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Mendy oferece novo impulso ao City e representa a frutífera visão de mercado do Monaco

Entre as tantas perdas que  Monaco provavelmente enfrentaria na janela de transferências, a de Benjamin Mendy era uma das mais certas. O lateral foi cortejado por diversos clubes, sobretudo o Manchester City, embora as negociações se arrastassem. Os monegascos fizeram jogo duro para não perder o seu talento de maneira tão simples, e a contratação de Kyle Walker colocou um elemento a mais na mesa de negociação. Assim, nesta segunda-feira, o anúncio oficial aconteceu. O francês assinou por cinco temporadas, em valor estimado de €57,5 milhões, tornando-se o defensor mais caro da história. Já está nos Estados Unidos, onde o elenco de Pep Guardiola realiza pré-temporada.

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“Estou absolutamente maravilhado por me juntar ao Manchester City. Eles são um dos melhores clubes da Europa e Guardiola é um técnico comprometido em jogar um futebol ofensivo. Estou certo que os próximos anos serão bem-sucedidos”, declarou Mendy, durante sua apresentação pelo Manchester City. O francês usará a camisa 22 no novo clube.

Revelado pelo Le Havre, Mendy se firmou como uma das principais revelações do futebol francês a partir de sua chegada ao Olympique de Marseille, em 2013. Foram três temporadas como titular no Estádio Vélodrome, virando um dos pupilos favoritos de Marcelo Bielsa e aparecendo também nas seleções de base. A ascensão levou o Monaco a pagar €13 milhões em sua compra. E a temporada solitária no Estádio Louis II foi suficiente para elevar o jovem de 23 anos a um novo patamar, entre os melhores laterais da Europa.

As qualidade de Mendy ficaram evidentes nos meses históricos vividos pelo Monaco. O lateral foi parte essencial no sucesso da equipe de Leonardo Jardim, especialmente pela ótima fase que atravessou na metade final da temporada. Oferece muita potência física, tanto na defesa quanto no ataque. Além disso, contribui bastante com suas constantes subidas à linha de fundo. Distribuiu assistências na conquista da Ligue 1 e também na campanha até as semifinais da Liga dos Campeões. Suas combinações com Thomas Lemar, pelo lado esquerdo do campo, eram uma das principais válvulas de escape dos alvirrubros. No mesmo período, ganhou suas primeiras convocações à seleção adulta.

O Monaco perde um jogador importante, mas não pode reclamar da sorte. Quadruplicou o valor pago inicialmente por Mendy e abre possibilidades no mercado, embora a reposição já esteja no elenco. Terence Kongolo, de 23 anos, foi um dos destaques do Feyenoord na conquista do último Campeonato Holandês e veio por €15 milhões. É um jogador de muita potência física e consistência defensiva, que mantendo as características do antecessor. Além disso, ainda há Andrea Raggi e Djibril Sidibé, que podem ser adaptados na posição. Lateral de origem, Jorge também tem a grande chance de se firmar, ainda que Leonardo Jardim indique que vá utilizá-lo com maior frequência no meio-campo, ao menos por suas participações durante os últimos meses.

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Por outro lado, o Manchester City parece completar o seu quadro principal de laterais, após ter fechado com Kyle Walker e Danilo nos últimos dias. O setor sofreu uma limpa completa durante esta janela, com as saídas dos quatro nomes que o ocupavam – Pablo Zabaleta, Bacary Sagna, Gaël Clichy e Aleksandar Kolarov. Não é de se duvidar que mais um ou outro novo contratado chegue para dar profundidade ao elenco, mas sem o peso do trio. De opções envelhecidas e em declínio técnico, Guardiola ganha muita força. Não será surpreendente se as laterais se transformarem em um dos trunfos da equipe nos próximos meses.

E, olhando para os dois lados da moeda, é interessante notar o contraste enorme entre os dois clubes nesta janela de transferências. O Manchester City gasta bastante para se renovar, após uma temporada abaixo do esperado. Já são €240 milhões em compras. E quase metade desta valor foi justamente ao Monaco, que vendeu Mendy e Bernardo Silva. Os alvirrubros já embolsaram €167 milhões na janela e não cometem loucuras, mantendo as apostas na reposição. Tudo bem que três titulares já saíram e a concorrência, sobretudo o Paris Saint-Germain, vem babando para recuperar o terreno perdido. Contudo, foi essa política com os pés no chão e de olhar atento sobre os jovens talentos que levou os monegascos tão longe em 2016/17. Que os ajudou a eliminarem o próprio Manchester City na Champions, o adversário que agora gasta muito para levar os destaques dos algozes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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