Inglaterra

Sol Campbell quer entrar na política – e logo como prefeito de Londres

O uso da imagem de jogador de futebol para conquistar capital político não é exclusividade de brasileiros, e quem decidiu seguir essa linha foi Sol Campbell. O ex-zagueiro da seleção inglesa e de Arsenal e Tottenham anunciou nesta segunda-feira que irá se candidatar a prefeito de Londres nas eleições do ano que vem. Destacando como saiu de um ambiente mais humilde, da classe operária, e conseguiu ter sucesso, o ex-atleta diz querer proporcionar o mesmo ao restante da população. O curioso é o caminho escolhido para isso.

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A experiência de uma infância pobre normalmente nos faria imaginar que sua guinada política seria mais inclinada à esquerda, mas Campbell tentará ser o candidato do Partido Conservador. E sua relação com o partido começou justamente por causa de uma insatisfação com uma determinada política do Partido Trabalhista. Em outubro do ano passado, os trabalhistas apresentaram uma proposta de introdução de um novo imposto anual sobre donos de mansões avaliadas em mais de £ 2 milhões, o que levou o ex-zagueiro a se aproximar dos conservadores para lutar contra a possível nova lei.

Pequenas contradições políticas à parte, Campbell parece empenhado em querer fazer a diferença na política e para os habitantes de Londres, embora seu discurso seja tão genérico quanto você poderia esperar do primeiro contato com política de maioria dos jogadores que decidem se enveredar por esses caminhos.

“Vou entrar de olhos bem abertos. Sei que não serei favorito. Mas olho para pessoas que estão na política há cinco, dez, 15 anos e só fazem bagunça. Você os vê fazerem a bagunça e pensa: ‘Vocês deveriam ser profissionais’. Pessoas que estudaram em Oxbridge, que tiveram milhares de libras gastas em sua educação, e, quero dizer, eles estão realmente bagunçando tudo”, analisou Campbell, em declarações publicadas pelo Guardian.

“Eu trago algo novo à mesa. Essa é uma estrada completamente nova para mim, algo com que posso me envolver completamente, e eu sentia que eu precisava fazer alguma coisa. Venho de um passado de classe operária, não foi nem um pouco fácil para mim, mas eu trabalhei duro. E agora é hora de devolver alguma coisa”, completou.

Sol Campbell pendurou as chuteiras em 2011, tendo sempre jogado na Inglaterra e defendido a seleção do país por 11 anos. Desde a aposentadoria, as manchetes em torno de sua figura vinham sendo, sobretudo, acerca de sua tentativa de envolvimento político dentro da Federação Inglesa. Em sua autobiografia, Campbell falou sobre como a entidade era institucionalmente racista – o  que ficou um tanto quanto comprovado com as revelações recentes da tentativa da implementação de uma cota racial nas convocações do selecionado inglês. Sem papas na língua e com vontade de fazer alguma diferença, mesmo que não conheça teoricamente os principais caminhos, o ex-zagueiro deverá ser uma figura interessante de se acompanhar no caso de a candidatura seguir em frente. Pelo menos boas aspas a imprensa inglesa pode esperar dele.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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