram marcados pela Copa da Itália). Ele ainda marcaria dois gols na Copa do Mundo de 2006, o título mais importante da sua carreira, quando foi o camisa 9 titular da Itália. Além dele, estava no elenco também Vincenzo Iaquinta, outro centroavante típico.

A questão do centroavante estar fora de moda é muito pelos grandes times da Europa, mas mesmo nestes vemos muitos centroavantes típicos. Lewandowski, no Bayern de Munique, é um centroavante clássico, com qualidades técnicas, assim como Benzema no Real Madrid. A questão que Toni fala sobre os italianos, porém, é algo realmente preocupante.

Nas últimas convocações da seleção italiana, feitas pelo treinador Antonio Conte, os atacantes foram Simone Zaza, Graziano Pellè, Éder, Stefano Okaka e Manolo Gabbiadini. Destes, só Graziano Pellè e Stefano Okaka podem ser considerados centroavantes típicos. O primeiro virou reserva no Southampton, o segundo atua no Anderlecht, da Bélgica.

Consideranto também os convocados no final de 2015, tivemos ainda Fabio Quagliarella, veterano atualmente na Sampdoria; Ciro Immobile, que não conseguiu espaço nem no Borussia DOrtmund, nem no Sevilla e acabou voltando ao Torino; e Domenico Berardi, o menos centroavante destes, mas o único ainda jovem, apenas com 21 anos.

Os centroavantes mais grandalhões e quase exclusivamente finalizadores realmente não estão em alta na Itália, que já produziu muitos deles. A grande questão é que os italianos não estão conseguindo espaço nem nos próprios clubes grandes italianos. O centroavante da líder Juventus é Manduzkic, croata, e tem Morata, espanhol; o Napoli tem em Higuaín o seu grande camisa 9, um argentino; a Roma tem Dzeko, bósnio, ainda que em má fase; a Inter tem Mauro Icardi, argentino, como seu centroavante titular. Os grandes times italianos não têm centrovantes italianos. E isso complica, sim, a seleção.

Luca Toni, que tem 38 anos, já anunciou que irá se aposentar ao final da temporada. Provavelmente, com o Verona entre os rebaixados. Não tira o brilho da sua carreira, de um centroavante típico que chegou ao título mundial sendo importante para a Itália.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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