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Quando o Southampton surpreendeu o Manchester United em Wembley: A final da FA Cup de 1976

Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

Adversários na decisão da Copa da Liga neste domingo, Manchester United e Southampton voltam a se enfrentar numa final de taça em Wembley depois de 41 anos. Em 1976, num momento em que ensaiavam suas reconstruções, cada qual à sua maneira, os dois clubes fizeram a final da FA Cup no palco principal do futebol britânico. Se hoje apenas cinco posições os separam na classificação da Premier League, naquela época o United era o franco favorito já que os Saints estavam na segunda divisão. Porém prevaleceu a surpresa, com a vitória histórica dos azarões por 1 a 0.

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Quando entraram no gramado de Wembley naquela tarde quente de 1º de maio de 1976, Manchester United e Southampton tinham alguns pontos em comum, embora vivessem realidades distintas. Os dois clubes haviam sido rebaixados na mesma temporada 1973/74, mas enquanto o Manchester United conseguira retornar à elite na primeira tentativa até com certa facilidade, como campeão da segunda divisão, o Southampton havia feito campanha modesta, terminando na 13ª colocação.

Outra semelhança entre os dois é que, mesmo com a queda, seguiram apostando no trabalho de seus treinadores. O United manteve o escocês Tommy Docherty (que havia deixado o comando da seleção de seu país para assumir o desafio dos Red Devils em dezembro de 1972), disposto a continuar o trabalho de rejuvenescimento de um elenco marcado pelo ocaso dos velhos ídolos, fosse por afastamento (como George Best) ou por aposentadoria (como Bobby Charlton).

Já os Saints mantiveram Lawrie McMenemy, um gigante de 1,93 metro, carismático e ambicioso, que iniciara a carreira de treinador aos 25 anos depois de tentar sem sucesso a de jogador na base do Newcastle e no pequeno Gateshead. Tinha chegado ao clube no início da temporada da queda como auxiliar técnico do veterano Ted Bates, então há 18 anos no cargo. Mas a partir de novembro de 1973 os papeis foram invertidos.

Os elencos

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Em sua temporada de retorno à elite, o United chegou a ocupar a liderança em alguns momentos, até se instalar confortavelmente na terceira posição na reta final, atrás dos pretendentes ao título, o Liverpool e um surpreendente Queens Park Rangers.

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No elenco renovado, despontavam nomes como o zagueiro Brian Greenhoff, o volante irlandês Gerry Daly (ambos de 22 anos), o meia norte-irlandês Sammy McIlroy, o ponta-esquerda Gordon Hill (ambos de 21) e o mais celebrado, o ponta-direita Steve Coppell, de apenas 20 anos (sem falar no meia norte-irlandês Dave McCreery, reserva utilizado na final e ainda mais jovem, com 18 anos de idade). Aos novos garotos se juntavam nomes mais experientes, como o veterano goleiro Alex Stepney e os escoceses Martin Buchan e Lou Macari, entre outros.

O Southampton, por outro lado, vinha cumprindo mais uma campanha discreta na segunda divisão, chegando a ocupar uma modesta 12ª posição no fim de novembro. Reagiu nas rodadas finais e encostou na zona de promoção, mas sofreu duas derrotas fora de casa para o Plymouth e o Bristol Rovers, fatais a suas pretensões de acesso, terminando na quinta colocação.

Diferentemente do United, os Saints tinham a base de sua equipe formada por atletas já bastante rodados. Lateral-direito e capitão, o galês Peter Rodrigues tinha 32 anos e uma longa carreira desenvolvida no Cardiff, no Leicester e no Sheffield Wednesday. Mel Blyth, zagueiro central ex-Crystal Palace, tinha 31. Na frente, havia o trio formado pelos atacantes Mick Channon (27 anos) e Peter Osgood (29), mais o meia-armador escocês Jim McCalliog (também 29).

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Channon foi um dos maiores ídolos da história do clube e um dos principais jogadores do futebol inglês dos anos 70, colecionando 46 partidas e 21 gols pela seleção entre 1972 e 1977, mesmo com o Southampton na segunda divisão. Atacante raçudo e driblador, foi um dos símbolos de craques rebeldes do período. Osgood, por sua vez um nome histórico do Chelsea, também tinha reputação de jogador com gosto pela vida noturna e pela badalação. Centroavante altamente técnico, esteve na Copa do Mundo de 1970 e levou os Blues ao título da FA Cup naquele ano e da Recopa europeia na temporada seguinte.

