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Liverpool, 125 anos: The Kop, a arquibancada que nunca deixou o clube caminhar sozinho

Há uma montanha na África do Sul, com aproximadamente 1,4 kms de altura, chamada Spion Kop. Em tradução livre, a Montanha dos Espiões. Fica a mais de 350 kms ao sudeste de Joanesburgo e foi palco de uma batalha do exército britânico na Segunda Guerra Boer. Na tentativa de liberar a cidade de Ladysmith, 40 kms ao leste, das mãos dos adversários, o exército britânico marchou em direção à colina, na noite do dia 23 de janeiro de 1900. Mais de 1,500 homens, próximo a 1,700, a maioria de Lancashire, condado do noroeste da Inglaterra, levaram as suas baionetas. Mais da metade nunca retornou.

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Houve um erro estratégico por parte do exército britânico. Uma breve luta, na manhã do dia seguinte, afastou os primeiros bôeres e, confiantes, os soldados começaram a cavar trincheiras onde eles acreditavam ser um local seguro. No entanto, não havia sido realizado um trabalho impecável de reconhecimento do terreno de batalha. Mais à frente, havia picos mais altos – Aloe Knoll e Twin Peaks, por exemplo – onde os bôeres aguardavam. Os britânicos ficaram encurralados dentro dos buracos que eles mesmo cavaram. Sem comida, sem água e sem munição. Eventualmente, os generais ordenaram a retirada.

Os números variam, mas se estima que quase 400 soldados da Coroa foram mortos, mil foram feridos e outros 300 desapareceram, provavelmente tomados como prisioneiros. Depois da batalha, um jornalista do London Morning Post, que atendia pelo nome de Winston Churchill, visitou o local e descreveu o que viu desta maneira: “Corpos jazem aqui e ali. Muitas das feridas eram horríveis. As rasas trincheiras foram sufocadas com mortos e feridos”.

Seis anos e três meses depois, o Liverpool venceu o Sheffield United, por 3 a 1, e fechou a campanha do seu segundo título nacional, com quatro pontos de vantagem em relação ao Preston North End. A ambiciosa diretoria vermelha achou que era a hora de ter uma casa mais aconchegante. Reformou Anfield Road e construiu uma nova arquibancada no lado da rua Walton Breck, atrás de um dos gols. Inaugurou-a em 1º de setembro de 1906, em uma vitória por 1 a 0 sobre o Stoke City. Joe Hewitt foi o autor do único gol da partida e o primeiro diante daquela que seria uma das arquibancadas mais famosas do futebol europeu.

No começo, era um verdadeiro sacrifício assistir a jogos de futebol nela. Em dias chuvosos e frios, o vento partia do rio Mersey, atravessava Stanley Park, que separa Anfield do Goodison Park, e arrebatava os nervos daqueles que se atreviam a pagar para ver o Liverpool. Até a construção de um teto, em 1928, que também ajudou com a acústica. De repente, além de cem degraus para abrigar aproximadamente 25 mil pessoas, a nova arquibancada também era capaz de produzir um som estrondoso. Faltava apenas o nome, mas o editor do Liverpool Daily Post and Echo, Ernest Jones, cuidou disso. Decidiu homenagear os homens de Lancashire, condado próximo a Liverpool, que morreram na Guerra Boer. Decidiu chamá-la de Spion Kop.

Não seria a primeira arquibancada a levar este nome – o Manor Ground, usado pelo Arsenal naquela época, já tinha uma -, mas seria a mais famosa de todas. Se a alma do Liverpool é sua torcida, a alma da torcida é a Spion Kop.

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Stephen F. Kelly, autor do livro The Kop: Liverpool’s Twelfth Man, tentou traçar as origens da cantoria anárquica da Spion Kop. A melhor explicação que encontrou foi uma fórmula simples: o sucesso do Liverpool nos anos sessenta combinado com o mais puro tédio. Como o time de futebol brilhava sob o comando de Bill Shankly, as pessoas precisavam chegar horas antes do apito inicial. Como não tinham nada para fazer, começavam a cantar as músicas que tocavam nos alto-falantes – Anfield foi um dos primeiros estádios ingleses a ter um DJ -, geralmente os dez maiores hits do momento, do décimo ao primeiro, em uma espécie de contagem regressiva até a bola rolar. Sabem qual banda da cidade mandava bem nos anos sessenta? Um quarteto formado por John, Paul, George e Ringo.

