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Todo mundo ganha com a saída de Torres do Chelsea, inclusive o Milan

Foi uma relação de amor e ódio. Mais amor do que ódio, é verdade. Três anos e meio depois de quebrar o recorde de transferência mais cara da história do clube, trazido do Liverpool por € 50 milhões, Fernando Torres deixa o Chelsea. O centroavante foi anunciado como novo reforço do Milan, ocupando a lacuna deixada por Mario Balotelli. E, ainda que tenha decepcionado em Stamford Bridge, com apenas 45 gols em 172 partidas, sua chegada a Milão é um bom negócio aos rossoneri.

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Fernando Torres assina com o Milan por duas temporadas. Na verdade, o tempo de se encerrar seu contrato com o Chelsea, que não conseguiu vendê-lo a clube algum. Os italianos bancarão os salários do espanhol e terão a chance de contratá-lo em definitivo no final de 2015/16, quando ficar sem vínculo com os Blues e estará livre para assinar com outro clube. Considerando a crise financeira do clã de Silvio Berlusconi, uma boa vantagem.

Durante a passagem por Londres, Fernando Torres será lembrado mais pelos gols perdidos do que pelas contribuições que deixou ao Chelsea. Durante algum tempo, o atacante foi útil na rotação dos Blues, sobretudo com Roberto Di Matteo e Rafa Benítez, por mais que não repetisse as atuações impressionantes dos tempos de Liverpool. Seu estilo de jogo se transformou, saindo mais da área e perdendo o faro de gol. Contudo, a última temporada deixou claro que o espanhol não estava nos planos de José Mourinho. Foram apenas 16 partidas como titular na Premier League, com cinco gols. A chegada de Diego Costa e Drogba, por fim, escancararam as portas para sua saída.

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É óbvio que o Milan não leva Fernando Torres achando que terá um substituto à altura de Shevchenko, em seus melhores tempos com a camisa rubro-negra. No entanto, para a realidade atual do clube, o espanhol parece uma boa aposta. As atuações mais recentes não animam muito, mas renovar os ares pode fazer bem a Torres. Ainda mais em uma temporada na qual a exigência sobre o elenco não deverá ser tão grande, com a equipe voltada à disputa da Serie A.

Fernando Torres, um dos atacantes da Espanha para a Copa do Mundo (Foto: AP)

No comando do Milan, Torres ainda terá um técnico que poderá ajudá-lo bastante em seu trabalho: Filippo Inzaghi, um verdadeiro especialista da grande área. E, com a concorrência de Giampaolo Pazzini e M’Baye Niang, não há muitas dúvidas que o novo contratado será titular absoluto. É verdade que o camisa 9 não era o favorito para a posição, com o Milan sondando Mattia Destro. Entretanto, a Roma não cedeu na negociação e Torres é mesmo o melhor que os milanistas têm para hoje. E a questão inicial é como ele lidará com este protagonismo, em um elenco ainda mais esvaziado após as vendas de Balotelli, Kaká e Robinho.

No fim das contas, ninguém sai perdendo na negociação. O Chelsea se livra de seu encosto, Fernando Torres tem nova chance em um clube de camisa pesada e o Milan recebe um reforço de nome. Para saber quem ganhou menos, no entanto, tudo dependerá do desempenho do centroavante pelos rossoneri. Se a sua vontade de dar a volta por cima pesar, pode ser até mesmo os Blues, que abriram mão de um astro no qual investiram tanto, mas do qual nunca tiveram o retorno esperado.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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