Louros e riqueza não tornam ninguém imune aos tentáculos da depressão, e Iniesta foi vítima do mal do século mesmo em meio a um de seus períodos mais vencedores como jogador de futebol. Já se sabia publicamente sobre o episódio depressivo enfrentado pelo espanhol. Porém, em documentário lançado nesta semana na Rakuten TV, o meio-campista ex-Barcelona e pessoas próximas a ele falaram com mais detalhes sobre aquele que foi seu momento mais difícil.

Um ano antes de virar o grande herói do primeiro título da Espanha em Copas do Mundo, Iniesta vivia grande momento. Havia sido campeão da Champions League com o Barcelona como um dos protagonistas. Entretanto, problemas de lesão e a morte do amigo Dani Jarque, que jogava no rival Espanyol e foi vítima de um ataque cardíaco aos 26 anos, em agosto de 2009, afetaram enormemente o craque.

A morte de Jarque, em especial, foi um duro reves a Iniesta. “Aquilo foi como um golpe físico, algo tão poderoso que me derrubou novamente, e eu estava bem deprimido, claramente porque não estava muito bem”, revelou o jogador no documentário “Andrés Iniesta – O Herói Inesperado”.

“Os dias passam, e você percebe que não está melhorando. Você não se sente bem, não é você mesmo. Tudo se turva e fica escuro”, descreveu Iniesta ao falar da depressão.

Os meses que se seguiram à morte do amigo, e que antecederam a disputa da Copa do Mundo de 2010, foram duros ao jogador, que sentia o impacto físico dos problemas psicológicos, incapaz de completar sessões de treino, segundo ele mesmo revelou em entrevista ao Guardian em 2018.

Seus pais, Maria Lujan e José Antonio Iniesta, também recordaram o duro momento vivido pelo filho. Foi em uma noite específica que eles notaram que havia algo de errado. “Notei que ele não estava bem quando, numa noite, estávamos dormindo no andar de baixo, e ele desceu e disse: ‘Mãe, posso dormir aqui com vocês?’ Aí, meu mundo caiu”, contou a mãe.

“Nosso filho de 25 anos de idade descendo as escadas à meia-noite e querendo dormir com seus pais significa que ele não pode estar bem. Ele disse: ‘Não estou bem, pai’. Perguntei o que havia de errado, e ele respondeu: ‘Não sei, não me sinto bem’. Em certo momento, pensei que ele teria que parar (de jogar futebol), porque o mais importante era ele (estar bem)”, completou o pai.

Por meio do Barcelona, Iniesta passou a ter acompanhamento psicológico com a profissional Inma Puig, que mantinha também contato com o então técnico do clube, Pep Guardiola. No documentário, Puig revela o papel importante do técnico no tratamento do jogador.

“O Guardiola disse que essa era a primeira vez que ele tinha estado naquela situação como treinador. Eu lembro de ele dizer: ‘O mais importante agora é o Andrés, a pessoa, não o jogador’.”

“Eles (jogadores) são pessoas, e isso é algo muito humano, que afeta milhões de pessoas no mundo. Eles precisam saber que estamos lá por eles”, afirmou Guardiola à época.

A mãe de Iniesta complementa os comentários de Puig, acrescentando que “Guardiola tentou tirá-lo daquele buraco sem fundo em que ele estava”.

Iniesta por fim revelou que sua rede de apoio foi essencial para superar aquele momento: “Minha esposa, que era minha namorada na época, estava sempre ao meu lado. Ela passou noites comigo na casa dos meus pais. Aqueles ao seu redor ajudam você a encontrar novamente algum significado (na vida). Sou muito grato a todos eles”.