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Gattuso: “O futebol italiano precisa da competitividade de Milan e Inter”

Do lado vermelho de Milão, são 14 conquistas na Europa. Do azul, seis. Depois de quase seis décadas de êxito em escala continental, Milan e Internazionale estão, pela primeira vez nesta temporada, fora de competições europeias. E é pegando esse gancho que o ex-volante e atual treinador do Pisa, Gennaro Gattuso, fala sobre a decadência do futebol italiano. Multicampeão com a camisa rossonera e conhecido por sua garra dentro de campo, Gattuso diz que o Calcio depende da recuperação da força do Milan, clube o qual serviu por longos anos da sua vida, e da rival Inter, já que sempre foram referências da Itália para o mundo.

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“Eu acredito que para voltar mais forte às competições europeias e ir bem, o futebol italiano precisa que o Milan e a Inter voltem a ser competitivos. Ao longo dos anos, o futebol na Itália decaiu. Acabamos deixando de lado nossa escola de goleiros e nossa técnica de marcação, que sempre foram referências. Considero isso um erro. Algo da nossa tradição no futebol deve ser recuperado, também pelos treinadores que vêm da Coverciano”, coloca o campeão do mundo com a seleção italiana, em 2006.

O retrospecto dos dois times no campeonato italiano nas últimas três temporadas não é nada bom. Em 2012/13, o Milan, com um elenco mediano, ficou em terceiro lugar na tabela e foi classificado para a Champions. Na competição, foi eliminado pelo Barcelona depois de uma derrota dentro e outra fora de casa nas oitavas de final. A Internazionale, por sua vez, fez uma campanha sem expressão ficou com a nona posição. Já em 2013/14, a temporada foi morna para os rossoneri, que ficaram no meio da tabela, e relativamente boa para os nerazzurri, que foram à Liga Europa depois de acabarem o campeonato em quinto lugar. Na campanha passada, a pior de todas nas últimas décadas, a Inter ficou em oitavo e o Milan, em décimo.

Este ano, a Internazionale chegou a ser líder do Calcio – ainda que por um curto tempo -, mas acabou tropeçando nas próprias pernas, além de ficar pelo caminho diante da recuperação da Juventus e da ascensão do Napoli e da Roma. Faltando duas rodadas para o término do campeonato, a equipe nerazzurra já não tem mais chances matemáticas de se classificar para a Champions League, já que perdeu para a Lazio na última rodada. O Milan ocupa a sétima posição na tabela graças ao fracasso diante do lanterna e já rebaixado Verona, e do empate com o penúltimo colocado da Serie A, o Frosinone. Ainda este mês, medirá forças com a Juventus na disputa pelo título da Copa Itália, visto como a “salvação da temporada”. Ainda assim, precisa se firmar na sexta posição do campeonato nacional se quiser garantir sua volta às copas europeias (já que, caso perca a decisão, o acesso à Liga Europa é do sexto colocado no campeonato).

O dilema da dupla de Milão vai desde problemas internos até apostas malsucedidas. E os resultados dentro de campo, sem dúvidas, são reflexos disso. Os milanistas lidam com uma diretoria ultrapassada (em crise tanto política quanto financeira) e com um técnico novo a cada seis meses, em média, o que acaba tornando um trabalho regular impossível de ser executado. Enquanto isso, os interistas desfrutam de bastante verba desde que o magnata indonésio Erick Thohir assumiu a direção do clube, mas, em compensação, têm que contar com contratações que chegam como promessas e acabam não vingando. A caminhada ainda promete ser longa para voltar ao topo.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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