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Há 20 anos, a Juve pisoteava o Milan em pleno San Siro: 6 a 1, com Baresi, Maldini e tudo

Que as últimas temporadas do Milan sejam muito abaixo de sua grandeza, a frustração vivida em 1996/97 é praticamente incomparável. Os rossoneri haviam sido campeões no ano anterior e vinham de um período dourado desde o final da década de 1980, mesmo com a passagem de bastão entre gerações. Contudo, o que aconteceu naquela Serie A foi um enorme choque de realidade, na pior campanha em 15 anos. Decepção que contrastava com o auge da Juventus. Se nuvens negras pairavam em San Siro, o céu em Turim era de brigadeiro. Os bianconeri vinham do título da Champions e conquistaram o Scudetto de maneira contundente, sofrendo apenas duas derrotas em toda a trajetória. Para o bem dos juventinos e para o mal dos milanistas, aquela temporada acabou marcada pela noite de 6 de abril: 6 a 1 para a Velha Senhora em Milão.

O Milan não começou a competição tão mal, mas foi capengando com o passar das semanas. Chegou a ficar cinco rodadas sem vencer no primeiro turno, o que culminou na demissão do técnico Giorgio Morini e de Óscar Tabárez, atuando como diretor técnico. Para salvar a lavoura, os rossoneri trouxeram de volta Arrigo Sacchi, cinco anos após sua era gloriosa em Milanello. A aposta no mito, porém, se provou desastrosa. Apesar de algum fôlego em dezembro, os milanistas deixaram a zona de classificação à Copa da Uefa no final do primeiro turno e foram péssimos no returno, com apenas quatro vitórias em 17 partidas. Por outro lado, a Juventus voava. Sob as ordens de Marcello Lippi, o time mantinha a regularidade e brigava pela primeira colocação, principalmente com Parma e Internazionale. A partir de fevereiro, não largou mais a ponta, independentemente da perseguição.

O jogo emblemático valeu pela 28ª rodada. No primeiro turno, os rivais não passaram do empate por 0 a 0. Mas, desta vez, a situação seria bem diferente. Arrigo Sacchi escalou um Milan repleto de talentos. O sistema defensivo parecia bem protegido com Franco Baresi, Paolo Maldini, Pietro Vierchowod e Michael Reiziger, além de Marcel Desailly na cabeça de área. Mais à frente, havia Dejan Savicevic, Zvonimir Boban e Marco Simone para incomodar. Mas a Juventus não deixava nada a desejar. Zinedine Zidane era a estrela da companhia, que também contava com Ciro Ferrara, Mark Iuliano, Vladimir Jugovic, Alen Boksic e Christian Vieri, entre outros.

O problema para o Milan é que, mesmo com tantos craques, a defesa não funcionou. Franco Baresi, em sua última temporada como profissional, sentia o peso nas pernas. Aos 19 minutos, saiu o primeiro gol. Vieri deixou o defensor na saudade, mas parou em Sebastiano Rossi. No rebote, Jugovic completou para as redes. O clássico tinha muita pegada e entradas duras. E os rossoneri também criavam suas chances no ataque. Esbarravam nas defesas do inspiradíssimo Angelo Peruzzi, em ótima forma. A noite era da Juventus. De pênalti, Zidane ampliou aos 32, deixando a situação bastante encaminhada na saída para o intervalo.

Quando se esperava uma reação do Milan no segundo tempo, a Juventus terminou de massacrar. Os erros defensivos se repetiam, diante da insaciedade do ataque bianconero. Jugovic, Vieri e Amoruso marcaram mais três gols em menos de meia hora. Nem mesmo a entrada de Roberto Baggio ajudou os milanistas. O gol de honra veio aos 31, em chutaço de Marco Simone. Mas restava tempo para o golpe fatal. E ele veio com Boksic, um dos mais famintos no gramado do San Siro. O placar final representava não apenas a pior derrota do Milan como mandante em sua história, como também serviu de troco aos 7 a 1 sofridos em 1949/50, o maior revés da Velha Senhora pela Serie A.

Após o jogo, Lippi exaltava o seu “time dos sonhos”. E, de fato, a Juventus cumpriu as expectativas, arrancando rumo ao Scudetto, sem perder mais nenhum compromisso a partir de então. O Milan, por sua vez, venceu apenas um de seus oito jogos restantes, terminando no 11° lugar. Sacchi não ficou para a temporada seguinte, em nova ressaca do clube, com o modesto 10° lugar – e outra goleada bianconera, em Turim, por 4 a 1. A recuperação milanista só veio em 1998/99, com a reconquista da taça em time estrelado por Oliver Bierhoff.

A lembrança da data foi do leitor Leandro Paulo. Obrigado!

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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