Outra música que entrou nas paradas de sucesso daquela época foi uma versão de uma canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para um musical da Broadway, chamado Carousel. Na peça, quem a entoava era um personagem chamado Nettie Fowler, primo da protagonista, porque o que seria do futebol sem suas maravilhosas coincidências? A banda liverpuldiana Gerry and the Pacemakers gravou-a para um dos seus discos, depois de convencer o gerente Brian Epstein e o produtor George Martin, colaboradores dos Beatles, que achavam-na “lenta demais”. Em 13 de outubro de 1963, ela estreou no top 10 e, portanto, seria tocada em Anfield no jogo seguinte. Seis dias depois, o Liverpool venceu o West Brom, por 1 a 0, gol de Gordon Milne. Esta partida, da campanha do primeiro título inglês dos Reds desde 1945, e o primeiro depois do rebaixamento, foi provavelmente a primeira vez que a Kop cantou You’ll Never Walk Alone.

A música passou quatro semanas na primeira posição e nove no top 10. O sucesso levou a banda Gerry and the Pacemakers a se apresentar no famoso Ed Sullivan Show, onde, por acaso, os Beatles lançaram-se mundialmente. O Liverpool estava em turnê nos Estados Unidos e os jogadores foram ao estúdio acompanhar o show. “Eu disse ao Ed: vamos chamar os rapazes para o palco e vamos todos cantar You’ll Never Walk Alone. Cantamos a música para 66 milhões de pessoas ao redor dos Estados Unidos”, disse Gerry Marsden, o líder da banda, ao site oficial do clube. Ao sair do palco, foi abordado por Bill Shankly: “Gerry, meu filho, eu lhes dei um time de futebol, e você nos deu uma música”.

You’ll Never Walk Alone transcendeu as paradas britânicas e se firmou como um hino da torcida do Liverpool, a ponto de ser incorporada ao escudo do clube e aos portões de Anfield. Mesmo depois de sair de moda, era pedida antes das partidas. A letra traduz como poucas a poderosa relação entre uma torcida e seu clube de futebol: “Vá em frente / Vá em frente / Com esperança no coração / E você nunca caminhará sozinho / Você nunca caminhará sozinho“.

Claro que as arquibancadas do Liverpool não inventaram a cantoria em estádios, mas havia algo diferente no barulho que emanava da Spion Kop, como relata Kelly, em seu livro:

“Havia uma tradição de canções comunitárias em Anfield, desde os anos do pós-Guerra, mas era algo geralmente organizado. Cantos comunitários em Wembley também eram uma tradição nacional; qualquer torcedor de futebol sabia que, depois de balançar o papel com as letras para as câmeras da televisão, você começaria a acompanhar o hino da final da Copa da Inglaterra, Abide with Me. Obviamente, havia também o Cardiff Arms Park (estádio de rúgbi em Gales), onde a cantoria do público foi elevada à forma de arte e a batalha de hinos de Land of my Fathers e Bread of Heaven era sempre capaz de derramar lágrimas e inspirava o time galês a alcançar glórias cada vez maiores. Mas o canto na Kop era diferente. Não era organizado. Não havia um maestro, um condutor, e as músicas eram as favoritas do povo na época”.

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Ninguém entendia a Kop como Bill Shankly. Os frequentadores da arquibancada e o lendário treinador do Liverpool compartilhavam princípios de vida, ideais políticos e uma paixão sem limites pelo clube e pelo futebol. Shankly, como boa parte da cidade, notoriamente trabalhista e anti-establishment, acreditava no coletivo, todos lutando por todos, linhas que conduziram seu trabalho com os jogadores e estabeleceram as bases que seguiram guiando o caminho da equipe ao longo das décadas incrivelmente bem sucedidas de setenta e oitenta.

Uma das centenas de frases atribuídas a Shankly diz que, quando a Kop cantava, gritava, vibrava e torcia, o Liverpool começava os jogos com um gol de vantagem. E contra a Internazionale de Helenio Herrera, na semifinal da Copa dos Campeões de 1965, a torcida realmente precisaria sugar algumas bolas para as redes, caso os Reds quisessem ter alguma chance. Detentor de todo esse conhecimento, Shankly armou um pequeno teatro para desestabilizar os italianos

Três dias antes da primeira partida, em Anfield, o Liverpool viajou a Londres para enfrentar o Leeds United, pela final da FA Cup. Havia uma pequena maldição: apesar de seis vezes campeão inglês, os Reds nunca haviam vencido a Copa da Inglaterra. Haviam sido derrotados nas decisões de 1914, pelo Burnley, e de 1950, pelo Arsenal. Mas a taça não escaparia naquela tarde em Wembley. Gerry Byrne, mesmo com a clavícula quebrada desde o terceiro minuto da peleja, deu assistência para Roger Hunt abrir o placar, no começo da prorrogação. Billy Bremmer empatou, e Ian St. John, quase no fim da partida, marcou o gol do título.

