Itália

O adeus de Cesare Maldini, o capitão que levou o Milan ao topo da Europa e deixou enorme legado

O sobrenome tornou-se uma instituição no futebol italiano. Os Maldini construíram um legado enorme na Azzurra e, sobretudo, no Milan. Trajetória que chegou ao ápice com filho Paolo, mas que também teve grandes momentos com o pai Cesare. Um dos melhores zagueiros do mundo nos anos 1960, o veterano ajudou a botar os rossoneri entre os melhores clubes da Europa. E, mais do que isso, também deixou amplas contribuições à seleção italiana, especialmente como treinador das equipes jovens do país. Uma verdadeira bandeira do calcio, da qual os italianos se despediram na manhã deste domingo, com o falecimento de Cesare Maldini aos 84 anos.

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Maldini nasceu em Trieste e iniciou a carreira no principal clube da cidade, a Triestina, onde permaneceu até os 22 anos. No entanto, é impossível não atrelar sua história a Milão e considerá-lo um verdadeiro cidadão local. O defensor vestiu a camisa do Milan por 12 anos, disputando 412 partidas oficiais. Quase sempre como titular, o zagueiro de grande qualidade técnica e de liderança nata também se tornou capitão dos rossoneri. Neste posto, comandou a equipe ao seu maior sucesso até a década de 1980.

Em San Siro, Maldini conquistou quatro taças do Campeonato Italiano. Mas seu grande feito aconteceu mesmo além das fronteiras, ao dar ao Milan seu primeiro título na Copa dos Campeões. Ao longo da campanha em 1962/63, a equipe de Nereo Rocco eliminou Union Luxembourg, Ipswich Town, Galatasaray e Dundee. Já na decisão, contra o bicampeão Benfica, prevaleceu a esquadra que ainda contava com Trapattoni, Dino Sani, Rivera e Altafini Mazzola. O atacante brasileiro anotou os dois tentos na vitória por 2 a 1 sobre os encarnados, enquanto Maldini teve sucesso na missão de marcar Eusébio. Por fim, com a braçadeira, o zagueiro ganhou a honra de erguer o troféu da Champions em Wembley.

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A importância no Milan levou Cesare Maldini à seleção italiana. Entretanto, a passagem do beque pela Azzurra foi curta. Disputou 14 partidas entre 1960 e 1963. Ainda assim, teve tempo o suficiente para também ser capitão. E esteve na Copa do Mundo em 1962. Apesar da breve campanha, com a Itália eliminada logo na primeira fase, Maldini acabou eleito pela Fifa para o 11 ideal do Mundial. Teve atuações estupendas diante de Alemanha Ocidental e Suíça, mas sua ausência pesou na derrota para o Chile, fatal para a queda precoce.

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Em sua última temporada como jogador, Maldini defendeu o Torino. Mas voltaria ao Milan para iniciar sua carreira como técnico, conquistando a Copa da Itália e a Recopa Europeia no início da década de 1970. Seu maior trabalho, porém, aconteceu na seleção italiana. Entre 1980 e 1986, o veterano figurou como auxiliar de Enzo Bearzot e conquistou o Mundial de 1982. Já nos 10 anos seguintes, assumiu a Azzurra sub-21. Conquistou três títulos europeus na categoria e preparou ao elenco principal nomes como Buffon, Fabio Cannavaro, Nesta, Filippo Inzaghi, Vieri e Totti. O sucesso o levou ao comando da seleção adulta rumo à Copa de 1998, quando caiu nos pênaltis para a França durante as quartas de final.

Depois, Maldini ainda voltaria a trabalhar como diretor técnico do Milan e viveria uma frustrada passagem pela seleção paraguaia na Copa de 2002. Nada que manchasse a sua grandiosa história no futebol. Ao longo dos últimos 14 anos, o veterano pôde desfrutar de seu reconhecimento, tanto por seus próprios feitos quanto por seu maior orgulho no futebol: o filho que seguiu seus passos e também teve a alegria de erguer a taça da Champions pelo Milan. Despediu-se com um passado que nunca se apagará.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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