Inglaterra

Rooney se aposenta da seleção inglesa e prioriza quem mais ama: o Everton

Wayne Rooney decidiu se aposentar da seleção inglesa. Aos 31 anos e de volta ao clube de coração, Everton, depois do fim do seu vínculo com o Manchester United, o jogador deixa a seleção Three Lions como o maior artilheiro que já vestiu a camisa inglesa, com 53 gols em 119 jogos. Deixa a seleção como uma lenda do futebol do país, e isso depois do técnico Gareth Southgate ligar para ele para convocá-lo para os próximos jogos. Ele irá se dedicar apenas ao clube e isso tem um enorme significado.

LEIA TAMBÉM: 25 grandes momentos de 25 grandes jogadores da história da Premier League

O início no Everton tem sido muito positivo. São dois gols em dois jogos na Premier League em sua volta ao clube do Goodison Park. Apesar da ligação de Southgate ser para convocar o experiente jogador, na seleção inglesa desde 2003, ouviu de Rooney que ele decidiu se aposentar.

No último mês de setembro, Rooney ultrapassou David Bechkam como jogador de linha com mais jogos com a camisa da seleção inglesa, com 116 – chegaria ainda a 119. Depois de ficar com esse recorde, o então capitão da seleção inglesa declarou que se aposentaria da seleção depois da Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Rooney na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, pela Inglaterra (Photo by Ross Kinnaird/Getty Images)
Rooney na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, pela Inglaterra (Photo by Ross Kinnaird/Getty Images)

O problema é que a fase do jogador era ruim no Manchester United, mal jogando, e outros jogadores pareciam pedir passagem. A ideia de se aposentar depois da Copa pareceu antecipada quando o técnico Gareth Southgate não o convocou em março, para os jogos contra Alemanha e Lituânia, em março, e depois contra Escócia e França, em junho. Mesmo sem querer, ele já parecia forçosamente aposentado.

O seu retorno à seleção seria triunfal, depois de um início tão bom pelo Everton. O tempo de Rooney na seleção parecia terminado em maio, quando saiu a convocação para os jogos dos Three Lions em junho. Na época, escrevi que era difícil imaginar que Rooney voltasse à seleção. A situação parecia clara para Rooney. A essa altura, essa decisão já estava, ao menos, cogitada. Mas anunciar a aposentadoria depois de ser ignorado na convocação não faria sentido. O silêncio talvez fosse mesmo o melhor.

Ao receber a convocação, Rooney escolhe o momento de parar, algo que nem sempre é possível. Ele coloca um ponto final na sua carreira pela seleção enquanto ainda pode. Mesmo tendo 31 anos, com ainda um bom tempo de carreira pela frente, Rooney escolheu se aposentar para que seja nos seus termos, antes que tenha que ser forçado. Afinal, Harry Kane é sem dúvida titular e melhor opção para o ataque no momento; Jamie Vardy e Jermain Defoe são jogadores que oferecem experiência e gols; ainda há Marcus Rashford, que pinta como uma ótima promessa que vai bem no Manchester United e pode atuar na posição. Ainda há opções como Daniel Sturridge e Danny Welbeck, se o técnico precisar de mais opções.

Com tudo isso, parece claro que o caminho de Rooney seria, novamente, deixado de lado em pouco tempo. Manter o seu lugar para a Copa do Mundo seria uma missão difícil. Mais do que isso, possivelmente nem titular seria. Nem no ataque, onde rende mais, muito menos no meio-campo, onde chegou a atuar. Rooney, então, se antecipa ao inevitável e escreve a história do fim da sua carreira pela seleção inglesa com as suas palavras, respeitado e homenageado, e não esquecido das convocações, como pareceu que iria acontecer.

Dedicação total ao Everton
Wayne Rooney, da Inglaterra (Photo by Philipp Schmidli/Getty Images)
Wayne Rooney, da Inglaterra (Photo by Philipp Schmidli/Getty Images)

Sem a seleção inglesa, Rooney pode se dedicar integralmente ao Everton, clube pelo qual tem amorde torcedor e que parece ter condições de fazer muito. O jogador se preserva fisicamente, se dedica integralmente a tentar levar o Everton a glórias nos seus últimos anos de carreira. É possível até imaginar que sem os jogos de seleção, Rooney fique inteiro por mais tempo e possa ajudar ainda mais o clube de Merseyside.

É o que acredita Martin Tyler, um dos mais icônicos narradores do Reino Unido. “Ele coloca o Everton à frente da Inglaterra no fim. Ele iria se aposentar depois da Copa do Mundo, então sempre seria por apenas uma temporada [dividir-se entre o futebol de clube e seleção]. Ele sempre coloca o time à frente da sua glória pessoal. Isto talvez tenha sido uma das coisas que provavelmente trabalhou contra ele às vezes”, disse Tyler, conhecido também por ser o narrador do game Fifa desde 2005.

