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O papo entre Toni e Di Natale atacou no ponto a falta de perspectivas do futebol italiano

Luca Toni e Antonio Di Natale. Dois atacantes históricos do futebol italiano. E que, embora tenham completado 37 anos, seguem entre os principais artilheiros da Serie A. Motivo de orgulho para os veteranos? É claro. Mas, segundo eles mesmos, mais de preocupação. Neste domingo, as duas lendas se enfrentaram e deixaram suas marcas na vitória do Verona sobre a Udinese por 2 a 1. Entretanto, também aproveitaram para bater um papo sobre os futuros talentos da Serie A.

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“No túnel, eu conversei com o Di Natale. Concordamos que, se continuamos sendo os melhores na artilharia, então os clubes têm um sério motivo para se preocupar. Estamos felizes de continuar marcando gols, claro. Mas bons jogadores jovens precisam ser encontrados, e mais precisa ser investido neles. Hoje em dia, muitos entram em campo só duas vezes e já acham que são jogadores”, afirmou Toni. Na partida, Di Natale chegou a 201 gols na Serie A, enquanto Toni chegou ao seu 300º na carreira profissional.

Parceiros de ataque na Euro 2008, Toni e Di Natale voltaram a ser especulados na seleção italiana para a disputa da Copa de 2014, assim como Francesco Totti. Cesare Prandelli, no entanto, preferiu apostas nos jovens Balotelli e Immobile, além de Cassano. De qualquer forma, não evitou a precoce eliminação da Azzurra na primeira fase do Mundial.

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Em 2013/14, Toni e Di Natale apareceram no Top 4 da lista de artilheiros da Serie A. O único compatriota acima deles foi Ciro Immobile, um bom talento, mas que acabou rumando para a Alemanha na primeira oportunidade. Já nesta temporada, Di Natale é o italiano com mais gols no campeonato, balançando as redes oito vezes. Entre aqueles com pelo menos cinco tentos estão, além de Toni, os veteranos Mauri (34 anos), Cassano (32), Matri (30) e Osvaldo (28). O único mais jovem na lista é Manolo Gabbiadini, de 23 anos, destaque na surpreendente campanha da Sampdoria. Que, mesmo assim, rodou bastante até se firmar na Serie A.

O quadro exposto por Toni e Di Natale é óbvio. Por mais que seja legal rever duas lendas brilhando no final de suas carreiras, os problemas na reposição ficam evidentes. Por muito tempo, o futebol italiano não investiu o suficiente na base para gastar fortunas em estrangeiros de qualidade duvidosa. Faltou pensar no futuro que, chegou, e vai cobrando caro por isso. Recuperar o tempo perdido deve demorar. Enquanto isso, os italianos precisam continuar confiando nos velhos trunfos – e conviver com os insucessos da seleção, com extremas dificuldades de fazer vingar suas promessas, sobretudo, de ataque.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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