O jogo entre Portugal e Irã foi muito duro, como muita gente esperava, com uma alta dose de emoção. O empate por 1 a 1 classificou Portugal, mas o sufoco que o time passou foi enorme. O Irã fez o seu melhor jogo na Copa e poderia ter vencido. Em um jogo que Cristiano Ronaldo não conseguiu brilhar e Portugal não fez um grande jogo, o Irã fez muita coisa, ficou com o jogo ao seu alcance. A classificação era possível e o time do Irã, um muro defensivo desde as Eliminatórias, mostrou que tem muito potencial. É um time jovem e que mostrou muitas boas qualidades na Copa. Complicou muito para Espanha e para Portugal. Venceu caro os dois resultados. E deixa a Copa do Mundo em lágrimas, mas pode sair também com muito orgulho.

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Portugal modificado

O técnico Fernando Santos fez algumas mudanças no time de Portugal que vinha jogando. O técnico colocou em campo Adrien Silva, Ricardo Quaresma e André Silva nos lugares de João Moutinho, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes.

Goleiro iraniano instável

Depois de dar uma bronca na zaga que se antecipou a ele, tirou mal e deixou nos pés de João Mário, que quase marcou o gol, o goleiro Alireza Beiranvand falhou duas vezes seguidas. Primeiro, em um cruzamento do lado esquerdo, ele saiu mal, catou borboletas, e a bola passou por todo mundo, sem ninguém conseguir tocar para o gol. Depois, em um outro cruzamento do lado esquerdo, o goleiro parecia ter manteiga das mãos e a bola escorregou das suas mãos, mas novamente ele escapou sem consequências mais graves.

Paciência portuguesa

No primeiro tempo, Portugal tocou de um lado para o outro, tentando achar uma brecha no muro iraniano. Foi preciso muita paciência para buscar, incessantemente, sem apelar para cruzamentos para a área. Também por isso, Portugal criou poucas chances para marcar o gol. Em alguns momentos, alguém tentava uma finalização, como Cristiano Ronaldo vindo buscar o jogo e chutando de longe.

Cadeado quebrado de trivela

Ricardo Quaresma (esq.) comemora gol de Portugal (Foto: Getty Images)

No final do primeiro tempo, quando o placar em branco parecia que prevaleceria, veio um lance individual. A bola começou na esquerda com João Mário, passou por Adrien Silva no meio-campo, Cedric Soares, que fechava pelo meio, e chegou a Quaresma, bem aberto na ponta direita. Ele partiu para cima da marcação, tabelou com Adrien, e conduziu com o pé direito, batendo de uma forma característica e brilhante: de trivela. Golaço do camisa 20 de Portugal. Golaço de trivela de Quaresma.

O pênalti e o VAR

Cristiano Ronaldo conduzia a bola e entrou na área, quando caiu. Reclamou pênalti, o árbitro não marcou, em um primeiro momento. Mas quando a bola parou, avisado pelo VAR, ele foi revisar o lance. Decidiu pelo pênalti. Os iranianos ficaram enfurecidos. Cristiano Ronaldo cobrou, mas Alireza Beiranvand defendeu. O lance acabou sendo um incentivo para o Irã, que precisava da vitória para avançar às oitavas de final.

Irã sufocando

Perdendo o jogo e precisando da vitória, o Irã mudou a sua postura sempre muito defensiva. Passou a trabalhar a bola e atacar. E atacou com mais perigo do que conseguiu durante os outros dois jogos da Copa. Mostrou mais qualidade do que vimos em outros jogos. Enquadrou a seleção portuguesa de uma forma sufocante. Nem todas as chances eram claras, mas Portugal ficou alguns minutos acuado.

Mais pênalti, mais VAR

Karim Ansarifard, do Irã, comemora (Foto: Getty Images)

O Irã seguiu brigando, até que em um cruzamento para a área, Razmoun cabeceou, a bola bateu no braço de Raphael Guerreiro e o árbitro foi revisar o lance, depois de não marcar pênalti. Após olhar no vídeo, ele apontou a marca da cal, de forma controversa, mais uma vez. O camisa 10 Karim Ansarifard cobrou com enorme precisão, no ângulo, e marcou: 1 a 1 no placar.

Choro no final

Lamento iraniano após o jogo (Foto: Getty Images)

Os iranianos seguiram acreditando nos minutos finais. Restavam poucos e o árbitro, que já tinha apontado seis minutos de acréscimos, teve que dar mais ao menos um minuto pelo pênalti, que já saiu aos 48 minutos. Os portugueses já não queriam jogo, tocaram a bola, e Fernando Santos fez até uma substituição para perder mais tempo.

VAR demais

O VAR atuou intensamente no jogo, muito mais do que deveria. Foram três chamadas à beira do gramado para o árbitro revisar lances. Os dois pênaltis, mais alguns lances como a revisão de um possível cartão vermelho para Cristiano Ronaldo (que teria sido injusto). Os dois pênaltis marcados pareceram bem discutíveis, e o lance de Cristiano Ronaldo era também bastante discutível e interpretativo.

FICHA TÉCNICA

Irã 1×1 Portugal

Local: Arena Mordóvia, em Saransk (Rússia)
Árbitro: Enrique Cáceres (Paraguai)
Gols:
Ricardo Quaresma aos 45’/1T (Portugal), Karim Ansarifard aos 47’/2T (Irã)
Cartões amarelos:
Safi, Azmoun (Irã), Raphael Guerreiro, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Cedric Soares (Portugal)
Cartões vermelhos:
nenhum

Irã

Alireza Beiranvand; Ramin Rezaeian, Morteza Pouraliganji, Majod Hosseini e Ehsan Haji Safi (Milad Mohammadi aos 11’/2T); Saeid Ezatolahi (Karim Ansarifard aos 31’/2T); Alireza Jahanbakhsh (Saman Ghoddos aos 25’/2T), Omid Ebrahimi, Vaihd Amiri e Mehdi Taremi; Sardar Azmoun. Técnico: Carlos Queiroz

Portugal

Rui Patrício; Cedric Soares, Pepe, José Fonte e Raphael Guerreiro; Ricardo Quaresma (Bernardo Silva aos 25’/2T), Adrien Silva, William Carvalho e João Mário (João Moutinho aos 39’/2T); Cristiano Ronaldo e André Silva (Gonçalo Guedes aos 50’/2T). Técnico: Fernando Santos