A Bundesliga sempre tem uma surpresa de início de temporada, mas você nunca sabe qual é. Em 2009/10, foi o Hoffenheim, que liderou a competição por um tempo e sonhou até com o título. Em 2010/11, foi o Mainz 05, que venceu as sete primeiras partidas e terminou o campeonato na quinta posição. No ano passado, foi o Borussia Mönchengladbach, que fez uma linda campanha e ficou em quarto lugar. Agora é a vez do Eintracht Frankfurt, que perdeu no último domingo para o Stuttgart, mas ocupa a terceira colocação no campeonato até aqui.

O time comandado pelo técnico Armin Veh certamente não esperava esse início. Vice-campeão da segunda divisão, fez contratações modestas para a temporada, mas o time encaixou bem. Logo na estreia, virada com autoridade para cima do Bayer Leverkusen por 2 a 1. Fogo de palha, empolgação do retorno, disseram alguns. Mas aí vieram três vitórias nos jogos seguintes, contra Hoffenheim, Hamburg e Nürnberg. E o empate espetacular por 3 a 3 com o atual bicampeão Borussia Dortmund, depois de estar perdendo por 2 a 0. Nos últimos jogos, duas vitórias e duas derrotas, e uma queda de produção mais do que normal. Mas o impacto já está feito.

A receita para o sucesso é surpreendente para um time grande que se apequenou nos últimos anos. Com uma média de 56,5% de posse de bola por jogo, o Frankfurt é o segundo colocado nesse item em toda a Bundesliga, perdendo apenas para o Bayern Munique. É um time que sabe segurar bem a bola e propõe o jogo sempre, com 79,6% em acerto de passes (quarto colocado no geral), e 14,4 finalizações por partida (terceiro colocado na média, atrás apenas de Bayern Munique e Borussia Dortmund). Números que mostram que a equipe não se limita a se retrancar e explorar contragolpes.

Dentro de campo, quem dá as cartas é Alexander Meier, ídolo máximo da torcida. No clube desde 2004, o grandalhão de 1,96m atua centralizado como meia ofensivo e já marcou seis gols em nove jogos, além de ter dado duas assistências. Ele é acompanhado no meio por Stefan Aigner, contratado para esta temporada junto ao 1860 Munique e que vem causando estragos pelo lado direito. Aos 25 anos, ele provou rapidamente que pode atuar na Bundesliga com três gols e fez três assistências na competição.

Do lado esquerdo, quem comanda as ações ofensivas é o lateral Bastian Oczipka, autor de cinco assistências. Driblador, é ele quem busca espaços pelo setor, se aproveitando do fato de já ter atuado como meia-atacante por ali e faz uma boa dupla com o japonês Takashi Inui, que ainda passa por uma fase de adaptação à Bundesliga. Os volantes Primin Schwegler e Sebastian Rode funcionam como cães de guarda da equipe, com muita eficiência nos desarmes e interceptações. E o goleiro Kevin Trapp, destaque do Kaiserslautern nas duas últimas temporadas, chegou para dar uma segurança a mais debaixo das traves.

Nos próximos jogos, a tendência é que o Eintracht Frankfurt caia ainda mais de produção e vá para o meio da tabela. Mas esse bom início de temporada já garantiu ao time pelo menos uma gordura para queimar e se manter com tranquilidade na elite alemã. Parece pouco para um time que foi um dos grandes do país no início dos anos 90, mas na realidade atual é a realidade mais próxima. Qualquer coisa que vier além disso é lucro.

O fim da Ditadura Magath

O Wolfsburg vinha de uma série incrível de derrotas na Bundesliga. Foi só Felix Magath sair, e pimba: goleada fora de casa por 4 a 1 sobre o Fortuna Düsseldorf, com show de Diego e boas partidas de Josué e Fagner. Os jogadores não fizeram questão nem de adotar o discurso politicamente correto para falar do ex-comandante e deixam claro que estão mais felizes sem ele por lá. Agora, sem Magath, os Lobos são candidatos a uma vaga na Liga Europa, ou até na Liga dos Campeões. Resta saber se terão tempo para recuperar o prejuízo acumulado dessas nove rodadas.