Alan Smith, ex-jogador da seleção inglesa e atualmente comentarista – também no Fifa, junto com Martin Tyler, desde 2011 – se disse surpreso com a decisão de Rooney e também destacou que pode ser uma forma de priorizar o Everton para dar o seu melhor no final da sua carreira ao clube de coração.

“Eu achei que ao estar no Everton e talvez encontrando uma nova vida, ele iria querer aumentar seus 199 jogos e 53 gols [pela seleção]. Eu sei que ele não está ficando mais jovem, mas eu pensei que haveria um pouco de vida sobrando nele para vestir a camisa da Inglaterra”, afirmou Smith, que, no entanto, disse compreender. “Chega um ponto na sua carreira como jogador que você não tem mais a energia que você tinha antes e você nunca tem um descanso por ser um jogador de seleção. Eu acho que ele está pensando nisso nos seus últimos anos no alto nível, ele quer dar ao Everton o melhor que ele pode”.

Jamie Carragher, ex-jogador da seleção, elogiou a atitude de Rooney, enfatizou a prioridade ao Everton e ainda acredita que esta é a melhor decisão para todas as partes envolvidas. “Ele voltou ao Everton e nos próximos dois ou três anos ele quer deixar uma marca lá, fazer o time brigar para entrar nos quatro primeiros lugares na tabela. Talvez ganhar um título ou dois”, analisou o ex-jogador do Liverpool.

“Ele teve um grande começo pelo Everton e do modo como as coisas estão indo, ele terá poucos intervalos. Eu acho que é uma grande decisão em todos os aspectos, mesmo para a Inglaterra, na verdade, nós temos jogadores mais jovens surgindo  e eu tenho certeza que Gareth Southgate – pensando na Copa do Mundo – molde o seu próprio time. Eu acho que funciona para todo mundo”, disse ainda Carragher.

“O fim de uma era”
Rooney marca um gol no Maracanã, contra o Brasil, em 2013 (Photo by Friedemann Vogel/Getty Images)
Rooney marca um gol no Maracanã, contra o Brasil, em 2013 (Photo by Friedemann Vogel/Getty Images)

O presidente da Football Association, Greg Clarke, classificou a aposentadoria de Rooney como o fim de uma era no futebol de seleções. Ele lamentou o fim da carreira de Rooney com a camisa da seleção, mas disse aceitar a decisão e elogiou o jogador, agora no Everton, pelo seu papel e por ser uma inspiração a todos, inclusive como capitão.

“Hoje marca o fim de uma era no futebol de seleções. Wayne Rooney é um ícone da sua geração e sem dúvida uma lenda do esporte. Como maior artilheiro da seleção do seu país e jogador de linha que mais vestiu a camisa da Inglaterra, nem é preciso dizer que Wayne conquistou o direito de ser chamado de uma lenda dos Three Lions”, afirmou o dirigente.

“Eu sei que sempre foi uma grande honra para Wayne vestir a camisa da Inglaterra e ele liderou o seu país como capitão com grande orgulho. É com tristeza que nós vemos Wayne encerrar sua carreira internacional, mas nós respeitamos a sua decisão e esperamos que ele continue contribuindo para o Everton e o resto do mundo do futebol por muitos anos. De jogar futebol na rua a capitão da Inglaterra, Wayne continua sendo uma inspiração para todos”, declarou ainda Clarke.

A carta de despedida
Wayne Rooney durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)
Wayne Rooney durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)

Foi ótimo que Gareth Southgate me ligou nesta semana para dizer que me queria de volta no elenco da Inglaterra para os próximos jogos. Eu gostei muito disso.

Contudo, tendo pensado há muito tempo, eu disse a Gareth que eu decidi me aposentar de vez do futebol internacional.

É uma decisão muito difícil e algo que eu discuti com a minha família, meu técnico no Everton e aqueles mais próximos a mim.

Jogar pela Inglaterra sempre foi especial para mim. Toda vez que eu fui convocado como jogador ou capitão foi um verdadeiro privilégio e eu agradeço a todos que me ajudaram.

Mas eu acredito que é hora de parar.

Deixar o Manchester United foi uma decisão difícil, mas eu sei que fiz a escolha certa em vir para o Everton. Agora quero focar todas as minhas energias em ajudar o time a ter sucesso.

Eu sempre permanecerei como um torcedor apaixonado da Inglaterra.

Uma das minhas poucas lamentações é não ter feito parte de um time da Inglaterra que foi campeão.

Espero que os empolgantes jogadores que Gareth está levando possam levar essa ambição adiante e eu espero que todo mundo apoie o time.

Um dia o sonho se tornará realidade e eu espero estar lá como torcedor – ou de qualquer forma.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo