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A tradição e a novidade: Verona e Sassuolo ascendem à Serie A

Um estreante e um ex-campeão nacional. Um clube estruturado por uma empresa e outro empurrado por sua torcida. Duas ascensões impressionantes. Sassuolo e Hellas Verona possuem perfis bastante diferentes, mas atingiram um objetivo em comum. Ambos conquistaram o acesso direto na Serie B e disputarão a primeira divisão do Campeonato Italiano na próxima temporada.

Campeão da segundona, o Sassuolo aparecerá pela primeira vez na elite, o primeiro estreante desde 2005/06. Já o Verona, dono do Scudetto de 1985/86, disputará a Serie A pela primeira vez em 11 anos. Uma felicidade imensa para torcida gialloblu, que viveu um calvário na última década e que lotou o estádio Marc’Antonio Bentegodi para reviver um grande triunfo. Duas histórias sensacionais, para serem recontadas durante um bom tempo.

O crescimento do Sassuolo

Sassuolo1

Líder de ponta a ponta, o Sassuolo prenunciou o acesso a Serie A durante quatro temporadas. Em duas delas, caiu nos playoffs diante do peso das camisas de Sampdoria e Torino, enquanto perdeu a vaga na repescagem na última rodada em sua estreia na segundona. E, desta vez, o time da Emilia-Romagna por pouco não protagonizou outra amarelada na reta final.

Antes da rodada final, o Sassuolo só havia vencido duas de suas últimas dez partidas na competição, permitindo a aproximação de Verona e Livorno. A perda da vaga dependia de uma combinação de resultados, mas ainda assim deixava a torcida temerosa. Saiu com a sofrida vitória por 1 a 0 sobre o Livorno, na qual a equipe permaneceu boa parte do segundo tempo com um jogador a menos e só balançou as redes nos acréscimos.

Fundado em 1922, os neroverdi permaneceram a maior parte de sua história transitando entre as competições regionais e a quarta divisão italiana. A arrancada rumo à elite se deu a partir de 2005/06, quando chegaram à Serie C1 pela primeira vez.  A vaga na Serie B veio duas temporadas depois e os anos seguintes foram de boas campanhas na segunda divisão.

A fórmula do sucesso pode ser explicada gestão inteligente do Sassuolo. Baseado em uma cidade industrial, o clube é administrado pela Mapei, uma das principais empresas da região. O grupo presidido por Giorgio Squinzi, que também é o mandatário do clube, dá o aporte financeiro, embora sem grandes extravagâncias. A aposta maior se baseia na formação de jovens talentos, principalmente italianos, e no empréstimo de jogadores de equipes maiores.

Obviamente, além da montagem da equipe, o bom desempenho em campo também foi fundamental para a ascensão. Caracterizado pelo forte jogo coletivo e pelo empenho na defesa, o Sassuolo manteve média inferior a um gol sofrido por jogo em três das últimas quatro temporadas. E o comando técnico, atualmente de Eusebio Di Francesco, já foi de Massimiliano Allegri no acesso à Serie B. Sustentabilidade contrastante com o cenário geral de crise de vários clubes tradicionais da Itália e que é premiada com a visibilidade na elite.

A ressurreição do Verona

Verona

O Hellas Verona não foi tão dominante na Serie B, mas também sempre deu sinais de que a voltar à primeira divisão do Campeonato Italiano estava próxima. Os gialloblu oscilaram entre a segunda e a terceira colocação desde o início da campanha. Já a prova final de força veio a partir da 30ª rodada, quando a equipe manteve a invencibilidade e conquistou oito vitórias. Depois de ultrapassar o Livorno em seu antepenúltimo jogo, era vencer o Empoli e celebrar.

Um triunfo que respeita a riquíssima história do Verona. Fundado em 1903, os Mastini passaram a disputar as competições nacionais a partir da década de 1920. O primeiro acesso à Serie A, contudo, veio apenas na temporada 1956/57. Transitando entre os dois níveis, o clube viveu suas maiores glórias a partir de 1981/82, quando conquistou o título da segunda divisão.

A partir de então, o Verona se tornou uma das forças do futebol italiano. Duas vezes finalista da Copa da Itália, surpreendeu os grandes clubes do país ao faturar o Scudetto na temporada 1984/85. A boa fase não se manteve por muito tempo, com o clube retornado à segunda divisão em 1990. A década seguinte foi marcada pela crise financeira, com a falência em 1991, e a permanência na Serie B durante a maior parte do tempo.

A última passagem do Verona pela elite italiana aconteceu entre 1999 e 2002. Na sequência, o clube viveria o período mais difícil de sua história. As crises administrativas e o mau rendimento em campo resultaram na queda para a Serie C1 em 2006/07. E por muito pouco o clube também não caiu para a Serie C2, se salvando graças à vitória na repescagem contra o Pro Patria.

O Verona retornou à segundona depois de quatro temporadas na Serie C1. E, em dois anos, pôde comemorar o fim do inferno. Desta vez, o técnico Andrea Mandorlini, no comando desde 2010, soube manter as rédeas. O time atual tem como destaques são o artilheiro Daniele Cacia e o goleiro Rafael, ex-Santos, ídolo da torcida e líder da defesa menos vazada. Um conjunto forte não apenas para o acesso, como também para provocar uma explosão de uma torcida fiel, que manteve médias de público superiores a 10 mil pessoas até mesmo nas maiores crises.

A última vaga

Depois dos acessos de Sassuolo e Hellas Verona, ainda resta uma vaga para a Serie A 2012/13. E, como o terceiro colocado não conseguiu abrir dez pontos de diferença para o quarto, ela será disputada em uma repescagem. O Livorno enfrentará o Brescia, enquanto Empoli e Novara se cruzam. Prontos para a segunda chance de, quem sabe, contar histórias tão boas quanto às dos primeiros vitoriosos da competição.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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