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Assim como Osgood, McCalliog também já havia atuado em Wembley, com lembranças doces e amargas. Dez anos antes de pisar o gramado do lendário estádio vestindo a camisa do Southampton, havia disputado a final da mesma FA Cup jogando pelo Sheffield Wednesday, perdendo para o Everton de virada por 3 a 2, depois de abrir 2 a 0, numa das decisões mais lembradas da história da competição. No ano seguinte, porém, em sua partida de estreia pela seleção escocesa, ficaria marcado como o autor do terceiro gol na famosa vitória da Escócia sobre a Inglaterra campeã do mundo por 3 a 2 no lendário palco londrino.

A trajetória na Copa

Para chegar às fases decisivas da FA Cup, o Southampton havia começado seu caminho surpreendendo o Aston Villa, eliminado na prorrogação do ‘replay’ no Villa Park. Depois batera o Blackpool de primeira e goleara o West Bromwich, também no jogo desempate. E nas quartas de final, derrotara o Bradford fora de casa por 1 a 0 com um gol antológico em cobrança de falta ao estilo “futebol de praia”, com Peter Osgood levantando a bola para o chute de Jim McCalliog.

O United, por sua vez, despachara o Oxford e o Peterborough em Old Trafford, seguidos pelo Leicester em Filbert Street. Nas quartas, avançara após um duelo difícil contra o Wolverhampton, empatado em 1 a 1 em Manchester e vencido por um dramático 3 a 2 no Molineaux. Nas semifinais, em campo neutro, os Red Devils liquidaram o Derby County em Hillsborough (2 a 0) com dois gols do ponta-esquerda Gordon Hill. Enquanto isso, o Southampton encarava o Crystal Palace, a sensação da copa.

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Então na terceira divisão, a equipe londrina dirigida pelo folclórico Malcolm Allison já havia derrubado Leeds, Chelsea e Sunderland – sempre como visitante – nas fases anteriores. Seu atacante Peter Taylor vivia fase tão boa que chegaria a ser convocado para a seleção (apenas o segundo jogador de terceira divisão na história a ser chamado). Mas no retorno a Stamford Bridge, local da semifinal, seu sonho de ir a Wembley seria interrompido pelo Southampton, vencedor por 2 a 0.

Naquela final, no entanto, o Manchester United era o favorito destacado. As casas de apostas, tradicionais “instituições” britânicas, chegavam a pagar 100 para 1 em caso de vitória do Southampton. Aos Saints, restava a esperança de repetir a zebra de três anos antes, quando o Sunderland derrotou o poderoso Leeds e se tornou o primeiro clube da segunda divisão a levantar a FA Cup desde o West Bromwich Albion em 1931.

O jogo

O desenho tático do Manchester United para aquela decisão era simples. Na linha de quatro à frente do goleiro Alex Stepney, os escoceses Alex Forsyth e Stewart Houston eram os laterais. Apesar de competentes ofensivamente, não apoiavam com tanta frequência já que a equipe atuava com pontas bem abertos. Pelo centro da defesa, a dupla formada por Brian Greenhoff e o capitão escocês Martin Buchan era sólida, em especial pelo alto.

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O dínamo do meio-campo era o irlandês Gerry Daly. Fechava a boca da área e saía em velocidade com a bola dominada, tendo duas opções de passe. Pelos lados, com os pontas Steve Coppell e Gordon Hill, velozes e habilidosos, ou pelo meio. No centro do setor havia o meia-armador Sammy McIlroy, que gostava de se projetar ao ataque, e o ponta-de-lança Lou Macari, que jogava mais encostado no centroavante, mas costumava recuar para ajudar na criação. No ataque, a referência era o camisa 9 Stuart Pearson.

O Southampton ousou mais na formação tática da decisão. Repetia à linha de quatro à frente do goleiro Ian Turner formada pelos laterais Peter Rodrigues e David Peach e os centrais Mel Blyth e Jim Steele. Do meio para a frente é que começavam as mudanças. Para dobrar a marcação sobre os pontas do United, o técnico McMenemy posicionou o volante Nick Holmes aberto pelo lado esquerdo, com o meia-direita Paul Gilchrist fazendo o mesmo trabalho pelo outro lado (embora um pouco adiantado). Bem no meio ficava o armador Jim McCalliog, responsável pela distribuição do jogo com passes curtos, longos e lançamentos.

