Inter ainda teve a chance nos pênaltis, mas não fez nem perto do bastante para eliminar o América Mineiro

Quando os acréscimos começaram no Independência, o Internacional ainda não havia marcado um gol sequer sob o comando de Abel Braga e nada indicaria que o que não conseguiu fazer em mais de 270 minutos de bola rolando conseguiria em cinco. Bom… conseguiu. Yuri Alberto encontrou uma maneira de o Colorado vencer o jogo de volta por 1 a 0, empatar o duelo e levá-lo à disputa de pênaltis, na qual, após uma série de boas cobranças, Uendel bateu para fora e classificou o América Mineiro às semifinais da Copa do Brasil.

[foo_related_posts]

Difícil dizer que o resultado da disputa de pênaltis, com chances iguais para os dois lados, não fez justiça ao que foram os 180 minutos dos dois jogos. O Coelho marcou no começo da primeira partida e esteve no controle durante todo o resto. Controlou defendendo, é verdade, mas foi o risco mais calculado de todos os tempos porque o Internacional não chegou nem perto de fazer o suficiente para vencer esta eliminatória.

De certa forma, o sorteio favoreceu o América Mineiro. Era quase impossível que não enfrentasse gigantes do futebol brasileiro nas fases agudas da Copa do Brasil, mas pelo menos pegou dois em que a sua bem executada estratégia defensiva encaixou perfeitamente com as dificuldades adversárias. Foi assim contra o Corinthians, foi assim na primeira partida contra o Internacional, vencida por 1 a 0, e foi assim novamente no Independência.

O Internacional precisava vencer. Parece óbvio? Parece óbvio. Mas então por que os jogadores do clube pareciam não saber? Com bola rolando, o Internacional até foi relativamente melhor do que nos jogos anteriores, trocando melhores passes, se movimentando um pouco mais, mas o sarrafo era bem baixo. E ainda faltou aquele extra de intensidade que tornava esse time competitivo com Eduardo Coudet.

Sem ele, pouca coisa sobrou do meio para frente. O Internacional teve 77% de posse de bola no primeiro tempo e não conseguiu acertar um chute ao gol. Essa estatística nem sempre representa o que aconteceu no jogo porque existem chances muito perigosas que são mandadas para fora, cruzamentos cortados na hora certa, desarmes cruciais dos marcadores adversários. Acredite: não foi isso que aconteceu. Se alguém levou algum perigo, foi o Coelho, com chutes de fora da área e arrancadas de Ademir.

O melhor que o Colorado conseguiu produzir na etapa inicial foi em um raro momento em que duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. D’Alessandro dominou a bola com certa liberdade de frente para o gol e a fez chegar a Thiago Galhardo. Abriu na esquerda para Moisés e o cruzamento rasteiro encontrou o artilheiro do Inter, mas o chute foi bloqueado por João Paulo.

Pouca coisa mudou na etapa final. O Inter seguiu na mesma média de posse de bola, tocando a bola para lá e para cá esperando alguma inspiração divina que lhe indicasse o que fazer com ela. A primeira vez que o goleiro Matheus Cavichioli precisou trabalhar – e ainda assim, mais ou menos – foi aos 20 minutos do primeiro tempo quando D’Alessandro bateu uma cobrança de falta direto às suas mãos. A segunda foi apenas 18 minutos depois: um chute de Edenílson de fora da área, também no meio do gol.

E aí, chegamos aos acréscimos e ao acaso. O Internacional, desesperado, a segundos do fim, cobrou uma falta da linha de meio-campo direto à área. Se o América Mineiro vacilou em algum momento nesses dois jogos, foi ao permitir que Thiago Galhardo cabeceasse essa bola na direção de Yuri Alberto, que apareceu livre para tocar na saída do goleiro Matheus e empatar o duelo no seu último lance.

O árbitro apitou o fim do jogo logo em seguida e, depois de tudo que havia feito para estender a sua campanha histórica na Copa do Brasil, o América Mineiro dependeria da aleatoriedade dos pênaltis. Parecia que seria premiado quando Galhardo errou o primeiro pênalti do Internacional, com uma batida bem ruim, mas Daniel Borges desperdiçou a terceira dos mineiros, e Edenílson empatou.

A partir daí, todo mundo cobrou muito bem: Sabino, Yuri Alberto, Marcelo Toscano, Rodinei, João Paulo, Praxedes e Juninho. Até chegar a Uendel. Foi uma cobrança ruim, como foram ruins os dois jogos do Internacional na semifinal da Copa do Brasil. A eliminação pode ter saído nos pênaltis, mas não foi aleatória.