O Santos foi a grande potência do futebol feminino brasileiro durante o final da década passada. Conquistou duas Libertadores, duas Copas do Brasil, serviu de base à seleção brasileira com craques da estirpe de Marta e Cristiane. Sete anos depois do bicampeonato continental, as Sereias voltam ao topo. Com enorme autoridade, faturaram nesta quinta o Campeonato Brasileiro Feminino, título inédito para a sua sala de troféus. Após a vitória por 2 a 0 na Vila Belmiro, com o recorde de público do estádio no ano, as santistas voltaram a derrotar o Corinthians. O triunfo por 1 a 0 na Arena Barueri foi mais do que suficiente para a festa das visitantes, resgatando a trajetória vitoriosa do time feminino do Santos.

A grande protagonista neste segundo jogo decisivo foi a argentina Sole Jaimes. A artilheira comandou o ataque das Sereias, combinando qualidade técnica com muita intensidade. O gol da vitória saiu justamente com a atacante, em cabeçada colocada para tirar a bola do alcance da goleira Lelê. Além disso, quase anotou um golaço no segundo tempo, em bomba da intermediária que a arqueira corintiana voou para salvar. Especialmente ao lado de Patrícia Sochor, Sole formou uma linha ofensiva letal às santistas. A argentina anotou 18 gols em 19 partidas, maior goleadora deste Brasileirão.

Precisando reverter a desvantagem, o Corinthians teve as suas chances. Dominou o início do jogo e desperdiçou uma excelente oportunidade com Nenê, chutando por cima do gol. Contudo, o tento de Sole Jaimes logo aos 16 minutos serviu para esfriar os ânimos das paulistanas. A equipe buscava o ataque, mas não tinha muito sucesso. Em seu melhor momento, Juci soltou o pé, esbarrando em grande defesa da goleira Dani. Enquanto isso, as Sereias levavam muito perigo nos contra-ataques.

Já no segundo tempo, os contragolpes do Santos incomodavam ainda mais. Sochor e Sole davam trabalho às defensoras do Corinthians, com velocidade e talento. Já do outro lado, faltava inventividade às corintianas. Tentaram criar jogadas nas bolas longas, mas não conseguiram arrancar o empate. Dani mais uma vez cresceu em sua meta, e até salvou uma bola em cima da linha. Naquele lance crucial, as expectativas das anfitriãs ruíram de vez. Bastou às Sereias segurarem a diferença e comemorarem.

O Santos demonstra ambição no futebol feminino. Montou um elenco bastante forte e têm margem para crescer, se planejando para a próxima edição da Libertadores. Há mesmo a possibilidade do retorno de Marta, algo declarado no sistema de som da Vila Belmiro durante o jogo de ida – e, por mais que craque tenha contrato com o Orlando Pride, seria possível um empréstimo ao final da temporada da NWSL, considerando que a competição continental se condensa em poucas semanas, geralmente entre novembro e dezembro. Com a maior jogadora de todos os tempos ou não, fato é que as Sereias veem um horizonte amplo após o Brasileirão. Não só pelo título, mas também pela maneira como a torcida abraçou o time.