Graças ao seu apoio, as colunas das cinco grandes ligas da Europa estão de volta e a Fuoriclasse traz informações e análises sobre o italiano. Faça parte do nosso financiamento coletivo no Apoia.se e nos ajude a bater mais metas.

A Internazionale pode em breve deixar de ser chamada assim. Conhecida só como Inter na Itália e como “Inter Milan” em países anglófonos e Inter de Milão no Brasil, o clube quer estabelecer um nome único no mundo. Por isso, segundo informação divulgada na última segunda, deve adotar o nome Inter Milano e também alterar o escudo, que atualmente tem as iniciais de Football Club Internazionale Milano (FCIM), para ficar apenas como IM. Estas, porém, são apenas a mudança mais aparente no clube. É bem provável que haja mudanças também estruturais, com mudança inclusive dos donos.

Quando o clube conquistou a tríplice coroa, em 2010, a gestão era completamente diferente. O dono era , bilionário italiano do ramo de petróleo. Por vezes o clube parecia um buraco sem fundos, com contratações caras para tentar competir com os rivais, mas passando um longo período sem um scudetto – de 1989 a 2006.

Durante seus 18 anos como dono, de 1995 a 2013, o dono despejou muito dinheiro para tentar levar o clube ao patamar mais alto da Europa. Conseguiu na parte final. Com ele, conquistou a Copa da Uefa em /98, cinco títulos italianos de 2006 a 2010 (o primeiro deles no escândalo Calciopoli), quatro Copas da Itália (2005, 2006, 2010 e 2011) e uma Champions League, em 2009/10, além do em 2010.

Em 2013, Moratti vendeu o clube para Erick Thohir, empresário da Indonésia. O investimento, porém, durou pouco. Em 2016, ele vendeu o clube para o Suning Holdings Group, que tem Zhang Jindong como presidente. O seu filho, Steven Zhang, assumiu a presidência do clube, cargo que ocupa até este momento.

Prejuízo na temporada 2019/20, afetada pela

Bandeira de escanteio com o escudo da Inter (Imago/OneFootball)

A situação financeira do clube não é animadora. No último ano fiscal, que se encerrou em 30 de junho de 2020, a Inter teve um balanço de €102 milhões negativos. Na época, em entrevista à agência Ansa, a diretoria do clube enviou um comunicado dizendo que “continuaria a apoiar a gestão da estrutura corporativa de forma a garantir a estabilidade operacional e do clube”.

Nos primeiros dias do ano, surgiu a especulação que o grupo Suning estaria disposta a vender o clube, mas foi negado pelo clube. Era dia 2 de janeiro. Os problemas, porém, foram aparecendo. Foi reportado que o clube não pagou a íntegra dos salários dos jogadores em novembro e dezembro e que os pagamentos adiados de julho e agosto, por causa da pandemia, também seriam acertados em fevereiro.

O jornal La Reppublica relatou que o diretor esportivo Beppe Marotta se reuniu com os jogadores para assegurar que o pagamento será feito. Caso a Inter não pague até fevereiro, pode receber uma punição em pontos da .

Restrição do governo chinês e saída de investidor minoritário

Zhang Jindong (frente), dono da Inter, e Steven Zhang, filho e presidente do clube (Emilio Andreoli/Getty Images )

O momento que o grupo Suning comprou a Inter era de investimentos pesados de chineses no futebol, em várias partes do mundo, mas especialmente na Europa. O rival Milan também foi comprado por um grupo chinês em 2017, liderado por Ly Yonghong e David Han Li. Como se mostrou depois, os empresários não tinham condições de comprar o clube acabaram destituídos pela empresa que emprestou o dinheiro a eles para o investimento, a Elliot, um fundo de investimentos, que assumiu o clube em julho de 2018.

A situação da Inter não passou nem perto do drama do rival, mas mudou em relação ao momento que os chineses chegaram. Se em 2016 havia muito dinheiro de empresas chinesas dispostas a investir no futebol, o quadro já não era o mesmo em 2020. A pandemia da COVID-19 aumentou o grau de incerteza das empresas, somado a limites estabelecidos pelo governo chinês para investimentos fora do país. A combinação de restrições internas e queda de receitas fez com que o grupo Suning considerasse a opção de vender a Inter.

O grupo Suning tem buscando investidores porque a LionRock Capital, acionista minoritária com 31,05% do clube, deve sair. A BC Partners, empresa de investimentos britânica, é a principal candidata a assumir o posto. Segundo o Corriere dela Sera, a empresa pode fazer uma parceria com o grupo americano Ares para não só comprar as ações da LionRock Capital, mas para assumir o controle do clube. O grupo Suning tem os outros 68,5% das ações da Inter.

Segundo a Reuters, o Suning Holdings Group quer vender ao menos uma parte do clube e citou como fontes pessoas envolvidas na negociação. Os dois últimos donos da Inter, Massimo Moratti e Erick Thohir, tentaram vender parte das ações, mas só acharam quem comprasse a maioria das ações e passasse a controlar o clube. Pode acontecer uma situação similar neste caso.

Segundo a Reuters, uma das opções seria vender algo como 40% das ações do clube, avaliado em €500 milhões. O grupo Suning pagou €270 milhões em 2016 para comprar os 68,5% das ações que possui. A ideia do grupo chinês é vender parte das ações e continuar no controle do clube, com uma cláusula que permita a recompra das ações no futuro.

A financeira Goldman Sachs está prestando o serviço de consultoria para a Suning para o negócio. Segundo a Reuters, o BC Partners está “na metade do processo” para a compra das ações. Segundo uma das fontes da Reuters, o BC Partners quer fazer a aquisição completa da Inter.

Além da BC Partners, outras empresas interessadas seriam EQT Partners, Arctos Sport Partners e própria Ares Management, que pode formar uma parceria com a BC Partners. Neste momento, a situação do clube é incerta em relação a quem serão os donos. Se sabe que a mudança de nome e de escudo deve acontecer em março. A mudança deve ser uma forma de também tornar o clube mais atrativo e aumentar receitas comerciais, um dos pontos que se avalia ser necessário melhorar nos nerazzurri.

Esportivamente, a Inter faz uma temporada que pode sonhar com o título. O rival Milan é quem lidera, mas está a apenas a um ponto na tabela. A briga pelo scudetto está acirrada, ainda mais com a Inter conquistando uma vitória importante diante da Juventus, no último fim de semana.

Desde 2010, quando Mourinho foi o campeão da tríplice coroa, a Inter teve 12 treinadores. O mais recente é , que chegou em 2019 e tenta levar o clube ao seu primeiro scudetto desde a saída de Mourinho, há mais de 10 anos.

Com  o grupo Suning como dono, a Inter voltou à Champions League, depois de uma ausência de seis anos. Porém, o clube foi eliminado na primeira fase nas três participações que fez até aqui, em 2018/19, 2019/20 e 2020/21.