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Rejeitado pelo Arsenal e herói galês, Robson-Kanu não está acostumado a fazer gols

Ramsey recebeu na entrada da área. O meia, desequilibrado, acertou o drible, mas não conseguiu concluir a jogada. A bola chegou a Thomas Henry Alex Robson-Kanu, um jogador de muitos nomes e poucos gols. O jogador do Reading errou e acertou ao mesmo tempo: bateu mal e marcou o tento que valeu a primeira vitória de País de Gales na história da Eurocopa, contra a Eslováquia. Um lance que poderia muito bem ter acontecido pelo Arsenal.

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Robson-Kanu não está acostumado a fazer gols. Desde que foi integrado ao time principal do Reading, no começo da temporada 2009/2010, foi às redes apenas 30 vezes em 228 jogos pelo time que defendeu por 15 anos até o fim da última segunda divisão inglesa. Gostaria de voltar com a equipe para a elite, que disputou em 2012/13, mas, depois de duas campanhas muito ruins na Championship (19º e 17º lugar), perdeu a paciência. Está sem contrato no momento e afirmou conversar com diversos clubes, inclusive da Premier League. Colocou as negociações em modo de espera para poder se concentrar na Eurocopa.

O jogador de 27 anos não é um centroavante, nem um artilheiro. Atua pelos lados no Reading, mas aceitou fazer uma função diferente na seleção de Chris Coleman. No comando do ataque, sua principal missão é arrastar a defesa com a sua movimentação, abrindo espaços para Bale e Ramsey brilharem. Altruísta, o gol na vitória por 2 a 1 sobre os eslovacos foi apenas o seu terceiro com a camisa do País de Gales.

Os torcedores galeses reconhecem a sua importância para a equipe, tanto que cantaram uma música com o seu nome várias vezes durante o empate sem gols com Israel, pelas Eliminatórias da Eurocopa, que praticamente selou a vaga de País de Gales no torneio francês. Usam o ritmo da música de hip-hop “Push It”, da banda americana Salt-N-Pepa. “Hal (seu apelido)…Robson…Hal Robson-Kanu”.

Robson-Kanu é uma cria das categorias de base do Arsenal, pela qual jogou entre os 10 e os 15 anos até ser dispensado. “Eu fui embora porque não achavam que eu era grande o suficiente ou forte o suficiente”, afirmou, ao Wales Online, antes de reencontrar os Gunners, na semifinal da Copa da Inglaterra de 2015. O então diretor das categorias de base do Reading, Brendan Rodgers, contratou o jovem garoto. Anos depois, quando se tornou treinador do clube, o norte-irlandês ajudou na sua integração ao time principal. “Quando as pessoas não acreditam em você, você tem que acreditar em si mesmo, e foi o que eu fiz”, completou.

O atacante nasceu no oeste de Londres e defendeu a seleção inglesa nas categorias de base do sub-19 e do sub-20. Mas decidiu-se pelo País de Gales por causa da sua avó galesa. Seu pai foi vigário da importante igreja St. Mary Abbots, próximo ao palácio real de Kensington, e sua juventude foi preenchida com a presença de dignitários. Conheceu o Papa, a princesa Diana e brincou com as filhas de Mick Jagger. “(Um dia) O Rei da Jordânia pediu aos guardas que nos fizessem ficar quietos, mas minha avó disse: ‘Não. São crianças. Estão brincando’”, contou ao The Times.

Sua estreia pela seleção galesa aconteceu em 2010 e a decisão vem valendo a pena. Tornou-se um dos principais jogadores do time na campanha história da Eliminatórias da Eurocopa e foi responsável pelo gol da primeira vitória de País de Gales no torneio continental europeu em todos os tempos. Dois feitos que nem Mick Jagger e nem o Papa podem dizer que já alcançaram.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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