O Fluminense sabe que terá um ano longo em 2020. Sem grandes investimentos, o clube sofreu a primeira eliminação da temporada nesta terça-feira, logo na primeira fase da Copa Sul-Americana. Os tricolores enfrentaram a Unión La Calera e pagaram caro pelo resultado na ida, dentro do Maracanã. Após o empate por 1 a 1 no Rio de Janeiro, o Flu precisava se recuperar na visita ao Chile. Não conseguiu. Em uma atuação ruim na grama sintética do Estádio Nicolás Chahuán Nazar, a equipe de Odair Hellmann pouco fez para pegar no tranco e não saiu do 0 a 0. O placar vazio representa a frustração da torcida, com a classificação dos chilenos pelo gol fora.

Durante a primeira partida, o Fluminense mal pôde desfrutar seu gol no Maracanã. Evanílson abriu o placar, mas o empate da Unión La Calera foi instantâneo. Nem a vantagem numérica, após a expulsão de um adversário no final, ajudou os cariocas. E o tropeço forçava o ataque tricolor a trabalhar, em busca de pelo menos um tento no Chile. Nesta terça, porém, os chilenos jogaram com o regulamento sob os braços. Adotaram uma estratégia defensiva, se entrincheirando e bloqueando o entorno de sua área. Com mais posse de bola, o Flu pouco produziu em meio à sua pressão inicial.

O primeiro lance de perigo veio apenas aos 24 minutos, com a própria Unión La Calera, quando Matías Navarrette exigiu uma boa defesa de Muriel – em jogada posteriormente anulada por impedimento. Só então o Fluminense acordaria e responderia, com Nenê forçando uma intervenção arrojada do goleiro Alexis Arias. Era um jogo morno, em que os tricolores não apresentavam recursos e nem velocidade para quebrar a retranca chilena.

Durante o segundo tempo, o Fluminense precisava de mais atitude. Seguiu na mesma morosidade, rodando a bola sem criar nada concreto. Quando o clima esquentou no jogo, foi mesmo por uma confusão que rendeu um amarelo para cada lado, inclusive para Nenê. Odair colocaria Ganso aos 15, no lugar de Marcos Paulo, sem muito efeito. Depois, Michel Araújo seria a aposta no lugar de Caio Paulista. Demorou para o desespero bater nos cariocas e somente nos 20 minutos finais é que os visitantes passaram a forçar um pouco mais as jogadas.

De qualquer maneira, o que se viu foi um excesso de erros na criação. O Flu carecia de mais presença de área, para brigar pelos espaços e pelas bolas altas. Poucas jogadas saíam ao time, também sem ritmo na grama sintética. E, vez ou outra, a Unión La Calera conseguia chegar à área de Muriel. Os melhores lances do Fluminense vieram por volta dos 40 minutos. Evanílson não conseguiu completar o cruzamento de Nenê, enquanto Yuri Lima pararia em defesa de Arias. Ainda assim, o último suspiro seria dos chilenos, num gol feito que Gonzalo Castellani desperdiçou. Já no fim, faltou tempo à pressa dos tricolores. A eliminação era fatal.

A decepção na Copa Sul-Americana não se dá apenas pelo sonho de uma boa campanha continental que se esfarela. O Fluminense também poderia ganhar um bom dinheiro com premiação. Contudo, os tricolores mal foram capazes de ameaçar os chilenos, que vêm de boas campanhas na liga nacional. Fica uma sensação de impotência, com o clube agora se voltando ao Campeonato Carioca e à Copa do Brasil. Após vencer apenas um de seus últimos cinco jogos, o Flu chegará pressionado para encarar o Moto Club na próxima semana, em sua estreia no torneio nacional.

Odair Hellmann lida com as críticas em seu início de trabalho. E, de fato, o Fluminense ficou devendo demais neste confronto com a Unión La Calera, inclusive pela falta de repertório no Chile e pelas substituições questionáveis. Contudo, não dá para colocar apenas na conta do treinador. Em um elenco que basicamente mescla medalhões e novatos, as opções disponíveis não satisfazem tanto. A possível vinda de Fred pode garantir mais recursos, mas também não é a salvação. E a contratação do veterano não apaga o desgosto já por essa queda precoce.