Deportivo Lara e Zamora entraram em campo na noite desta quarta-feira pela Libertadores da América. Representantes da Venezuela na competição continental, as duas equipes fizeram um bom papel. O Lara, jogando em casa, venceu os argentinos do Huracán por 2 a 1 e assumiu a segunda posição no grupo B, atrás do líder Cruzeiro. Já o Zamora, lanterna do grupo E, conseguiu ao menos dar um grande susto no Atlético Mineiro, abrindo dois gols de vantagem no primeiro tempo, mas sofrendo a virada na segunda etapa. Afetados diretamente pela crise social na Venezuela, os dois clubes ainda tiveram de enfrentar os desmandos da federação local, sendo obrigados a atuar no mesmo dia dos jogos da Libertadores pelo campeonato venezuelano.

Apesar da solicitação das duas equipes, a Federação Venezolana de Fútbol (FVF) e a Liga responsável pelo campeonato não aceitaram o adiamento das partidas, e para resolver o impasse, Deportivo Lara e Zamora tiveram de preparar duas equipes alternativas. O Lara, da cidade de Barquisimeto, enfrentou o Llaneros de Guanare e venceu por 3 a 2, assumindo a sétima posição. O técnico Leonardo González esteve presente nos dois compromissos, tendo de fazer uma viagem de duas horas para conseguir comandar sua equipe pela Libertadores. O treinador do Zamora, José Ali Cañas, não teve a mesma possibilidade, já que estava em Belo Horizonte para o duelo com o Galo. No campeonato nacional, com a equipe alternativa, sofreu uma goleada de 4 a 0 diante do Deportivo La Guaíra, fora de casa, e caiu para a terceira colocação. A diferença entre as duas partidas foi de apenas cinco horas.

A falta de sensibilidade também foi demonstrada pela Conmebol, que mesmo ciente das dificuldades pelas quais o país enfrenta, manteve o jogo do Lara para o horário da noite. “É complicado. Não há condições para jogar. Sabemos que há muita gente que depende do futebol, mas os jogadores têm que ser respeitados”, disse o treinador do Lara, antes da partida. Como esperado, o duelo contra o Huracán sofreu uma breve paralisação no primeiro tempo por conta de um apagão no estádio Metropolitano de Lara.

A crise energética na Venezuela teve seu ápice no início de março, com cidades ficando sem energia por mais de 80 horas, gerando a suspensão das atividades comerciais e a falha de serviços básicos, como hospitais. Mesmo com os problemas respingando no futebol, Federação Venezuelana e Conmebol optam por seguir a velha máxima: o show tem que continuar.