José Mourinho e André Villas-Boas vão se enfrentar pela primeira vez neste final de semana, desde que o atual treinador do Tottenham deixou o cargo de olheiro do colega do Chelsea em 2009, quando ambos eram funcionários da Inter de Milão. O primeiro encontro dos dois deixou a imprensa inglesa ávida por declarações de um a respeito do outro e as respostas estão correspondendo às expectativas: meio infantis.

Não que seja difícil irritar José Mourinho em uma entrevista, mas, nesta sexta-feira, ele precisou dizer mais de uma vez que não queria falar sobre o ex-pupilo. Não aguentou muito tempo. “Eu não sou criança para discutir relações pessoas com a mídia. É uma questão pessoal. Não me importo com o que ele fala. Não estou aqui para comentar o que ele diz. Não estou interessado”, disse.

Villas-Boas parece estar. Disse que não é mais amigo de Mourinho e que tinha uma ótima relação profissional e pessoal com ele que não existe mais. O respeito mútuo foi mantido, mas as coisas nunca mais serão como antes. Meio dramático. “O ponto de ruptura foi porque eu tinha muita ambição para ajudá-lo mais e queria mais envolvimento com o trabalho que eu fazia, de olheiro e preparação para os jogos. Ele não sentia a necessidade de ter alguém mais próximo dele ou outro assistente”, explicou.

Foi nesse momento que Villas-Boas deixou Mourinho para treinar o Acadêmica e depois o Porto, clube pelo qual venceu o Campeonato Português, a Taça de Portugal e a Liga Europa de 2010/11, exatamente igual ao mentor em 2002/03. Quando foi contratado pelo Chelsea, as comparações foram inevitáveis, também por outros aspectos.

Mourinho foi auxiliar de Bobby Robson no começo da carreira, e foi justamente o inglês que levou Villas-Boas para o Porto, após um encontro com o então garoto viciado em números no estacionamento do prédio em que os dois moravam. Então o espírito de Robson estará em White Hart Lane no sábado? “Por quê? Onde que ele trabalhou com o André”, cutucou Mourinho.

Na última janela de transferência, a imprensa inglesa avaliou como uma vingança a contratação de Willian, que estava muito próximo do Tottenham. A tese foi reforçada pelo excepcional bom humor que Mourinho demonstrou na entrevista em que explicou como atravessou o ex-amigo. “Não sei por que ele contratou Willian, mas sei que reforçou muito bem um time que já era forte. É normal. A competição entre dois clubes é agressiva e todo mundo tenta fazer os melhores negócios possíveis”, ponderou.

Uma tradicional taça de vinho entre os treinadores não será possível após o jogo porque Villas-Boas viaja imediatamente para a festa de comemoração dos 120 anos do Porto. Mourinho também foi convidado, naturalmente, mas não pretende comparecer. A reconciliação, infelizmente, fica para outro dia.