Premier League

O Liverpool finalmente contratou um zagueiro: Van Dijk não resolve, mas ajuda bastante

O Liverpool tinha três alvos principais no último mercado europeu e, no fim, conseguiu contratar os três. Deu um tiro certeiro com Mohamed Salah, assegurou Naby Keita para a próxima temporada e, nesta quarta-feira, anunciou que o zagueiro Virgil van Dijk chegará a Anfield na próxima semana. O holandês chega para o setor do time que mais precisava de melhoras e, por mais que não seja a panaceia que resolverá todos os problemas, ajuda bastante o técnico Jürgen Klopp.

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A abordagem de Klopp com a defesa não apenas beirou a teimosia, como a deixou comendo poeira. No começo de agosto, já estava bem claro que o Southampton não cederia – pelo menos imediatamente, tentando mandar uma mensagem de que o St. Marys não é a casa da mãe Joana – à rebelião de Van Dijk, e, mesmo assim, o treinador alemão se recusou a buscar alternativas. Chegou a dizer, naquele momento, que no mundo não havia cinco zagueiros melhores do que os do Liverpool.

Os zagueiros do Liverpool eram, e continuam sendo até Van Dijk chegar, Matip, Lovren, Klavan e Joe Gomez, o que dá à declaração de Klopp ares de exagero – ou de absurdo. A estratégia do treinador provavelmente foi dar moral para os seus jogadores, o que ele faz frequentemente, sabendo que uma hora o Southampton desistiria de manter em seus quadros um jogador que queria estar em outro lugar, em vez de contratar a segunda opção da sua lista. No fim, deu certo, mas o preço foram seis meses em que o Liverpool continuou sofrendo com problemas defensivos que poderiam ter sido minimizados com outros reforços.

Especialmente porque Van Dijk não resolve todos os problemas. É uma aquisição interessante: forte, rápido, bom cabeceador. Certamente eleva o nível do setor. Mas ainda há lacunas. Há espaço para mais um zagueiro, mais jovem e barato, para concorrer com Matip, imaginando que atualmente a dupla ideal conta com o camaronês e o holandês. Apesar da ligeira melhora de Alberto Moreno e das boas atuações recentes de Andy Robertson, a lateral esquerda pode ser melhorada.  O gol talvez seja a posição mais crítica. Mignolet e Karius têm níveis parecidos, erram com frequência superior ao que é permitido no nível a que o Liverpool deseja chegar e não inspiram confiança. São brechas de elenco que já poderiam ter sido resolvidas em agosto, mas que Klopp não considera emergenciais.

Os problemas defensivos do Liverpool têm duas fontes: o coletivo e o individual. O estilo que Klopp colocou no seu time implica uma defesa aberta, linhas altas e um ritmo alucinante que favorece a troca de ataques entre as duas equipes. Ele precisa buscar um equilíbrio maior nesse aspecto. Mas, enquanto isso, há os erros individuais dos jogadores, de tempo de bola, posicionamento, passe e, principalmente, concentração. Parece muito lógico que um jeito de minimizá-los é contratando jogadores melhores. Van Dijk pode falhar também, todo jogador de futebol falha, mas tende a ser mais seguro que seus novos companheiros.

Foi caro, porém. Muito caro. O Liverpool pagou £ 75 milhões pelos serviços do holandês, o que o torna o defensor mais caro da história, e o nono contando todas as posições – décimo, quando o PSG depositar a grana por Mbappé. Preço influenciado pelo manifesto desejo do clube comprador e a resistência do vendedor, além da inflação atual do mercado europeu, principalmente o inglês, e por ser uma transferência entre equipes que disputam a mesma liga. Fica difícil fugir muito desse tipo de quantia nesse cenário.

Em um comunicado, Van Dijk preencheu todas as caixinhas, dizendo estar feliz por se juntar a um dos maiores clubes do mundo, comemorando a oportunidade de vestir a “famosa camisa vermelha”, e com ansiedade para jogar diante da Kop, principal arquibancada de Anfield. Também agradeceu ao Southampton, “apesar dos últimos meses difíceis”. Van Dijk entregou pedido formal de transferência e chegou a treinar isolado do resto do elenco. Era sinal de que seria vendido imediatamente, mas a diretoria bateu o pé para que ficasse.

O Southampton não gostou da maneira como o Liverpool abordou a transferência no meio do ano, conversando com o jogador antes de acertar uma taxa com o clube. Ameaçou processar os Reds, que imediatamente recuaram, embora continuassem a monitorar o jogador. Os Saints, que tantos jogadores perderam nos últimos anos, muitos deles para o próprio Liverpool, também procuraram enviar a mensagem de que sabem fazer jogo duro. Com a cabeça no mundo da lua, Van Dijk atuou apenas 12 vezes na atual Premier League e não vinha fazendo grandes partidas. Mas, agora, finalmente conseguiu a transferência que tanto queria.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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