Duncan Ferguson era um centroavante grandalhão e duro na queda que comandou o ataque do Everton na virada do século. Mesmo sem números impressionantes, o escocês ganhou a idolatria dos Toffees por todo o sangue que deixava em campo – e, às vezes, tirava. Foram 65 gols em 263 partidas, ao longo de 11 temporadas, só interrompidas por uma curta passagem pelo Newcastle. A ligação de Big Dunc com o clube continuou. E sua energia parecia algo que faltava ao time. Após a demissão de Marco Silva, Ferguson assumiu o Everton interinamente. Em chamas ao lado do campo, serviu de inspiração à baita vitória por 3 a 1 sobre o Chelsea no Goodison Park, que tirou o clube da zona de rebaixamento da Premier League.

Numa temporada decepcionante, o Everton sofreu um de seus maiores baques na goleada sofrida diante do rival Liverpool dentro de Anfield. Aguardava-se uma nova atitude dos Toffees neste sábado, apesar das claras dificuldades que o Chelsea poderia impor no Goodison Park. No entanto, a  maior posse de bola dos londrinos não seria problema. Com um futebol aguerrido, os anfitriões contaram com a participação ativa de seus dois atacantes e também com o excesso de cochilo dos oponentes.

O gol precoce para abrir o placar ajudou o Everton. Aos cinco minutos, um erro do Chelsea na saída de bola permitiu que os Toffees tomassem a vantagem. A equipe armou o contra-ataque com toques rápidos, até que Djibril Sidibé cruzasse para Richarlison concluir dentro da área. A partir de então, o espírito de luta dos anfitriões prevaleceria. O time de Ferguson corria dobrado dentro de campo para conter o Chelsea e também criava perigo com seus avanços rápidos.

Kepa Arrizabalaga seria chamado a trabalhar logo depois, num chute de Dominic Calvert-Lewin, antes que os Blues passassem a rondar a meta de Jordan Pickford do outro lado. Os londrinos cresceram com o passar dos minutos, mas tinham muitas dificuldades para definir, por mais que invadissem a área. Confiando demais nos cruzamentos, a equipe de Frank Lampard só conseguiu acertar um chute no alvo durante toda a primeira etapa, e aos 35 minutos.

A torcida do Everton se mostrava empolgada com o desempenho. E o time deu mais motivos aos quatro minutos do segundo tempo, quando Calvert-Lewin ampliou. Em uma bola que quicou na área, a zaga do Chelsea dormiu, permitindo que o atacante ganhasse e definisse. Os Blues até conseguiram reagir de imediato. Mateo Kovacic arriscou de fora da área e acertou o canto da meta de Pickford. Mas os Toffees não deixaram se abater e seguiram jogando de igual, com velocidade e precisão.

Já no final, quando o Chelsea se postava de vez no ataque em desespero pelo empate, o Everton matou a partida nos contragolpes. Kepa fez ótima defesa em bomba de Theo Walcott. Já o terceiro gol veio aos 39. Kepa saiu jogando errado, Walcott roubou a bola, Calvert-Lewin ajeitou a Tom Davies. O garoto entrou tropeçando na área e mesmo assim manteve a posse, diante de uma defesa que batia a cabeça. Ficou a chance para Calvert-Lewin marcar mais um. Pickford até faria uma defesa antes do fim, mas os londrinos já não acreditavam em qualquer reação.

O Everton fez sua melhor partida na temporada. E a vontade da equipe é expressa em números. Os anfitriões realizaram 37 desarmes ao longo da tarde. Foi o recorde da temporada na Premier League e também a maior quantidade do clube na década – repito, na década. Demonstra como o “fato novo” transformou o ânimo dos jogadores. Sabe-se lá quanto tempo Big Dunc durará no cargo, mas o veterano deixou mais um motivo para ser idolatrado em Goodison Park. Ele deu show por sua vibração durante e depois do jogo. Parecia mais um, às vezes torcedor e às vezes jogador, à beira do campo.

O Everton encerra a série de três rodadas sem vencer e deixa a zona de rebaixamento. O time ocupa o 14° lugar, com 17 pontos, ainda aguardando os desdobramentos do fim de semana. Já o Chelsea vive um momento ruim. São três derrotas nos últimos quatro jogos pela Premier League. Ao menos, o equilíbrio na tabela ainda garante uma vantagem de seis pontos no G-4. O problema são os times acima, que podem desgarrar.

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