A Turquia vive dias de movimentação política intensa. O que era para ser a manifestação contra a demolição de um parque para a construção de um shopping no centro de Istambul se transformou em protestos contra o governo, após a ação repressora do Estado. Segundo a Anistia Internacional, duas pessoas morreram nos eventos, enquanto centenas ficaram feridas e 1,7 mil foram presas.

No centro da questão, o futebol. Vários manifestantes saem às ruas e compõem a linha de frente da movimentação com as camisas de clubes, tanto em Istambul quanto nas outras cidades onde as ações se espalham, como Ancara e Izmir. Torcedores de Besiktas, Galatasaray, Fenerbahçe e Galatasaray demonstraram união não apenas ao se abraçarem nos eventos, como também ao espalharem pelas redes sociais o símbolo do “Istambul United”, juntando elementos dos escudos dos três times.

Na Turquia, os clubes de futebol são, sobretudo, símbolos locais. O Campeonato Turco nasceu como uma competição intermunicipal entre Istambul, Ancara e Izmir, as maiores cidades do país. Já na década de 1960, a fim de fortalecer o esporte em outras partes do território, a federação promoveu a criação de clubes municipais, aglutinando equipes amadoras em uma só agremiação. Desta maneira, surgiram clubes importantes, como o Trabzonspor, o Bursaspor, o Kayserispor e o Sivasspor, que passaram a disputar a recém-criada segunda divisão.

Retomando essas raízes, o Istambul United serve para que a cidade se posicione contra a autoridade estatal. O Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdogan é acusado não apenas pela truculência da polícia, que utilizou tanques e bombas de gás lacrimogêneo contra protestos que eram pacíficos. A população também reclama do governo conservador, que cria leis que regulam do uso de álcool a sinais público de afeto. Além disso, a posição contrária ao governo da Síria tem como consequência um maior número de atentados na Turquia e a sensação de insegurança.

Analistas já comparam a efervescência em Istambul com os episódios da Primavera Árabe, que culminaram com a queda de ditaduras no Egito e na Líbia. Tayyip Erdogan foi eleito três vezes e se mantém no poder há dez anos, mas parte da população busca sua renúncia. E a intensidade das torcidas de Istambul nas arquibancadas parece pronta a se reproduzir na Praça Taksim, centro dos protestos, assim como aconteceu entre fãs de Al Ahly e Zamalek na Praça Tahrir, no Cairo.

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