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Quando o vocalista do AC/DC quase se tornou dirigente do Newcastle

A notícia mexeu com o mundo do rock nos últimos dias. Após muitos rumores, o AC/DC confirmou que Axl Rose assumirá os vocais da banda para o restante da atual turnê – uma novidade que não foi lá tão bem recebida assim por boa parte dos fãs. O cantor dos Guns n’ Roses assume o microfone no lugar de Brian Johnson, na banda há 36 anos. No entanto, a saída do inglês é mais do que compreensível: ele corria o risco de perder a audição se continuasse nos palcos. Para cuidar de sua saúde, pediu o afastamento.

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Na voz de Brian Johnson, alguns dos maiores clássicos do AC/DC se eternizaram. O substituto de Bon Scott, falecido em 1980, chegou em seus primeiros meses dando voz a Hells Bells, Back in Black e You Shook Me All Night Long. Depois, também gravou hits como For Those About Rock, Thunderstruck e Are You Ready. Fama que o evidenciou como um orgulho entre os torcedores do Newcastle. Afinal, se os Magpies são conhecidos por seu fanatismo, com o vocalista não é muito diferente.

Nascido na região de Newcastle, Brian Johnson liderava antes uma banda chamada Geordie – justamente o gentílico usado na região, referência ao dialeto local, e que muitas vezes também se aplica como um apelido aos próprios torcedores do Newcastle. E sua ida ao novo grupo permitiu que usasse as suas origens como uma bandeira. Não é difícil encontrar imagens do cantor usando a camisa do Newcastle em cima do palco. Em 2005, inclusive fez uma ponta no filme “Goal!”, entre os torcedores que acompanham a carreira de Santiago Muñez.

Só que a história mais surreal envolvendo Brian Johnson e o Newcastle aconteceu na década de 1980, pouco depois de sua entrada no AC/DC. O cantor quase se tornou membro da diretoria dos Magpies. Foi convidado para conhecer os bastidores do clube na companhia de Jackie Milburn, considerado um dos maiores jogadores alvinegros de todos os tempos. Tudo, porém, não passava de um golpe dos dirigentes que queriam se aproveitar da ascensão do torcedor como estrela da música.

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“Havia um tanto de farsa naquilo. Aconteceu entre 1981 e 1982. Jackie era um homem maravilhoso e estava realmente preocupado com a fase do clube. Ele me levou para ver o comitê, a diretoria e disse que me via entre eles. Fiquei muito animado com aquilo. No entanto, depois nós percebemos que os dirigentes queriam que eu colocasse 500 mil libras no clube, uma fortuna. Assim, me fariam membro honorário, sem poder tomar decisões ou dar opiniões. Percebi que era apenas uma investida de homens gananciosos que queriam mais dinheiro de algum astro qualquer só por causa de seu amor pelo clube”, declarou, em entrevista à Absolute Radio. Na época, Johnson se tornou amigo de Kevin Keegan, craque da equipe quando já estava no fim da carreira.

Se a visão mesquinha dos dirigentes era um problema na década de 1980, não mudou tanto assim hoje em dia, com o presidente Mike Ashley sendo motivo de seguidos protestos. Diante da licença de Brian Johnson, certamente muitos torcedores gostariam de ver um apaixonado como ele participando da diretoria. Até porque os Magpies necessitam urgentemente de uma reconstrução, brigando outra vez para não serem rebaixados na Premier League.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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