Os mata-matas das últimas semanas indicavam como qualquer tranquilidade estabelecida na partida de ida não é garantia de classificação. O Internacional estava mais ciente do que nunca e, mesmo com o triunfo por 1 a 0 no Mineirão, sabia que precisava entrar com o sangue nos olhos para encarar o Cruzeiro no Beira-Rio. E se os colorados já tinham construído um ótimo resultado fora, confirmaram a passagem à final de maneira incontestável diante de sua torcida. Exceção feita ao equilibrado início de jogo, o Inter foi amplamente superior nesta volta das semifinais. Não sofreu grandes riscos na defesa e amassou os mineiros nos contragolpes. Guerrero viveu uma noite destrutiva e marcou dois gols, enquanto Edenílson fechou a conta com um golaço. Foram inapeláveis 3 a 0 no marcador, que não só valem a primeira decisão ao clube em 10 anos, como também completa a satisfação já iniciada com a eliminação do Grêmio.

A partida no Beira-Rio começou alucinante, com boas chances para os dois lados. O Inter foi o primeiro a ter a iniciativa, em chutes travados de Guerrero e Edenílson. Logo depois, o Cruzeiro já emendou um ataque rápido e levou ainda mais perigo. Pedro Rocha apareceu livre na direita e, dentro da área, finalizou mal, permitindo a defesa de Marcelo Lomba. No rebote, David não aproveitou o lance aberto e mandou para fora. Os primeiros minutos seguiriam assim, francos e igualados, com o Inter apertando mais a marcação. Pouco depois, Dedé ainda cabeçaria por cima, enquanto Nico López falhou em dois arremates. Já aos 15, seria a vez de Cuesta tentar a batida e tirar tinta da trave, em lance que Fábio só pôde observar.

Aos poucos, as marcações se assentaram e o duelo reduziu seu ritmo. O Cruzeiro tinha mais iniciativa, mas não acertou o seu jogo. Até controlava um pouco mais a bola, sem muita efetividade nas construções. O Inter recuou e mantinha as suas ideias, em busca dos contra-ataques. Foi muito mais ameaçador assim. Lindoso poderia ter feito melhor em bola alçada que Guerrero ajeitou, mas a finalização saiu fraca. A Raposa, por sua vez, não ia além dos chutes de média distância. À espreita, os colorados não demorariam a encaminhar a classificação.

Aos 39 minutos, o Internacional abriu o placar. E o gol saiu em um ótimo contra-ataque. Dedé errou a saída de bola e permitiu que Edenílson armasse os colorados em velocidade. Nico López brigou com a bola e com a zaga, mas conseguiu avançar à entrada da área e inverteu para D’Alessandro na direita. O maestro preparou e fez o cruzamento, para um Guerrero completamente livre. Assim, o artilheiro não costuma desperdiçar. A cabeçada ainda desviou no meio do caminho e impossibilitou a defesa de Fábio, terminando nas redes. Marquinhos Gabriel até arriscaria buscar o empate antes do intervalo, forçando a defesa de Lomba. De qualquer maneira, o carnaval já parecia armado no Beira-Rio.

Na volta do intervalo, Rogério Ceni trocou Dedé por Ariel Cabral e tentou fazer o Cruzeiro se impor mais à frente. Não deu resultado. Abatidos, os celestes não apresentavam recursos para a virada e seguiam dando espaços aos contragolpes do Inter. Antes dos 10, Patrick finalizou para fora e Fábio espalmou o arremate de Nico López. Os colorados mostravam um time bem mais sólido, direto na construção de suas jogadas, que sabia explorar os espaços contra uma defesa desguarnecida. O segundo gol não demorou.

Aos 24, aconteceu a confirmação do Inter. E foi um golaço. Após cruzamento de Edenílson pela direita, Nico López teve grande participação na plasticidade da jogada, ao dominar e dar o passe por elevação a Guerrero. Ainda assim, os requintes da jogadaça ficaram com o peruano, que matou no peito e soltou a perna num belíssimo sem-pulo. Fábio não teve chances. Anotar três gols já se tornava uma missão completamente impossível ao Cruzeiro, até porque as melhores oportunidades permaneciam com os gaúchos. Nico e Patrick poderiam ter feito outro na sequência, mas mandaram para fora.

O Cruzeiro se mostrava limitadíssimo e as trocas de Rogério Ceni não ajudaram. Além de Fred, ele promoveu a entrada do volante Éderson na reta final da partida. Os erros nas construções eram enormes. Na melhor chance de descontar, Thiago Neves tentou a jogada e mandou para fora. E num final de jogo que parecia apenas protocolar, aguardando-se a festa do Inter, o golpe de misericórdia veio com muito estilo. Aos 43, Edenílson teve recompensada sua boa atuação e anotou o terceiro gol. Cuesta lançou com precisão o volante, que passou às costas da defesa e ficou de frente com Fábio. Sobrou categoria ao colorado, que acertou um lindíssimo toque por cobertura. Desencadeou a celebração nas arquibancadas, com cantoria e luzes de celulares em vigília pelo apito final.

O Cruzeiro não poderá buscar o tricampeonato consecutivo da Copa do Brasil, numa campanha descendente que termina da forma mais desanimadora possível. Já o Internacional busca um título que significaria bastante à sua história. A equipe não conquista a competição desde 1992 e voltará à decisão após dez anos. Apesar da decepção recente na Libertadores, os colorados têm uma excelente deixa para se reerguer em grande estilo. A maneira como o time de Odair Hellmann atropelou os celestes reforça a crença na taça. Será uma longa noite em Porto Alegre, em uma festa completamente vermelha.