A Itália é uma potência adormecida da Euro Sub-21. Maiores campeões da história do principal torneio de base do mundo, os Azzurrini venceram todos seus cinco títulos em um intervalo de sete disputas. Entretanto, lá se vão 15 anos desde a última conquista. Como sede da edição deste ano, é a seleção que mais trouxe nomes já estabelecidos para a competição. Mas mesmo isso não foi suficiente para uma classificação tranquila às semifinais – e, consequentemente, às Olimpíadas de 2020, em Tóquio. Pelo contrário, agora a anfitriã vai à rodada final precisando de uma combinação de resultados para avançar.

Nesta quarta-feira (19), pela segunda rodada da fase de grupos, a Itália dominou, mas não superou a Polônia. Mais do que isso, viu o adversário sair com uma vitória por 1 a 0 em uma de suas poucas idas ao ataque. No total, a equipe de Luigi Di Biagio finalizou 30 vezes, apenas cinco delas a gol – a Polônia, por sua vez, acertou o alvo em três de oito finalizações.

Com o triunfo, os poloneses lideram o grupo A com seis pontos em dois jogos; Itália e Espanha têm três.

Ajustes foram feitos em relação ao time que batera a Espanha por 3 a 1 na abertura do torneio, mais notadamente as saídas de Zaniolo, que deixara o jogo anterior com contusão, e Moïse Kean, que veio de partida apagada e perdeu lugar para Patrick Cutrone.

Durante boa parte do primeiro tempo, os italianos fizeram a vitória parecer apenas questão de tempo, mas faltavam sorte e um último toque melhor. Federico Chiesa, destaque da primeira rodada, começou com tudo também o segundo duelo, sendo o principal braço ofensivo dos Azzurrini. Apesar de toda a pressão, foi a Polônia quem conseguiu o gol: aos 40 minutos, uma cobrança de falta desviada na barreira sobrou para Krystian Bielik, que finalizou e bateu o goleiro Alex Meret. É o 1 a 0 dos poloneses.

Orsolini chegou a empatar ainda no primeiro tempo com um belo chute no canto do goleiro, mas o tento foi devidamente anulado após revisão do VAR por causa de um impedimento.

Se no primeiro tempo faltou um pouco de capricho e sorte aos italianos, na segunda etapa os problemas se acumularam. Di Biagio voltou para o segundo tempo com Kean no lugar de Orsolini, que sentiu o ombro, e, mais tarde, aos 12 minutos, promoveu a estreia de Sandro Tonali no torneio, ocupando o lugar de Mandragora. As mudanças foram apenas de nome, pois taticamente a equipe seguiu jogando da mesma maneira: com a diferença de que agora, com o resultado a seu favor, a Polônia se fechou significativamente, reduzindo as chances claras. Em uma das poucas delas, Pellegrini acertou o travessão.

Zaniolo, ainda sem estar 100%, entrou aos 36 do segundo tempo e pouco fez. O máximo que conseguiu foi seu segundo cartão amarelo na competição, que o tira da partida derradeira contra a Bélgica, no sábado (22).

À medida que o tempo foi passando no Estádio Renato Dall’Ara, a atuação que encantou contra a Espanha foi parecendo mais e mais distante. De um começo brilhante e promissor no torneio, os Azzurrini foram para uma noite de grande e contínua frustração que, por fim, colocou em risco todo o plano para a Euro Sub-21 deste ano.

A seleção italiana é a que veio para o torneio com o maior número de estrelas, jogadores que já figuram na equipe principal como Pellegrini, Chiesa, Barella, Cutrone e até Kean. Chegou a desfalcar sua própria seleção sub-20 na Copa do Mundo da categoria para poder dar prioridade à disputa que teria em casa. Era importante dar uma resposta aos fracassos recentes no tradicional campeonato. Desde o último título, em 2004, o melhor que conseguiu foi um vice-campeonato em 2013 – e ainda assim isso veio com uma derrota por 4 a 2 para a Espanha na final.

Na última rodada, se quiser a classificação direta à semifinal e às Olimpíadas de 2020, a Itália precisará vencer a já eliminada Bélgica e torcer por uma vitória da Espanha sobre a Polônia – mas não por muito. O saldo de gols deverá ser importante para definir o primeiro colocado.

Avançam para as semifinais, garantindo um lugar nos Jogos Olímpicos, os primeiros colocados de cada um dos três grupos e o melhor segundo colocado. Caso a Inglaterra ganhe a vaga às semis em outro dos grupos, então um playoff entre segundo e terceiro melhores colocados dá a vaga às Olimpíadas, já que os ingleses não podem se classificar.

Espanha ganha sobrevida com gol no fim

Dani Ceballos, da Espanha (Divulgação)

Luis de la Fuente não gostou do que viu contra a Itália. Sua seleção espanhola começou muito bem aquele duelo, mas foi logo subjugada, sobretudo fisicamente, pelos donos da casa, mostrou conformismo depois de seu gol e cedeu um 3 a 1 de virada. Era preciso mudar, e foi isso que o treinador fez, com a principal alteração para o jogo contra a Bélgica indicando o que era pretendido: o volante Zubeldía, titular contra os Azzurrini, deixou o time titular para a entrada do meia-atacante Dani Olmo.

O resultado inicial foi bom, com o próprio Olmo abrindo o placar aos seis minutos, mas os mesmos problemas defensivos apareceram, e a Rojita, por mais que estivesse criando e parecendo estar perto do segundo gol, viu os belgas empatarem aos 24 minutos, com Sebastiaan Bornauw.

A Bélgica então fechou a casinha, apostando nos contra-ataques em velocidade, mas a Espanha voltou em outra marcha no segundo tempo. Inversamente ao que aconteceu contra a Itália, quando começou muito bem e foi aos poucos sumindo, Dani Ceballos foi melhorando com o passar do jogo, sendo a principal fonte dos ataques espanhóis. A pressão por fim surtiu efeito: aos 44 minutos do segundo tempo, Pablo Fornals, que entrara na segunda etapa dando mais verticalidade ao jogo espanhol, acertou o chute da virada: 2 a 1 para a Espanha.

Os resultados desta quarta-feira criam as condições para uma rodada final emocionante no Grupo A. A Polônia apostará em sua eficácia, a Itália terá a seu lado o talento do elenco e a força da torcida, enquanto a Espanha, mais uma vez, torcerá por jogo inspirado de Ceballos e precisará melhorar seu jogo defensivo.