O Liverpool está prestes a conquistar o título da Premier League, mas não será mais invicto. Neste sábado, perdeu do Watford, e perdeu com gosto: 3 a 0 para os Hornets, em uma partida que jogou muito mal. Se a disputa dos Reds é pela taça, que não vem há 30 anos, o Watford tinha outras preocupações: precisa escapar do rebaixamento. E a vitória fez com que o time saísse da zona do rebaixamento, jogando o Bournemouth dentro dela.

A derrota é enorme em todos os sentidos. Primeiro por mostrar que o técnico Nigel Pearson não está para brincadeira e a luta contra o rebaixamento será voraz – como foi quando ele era técnico do Leicester e o time escapou quase milagrosamente em 2014/15 – sim, exatamente, um ano antes do milagre que os Foxes fariam no ano seguinte, conquistando a Premier League.

Mas também porque derruba um Liverpool de marcas absurdas. Há mais de um ano o Liverpool não perdia pela Premier League. A última derrota tinha sido no dia 3 de janeiro de 2019, quando perdeu do Manchester City. Eram 44 jogos de invencibilidade do time de Klopp. Não mais. Foram 423 dias de invencibilidade. Demolida.

O resultado impediu que o Liverpool quebrasse o recorde de vitórias consecutivas na Premier League. O time tinha 18, mesma marca do Manchester City de Pep Guardiola. Para bater esse recorde, será preciso fazer tudo de novo. E convenhamos, é bastante difícil estabelecer uma marca dessa. Seja para aquele time fantástico do Manchester City, seja para este incrível do Liverpool. São jogos demais vencendo consecutivamente.

O primeiro tempo foi um horror. Como já vinha acontecendo em jogos anteriores, o Liverpool deixou muito a desejar em termos de desempenho. O time criou pouco, não conseguiu ir além um chute a gol e sofria para lidar com o desesperado time da casa no Vicarage Road. Os mandantes, mesmo ficando menos com a bola, era mais perigosos.

Gerard Deulofeu quase marcou um golaço em um chute colocado, ainda no início da partida. Nos acréscimos do primeiro tempo, o Watford teve outra chance, com Troy Deeney. Houve uma baixa importante. O Watford perdeu Deulofeu, machucado, que saiu de maca em campo depois de um lance com Virgil Van Dijk, ainda no primeiro tempo.

No segundo tempo, aos oito minutos, o Watford conseguiu sair à frente. Em uma jogada rápida de lateral, Dejan Lovren, que jogou no lugar de Joe Gomez, foi enganado pelo quique da bola, que ficou com Abdoulaye Doucouré. Rapidamente ele cruzou rasteiro para Ismaila Sarr chegar antes de todo mundo e tocar para o fundo da rede.

No segundo gol, a bola surgiu de uma disputa de meio-campo que parecia que não daria em nada. Só que veio o lançamento de Troy Deeney meio que do nada, sem que a marcação chegasse. Ismaila Sarr saiu nas costas de Van Dijk, avançou em velocidade e, na cara de Alisson, tocou com categoria por cima do gol para marcar: 2 a 0, aos 15 minutos.

Havia muito tempo ainda pela frente. Até por isso, Jürgen Klopp mexeu imediatamente. Sacou Georginio Wijnaldum e Alex Oxlade-Chamberlain e colocou em campo Adam Lallana e Divock Origi. Tentou tornar o time mais ofensivo. Tudo certo, exceto porque o time tomaria um outro gol que complicaria mais ainda as coisas.

Os 2 a 0 já eram pesados, mas aí tudo ficou pior. Até o sempre excelente Trent Alexander-Arnold errou. Recuou mal, Sarr interceptou a bola antes de Alisson, girou e tocou para Troy Deeney. O centroavante tocou bem e marcou: 3 a 0, fora o baile.

Mesmo depois de tomar o terceiro gol, o Liverpool não conseguiu criar reais chances de gol. Quem criou, aliás, foi o Watford. Mais uma vez, Sarr saiu na cara do gol e tocou colocado, mas errou o alvo e mandou para fora. O Liverpool sentia, com o passar dos minutos, que não tinha mais jeito. A derrota estava consolidada.

O Liverpool tem motivos para se preocupar. O desempenho já não vinha sendo bom nos últimos jogos e a derrota para o Atlético de Madrid pela Champions League foi um alerta. O time precisará melhorar se quiser continuar vivo na competição europeia. E também para seguir na briga por outros títulos, como a Copa da Inglaterra. Klopp sabe que é preciso resolver alguns problemas do time, como essa falta de capacidade de criar jogadas. O time pareceu mais desatento e menos intenso que o seu habitual. A volta do período de folga ainda parece pesar. Serve como alerta para a equipe.

Enquanto isso, Arsenal e Preston North End ambos podem comemorar: ganhar o título invicto não será mais possível. Os dois clubes até brincaram isso no Twitter. O Preston lembrou que o futebol existe antes de 1992, ano da criação da Premier League. E o Arsenal parabenizou o Liverpool pela sequência de invencibilidade – a maior segue sendo dos Gunners, com 49 jogos.

 

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