McCalliog era na verdade o vértice mais recuado de um losango ofensivo formado pelo quarteto de frente do Southampton. O homem mais à frente era Peter Osgood. Centroavante com presença de área, às vezes também recuava para puxar a marcação, abrindo espaço para os dois homens que vinham de trás, Mick Channon e Bobby Stokes (este, mais pela esquerda). A ressalva em relação a Channon é que, apesar do esquema, ele tinha total liberdade para flutuar por todo o ataque.

Quando a bola rolou, o domínio inicial foi do United, que criou duas chances reais de gol logo nos primeiros cinco minutos num chute cruzado de Macari e numa finalização de virada de Pearson, com Ian Turner – que agarrava sem luvas – defendendo também o rebote aos pés de McIlroy. Turner também salvou uma oportunidade em que Gordon Hill entrou sozinho, num cochilo da linha de impedimento malfeita pela defesa dos Saints aos 12 minutos. E voltou a entrar em ação aos 26, detendo com os pés uma finalização de Gerry Daly da entrada da área.

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Stepney no gol do Manchester United também usaria os pés para evitar a primeira grande chance do Southampton, com Channon recebendo lançamento de McCalliog e batendo rasteiro, sem conseguir abrir o placar. A resposta do United veio no último lance da primeira etapa: Forsyth cobrou falta na ponta direita, Turner subiu para espalmar, mas o rebote caiu nos pés de Gordon Hill, que chutou forte. A bola só não entrou porque no meio do caminho, na linha da pequena área, apareceram as pernas de Holmes bloqueando a chance.

Embora o Southampton já tivesse nivelado as ações desde a parte final da primeira etapa, as primeiras grandes chances da etapa final ainda foram do United. Aos sete minutos, Coppell desceu pela direita e serviu Pearson na área, mas o centroavante chutou alto, muito longe do gol. E aos 13, oportunidade mais clara de gol para os Red Devils em todo o jogo: Gordon Hill cobrou escanteio fechado, Pearson desviou na primeira trave e McIlroy, no outro canto, quase em cima da linha, cabeceou no travessão.

Em seguida, o Southampton assustou em dois lances. No primeiro, Channon driblou vários adversários a partir da esquerda e achou Peter Rodrigues desmarcado no lado oposto. O capitão recebeu o lançamento e tentou bater de primeira, mas a finalização fez a curva errada, passando longe do gol. Depois, aos 20, Stokes puxou contragolpe pelo meio e soltou para Channon, aberto pela direita. O atacante encarou a marcação, tabelou com McCalliog, cortou para dentro e soltou uma bomba, passando um pouco acima do travessão de Stepney.

Na metade final do segundo tempo, depois de cozinhar a pressão do United, o Southampton já era a equipe mais presente no ataque. Com os Red Devils já aparentando cansaço e falta de ideias ofensivas, Tommy Docherty tentou uma alteração tática trocando o ponta Gordon Hill pelo dinâmico meia Dave McCreery, dando a ele a liberdade para flutuar pelos lados. Chegou a abrir McIlroy um pouco mais pela esquerda para poder dialogar com o jovem que acabara de entrar.

Mas o Southampton continuou comandando as ações. Stokes assustou em dois bonitos chutes de fora da área aos 28 e aos 32. E, entre eles, houve outra boa chance quando McCalliog recebeu um passe interceptado na intermediária defensiva dos Saints e lançou Channon. O atacante brigou com os zagueiros e serviu Osgood, que passava pelo centro. O camisa 9 se livrou de Buchan e Greenhoff e bateu rasteiro, com perigo, para a defesa de Stepney.

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Até que vem o lance que decidiu o título. Aos 38, depois de um chute de longa distância sem pontaria de Greenhoff, Turner recolhe a bola e bate o tiro de meta com um balão para o alto. Na linha central Gilchrist e Macari sobem, mas não alcançam a bola, que sobra para Channon. Mesmo desequilibrado, o atacante consegue servir McCalliog, que lança da intermediária ofensiva, também de primeira, para Stokes, surgindo por trás da defesa do United. O camisa 11 aguarda a bola quicar e chuta cruzado e meio torto. A finalização não pega em cheio, mas, talvez exatamente por isso, a bola foge do alcance de Stepney e entra rasteira no canto oposto.

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No desespero, o United ainda tem uma boa chance num lançamento para Daly na área, mas Turner sai a seus pés e abafa o lance. Nos minutos finais, os torcedores do Southampton, em êxtase, começaram a cantar “You’ll Never Walk Alone”. Hoje identificada estritamente com a torcida do Liverpool, a canção era na época entoada por todas elas quando na iminência de uma conquista, como se fosse um “Tá Chegando A Hora”.

