Esqueça os anos de vacas magras, de ausências continentais, de grandeza ignorada. Mesmo com times menos estrelados do que em outros tempos, Milan e Internazionale fizeram um clássico digno do peso de suas camisas. O San Siro viveu um Derby della Madonnina intenso, bem jogado, de golaços e muita emoção. Ao final, o empate por 2 a 2 acabou sendo condizente àquilo que aconteceu em campo, por mais que o segundo gol nerazzurro só tenha saído nos acréscimos do segundo tempo. O resultado, contudo, não satisfaz qualquer um dos lados. Os milanistas perdem a chance assumir o segundo lugar, enquanto os interistas permanecem no meio da tabela.

Antes do jogo, uma bela homenagem feita pela torcida do Milan. Independente de seu histórico como político, Silvio Berlusconi recebeu as honras pela trajetória como dirigente. Há 30 anos à frente dos rossoneri e de saída do clube, o presidente se transformou em bandeirão, desenhado ao lado das taças que o clube conquistou desde então. Presente nas arquibancadas, o cartola estava visivelmente emocionado.

Já quando a bola rolou, Stefano Pioli deu um ótimo cartão de visitas sobre a sua Inter. O treinador fixou João Mario como meia central, aproveitando a explosão de Candreva e Perisic nas pontas. Além disso, contava com a presença constante de Kondogbia e Brozovic na saída de jogo. Os nerazzurri dominavam as ações no campo de ataque e botavam pressão contra a meta de Donnarumma. O goleiro não precisou trabalhar tanto assim, mas a ameaça era constante.

O Milan, por sua vez, aproveitou uma de suas principais armas para sair em vantagem antes do intervalo. A primeira finalização só aconteceu aos 40 minutos. Logo na sequência, a bola morreria nas redes de Handanovic. Bonaventura puxou o contra-ataque e passou para Suso na entrada da área. O espanhol limpou a marcação e bateu colocado, longe do alcance do goleiro. Bonito gol, que deixava a situação dos milanistas mais confortável para a segunda etapa.

A reação da Inter, para sua sorte, não demorou a acontecer. Logo aos oito minutos do segundo tempo, Candreva marcou outro golaço. Soltou o pé e mandou a bola no alto, sem chances de defesa para Donnarumma. Uma resposta importante, diante do volume ofensivo que os nerazzurri apresentavam até então. O Milan, ainda assim, conseguia se impor um pouco mais no ataque durante o início da etapa complementar. E se valeu do talento de Suso para a terceira pintura da noite, cinco minutos depois. Bacca serviu e o espanhol entortou Miranda, antes de balançar as redes novamente.

A partir de então, o jogo de xadrez se concentrou entre os treinadores. Piolo tentou resguardar o lado esquerdo de sua defesa, enquanto reforçou o ataque com Jovetic. Do outro lado, Montella se resguardou com Matías Fernández e Mario Pasalic. A pressa era toda da Inter. E o gol acabou saindo no apagar das luzes, já nos acréscimos. Após bola levantada na área, Kondogbia desviou e Perisic apareceu na segunda trave para completar. A comemoração efusiva evidenciava a importância do resultado em um clássico tão acirrado.

Vivendo um melhor momento na Serie A, o Milan permanece na terceira colocação, mas iguala a pontuação da Roma. Tem talento para buscar a vaga da Champions, como Suso bem mostrou. O problema é ver a Juventus se distanciar. Já a Inter recebe uma injeção de ânimo. O time já está a sete pontos de distância da zona de classificação às copas europeias, mas, se mantiver a postura deste domingo nos jogos menores, pode encurtar a diferença em breve. E o clássico ganha um capítulo para ser relembrado, no confronto de mais gols desde os 4 a 2 interista de 2012, quando Diego Milito desequilibrou. Um passado que já não parece mais tão distante.