A Palestina viu um jogo histórico semana passada. Pela primeira vez em 15 anos, clubes de dois territórios diferentes enfrentaram-se em uma partida de futebol. Foi o jogo de ida da final da Copa da Palestina, entre os vencedores das copas locais. Na Faixa de Gaza, o Shejaia, recebeu o Al Ahly, da Cisjordânia, e empatou por 0 a 0. Apesar da falta de gols, a mera realização do jogo foi uma vitória para os palestinos, que sofriam com as restrições de Israel para se locomover entre os dois territórios. Só que isso voltou a acontecer.

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A volta deveria ter sido realizada na Cisjordânia, no último domingo, mas foi adiada pela Federação Palestina depois que sete pessoas da delegação do Shejaia, entre elas quatro jogadores, foram bloqueados por autoridades israelenses quando tentavam deixar Gaza em direção à cidade de Hebron. Os dois territórios são separados por uma grande faixa de terra de Israel, que restringe bastante as viagens de um para o outro. Inclusive para atletas e times esportivos.

Em maio, no congresso da Fifa, a Federação Palestina apresentou uma proposta de votação para suspender Israel da entidade por causa dessas restrições. O presidente Joseph Blatter chegou a intervir, e no fim, todos chegaram a um acordo. A permissão para essa partida entre o Al Ahly e o Shejaia, que vale vaga na Copa das Confederações da Ásia, foi concedida depois disso, apesar de alguns atrasos. A delegação do Al Ahly deveria chegar na Cisjordânia na segunda-feira, para o jogo de quinta, mas conseguiu viajar apenas na quarta.

Mesmo assim, deu tempo de enfrentar o adversário no estádio Yarmuk, na cidade de Gaza, diante de aproximadamente dois mil torcedores, um ato simbólico de unidade nacional entre os dois territórios. No entanto, a distância até a partida de domingo foi curta demais para a segunda viagem ser um sucesso. As autoridades israelenses alegam questões de segurança para restringir o trânsito de palestinos entre as fronteiras. “Estava claro que sete pessoas, quatro jogadores, não estavam na lista, logo, a missão inteira não pode sair de Gaza sem eles”, afirmou Ala Shammaly, do departamento de imprensa do Shejaia.