O Southampton segurou o resultado nos minutos finais sem tanta dificuldade, diante de um United extenuado e, ao apito final de Clive Thomas, a festa dos azarões tomou conta do gramado. O capitão Peter Rodrigues subiu devagar as escadarias até a tribuna do estádio e recebeu a taça das mãos da Rainha Elizabeth. Os Saints faziam história.

Após a decisão

O título da FA Cup levou o Southampton à Recopa europeia. Na primeira fase, um sorteio indigesto colocou os Saints frente a frente com o Olympique de Marselha do zagueiro Marius Trésor e dos argentinos Beto Alonso e Héctor Yazalde, mas a classificação veio com menos dificuldade do que o esperado e com direito a goleada por 4 a 0 em casa, perdendo na volta no Vélodrome por apenas 2 a 1. Na fase seguinte, duas vitórias tranquilas sobre o Carrick Rangers, da Irlanda do Norte, por 5 a 2 e 4 a 1.

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O sonho da taça continental terminaria nas quartas de final diante da forte equipe do Anderlecht, então atual vencedora da competição: depois de perder para os belgas por 2 a 0 em Bruxelas, o Southampton chegou a devolver o placar com gols de Peach e de Ted MacDougall, mas sofreu um de François Van Der Elst a sete minutos do fim, quando a partida parecia destinada à prorrogação.

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Ainda sob o comando de McMenemy, os Saints conquistariam enfim o retorno à elite na temporada 1977/78, iniciando o período mais duradouro do clube na primeira divisão inglesa (onde permaneceriam até 2005). Em março de 1979 voltariam a Wembley para a final da Copa da Liga, perdida para o Nottingham Forest num jogo movimentado (3 a 2). No verão europeu de 1980 concretizariam a transferência mais bombástica do futebol inglês da época, ao repatriar o atacante Kevin Keegan – eleito o melhor jogador do continente em 1978 e 1979 – após três anos no Hamburgo.

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Na temporada 1981/82 (a segunda e última com Keegan), chegariam a ocupar a liderança da liga por várias rodadas. E em 1983/84, com Peter Shilton no gol, seriam vice-campeões, a melhor colocação da história do clube (ainda que obtida em grande parte graças aos tropeços dos adversários na reta final, enquanto os Saints corriam por fora, sem chegar a brigar pelo título em nenhum momento).

Lawrie McMenemy sairia do clube ao final da temporada seguinte, deixando a equipe em um bom quinto lugar, com destino ao recém-rebaixado Sunderland. Em 1993, após uma passagem como auxiliar de Graham Taylor na seleção inglesa, retornaria ao clube como diretor de futebol, permanecendo até 1997.

Bobby Stokes, o herói do gol do título, curiosamente trocaria o Southampton pelo rival Portsmouth após a temporada seguinte. Em 1978, seguindo o exemplo de vários jogadores britânicos da época, cruzaria o Atlântico para atuar na NASL, a liga norte-americana, defendendo o Washington Diplomats ao lado de ninguém menos que Johan Cruyff. Depois de encerrar a carreira, abrir um pub e se envolver com corridas de cavalos, Stokes faleceria em maio de 1995, vitimado por uma pneumonia aos 44 anos. Ganharia homenagens do clube, entre elas batizando uma das arquibancadas do velho estádio The Dell.

Na recepção dos torcedores do United em Manchester após a derrota, Tommy Docherty, ainda um tanto chateado, prometeu a eles que o time voltaria a Wembley na temporada seguinte. Dito e feito. Em maio de 1977, o time estaria novamente na final da FA Cup, derrotando o Liverpool por 2 a 1, impedindo a inédita “tríplice coroa” dos Reds, que haviam conquistado a liga e estavam a caminho de seu primeiro título na Copa dos Campeões.

Em julho daquele ano, no entanto, Docherty seria demitido do comando da equipe por um motivo um tanto insólito: foi descoberto que o treinador vivia um caso extraconjugal com a esposa de um dos fisioterapeutas do clube. Para seu lugar viria Dave Sexton, do Queens Park Rangers, que permaneceria quatro temporadas no cargo, sem conquistar títulos. “Doc”, por sua vez, iria para o Derby County e depois para o próprio QPR, antes de migrar para o futebol australiano em 1981. Encerraria a carreira em 1988, no pequeno Altrincham, da “non-league”.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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