A comemoração em Wembley e na capital inglesa foi pesada como relata o torcedor Jim Hartley, frequentador da Kop, ao livro Bill Shankly: It’s Much More Important Than that: “Eu acho que a final da Copa levou o poder da Kop para a casa de todo mundo. As pessoas sabiam que se cantava em Anfield, mas ninguém havia percebido o quão incrível era até aquele jogo, quando milhões assistindo pela televisão tiveram suas primeiras experiências com o coral da Kop. Foi depois disso que os cantos realmente pegaram nos estádios de futebol. Todos os jornais falaram disso, e os comentaristas diziam que Wembley nunca havia ouvido algo parecido”.

O momento era o melhor possível para encarar a atual campeã europeia. Lotado, os portões para a Kop foram fechados com uma hora de antecedência. A torcida gritava que queria ver a taça da FA Cup, o que levou Bill Shankly a ter uma ideia: por que não enviar os lesionados Gerry Byrne, herói do título, e Gordon Milne carregando o troféu no gramado, antes do início da partida? Melhor: por que não fazer isso logo depois da subida do time dos vestiários, reforçando ainda mais a gritaria habitual de quando os torcedores avistam seus heróis? O barulho seria fenomenal e certamente atingiria os nervos dos italianos.

No entanto, para o plano funcionar, os jogadores da Inter precisariam estar no gramado antes do time do Liverpool. Shankly foi ao vestiário dos adversários e cordialmente convidou Helenio Herrera a ser o primeiro a subir ao campo de jogo. O técnico aceitou, retribuindo o que ele achou que fosse um ato de educação. “Eu pedi à Inter que saísse primeiro, mas eles continuaram enrolando no vestiário. Eu disse: ‘Está na hora de ir’, e eles eventualmente foram. Era exatamente o que eu queria, psicologicamente”, escreveu Shankly, em sua autobiografia. A Inter começou o aquecimento diante da Kop, apenas para ser recebida com uma avalanche de vaias. Decidiu continuar o bate-bola no outro lado do campo, quando as camisas vermelhas apareceram.

O capitão Ron Yeats liderou os jogadores ao gramado, motivando a primeira onda de sons ensurdecedores. Logo em seguida, apareceram Milne e Byrne com a taça, e aí Anfield veio abaixo. “Deus do céu, a erupção que aconteceu entre nossos torcedores quando eles viram a taça”, relatou Shankly. “O barulho era inacreditável. As pessoas estavam histéricas”. Ian Thompson, inspetor-chefe da polícia de Merseyside, trabalhou naquela partida e corroborou as impressões do técnico do Liverpool. “Quando a taça apareceu, eu juro que a terra estava vibrando. Nunca ouvi um barulho como aquele. A sua cabeça zumbia. Poderíamos ter vencido qualquer um naquela noite, até o Pelé e o Brasil”, disse, ao livro Bill Shankly: It’s Much More Important Than that.

Empurrados pela torcida, o Liverpool teve uma atuação de gala contra os assustados italianos. Hunt, Callaghan – em uma ótima cobrança de falta ensaiada – e St. John cancelaram o gol de Sandro Mazzola para dar aos Reds a vitória por 3 a 1. “Herrera veio nos ver duas ou três vezes, mas nunca havia nos visto jogar como naquela noite e nos deu os méritos depois da partida. ‘Nós já fomos batidos’, disse, ‘mas, esta noite, fomos derrotados'”, escreveu Shankly.

Uma semana depois, sem o apoio da torcida, o Liverpool perdeu por 3 a 0, em San Siro, e a Internazionale seguiu à decisão para ser bicampeã europeia, contra o Benfica.

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David Fairclough nasceu em Liverpool. Um daqueles garotos que crescem sonhando em defender um dos grandes da cidade. “Cresci nas sombras de Anfield e, como muitos garotos liverpuldianos, queria jogar pelo Liverpool, mas não achei que fosse acontecer”, afirmou. Estreou sob o comando de Bob Paisley, em 1975, e passou oito anos vestindo vermelho.

Atacante, o ruivo sofreu com a forte concorrência da época. Subiu para o time principal quando a dupla de ataque era formada por Kevin Keegan e John Toshack. Keegan foi embora, depois do título europeu de 1977, e foi substituído por Kenny Dalglish. A vida não ficou muito melhor para Fairclough, que atuou 154 vezes, durante esses oito anos, 62 vindo do banco de reservas. Passou outras 76 partidas sentadinho na linha lateral sem ver a cor da bola. Dos 55 gols que o fã de Roger Hunt marcou, 18 saíram quando ele entrou em campo no decorrer das partidas. Recebeu o apropriado apelido de Super-substituto.

Em 16 de março de 1977, o Liverpool recebeu o Saint-Étienne para o jogo de volta das quartas de final da Copa dos Campeões. Os franceses, tricampeões nacionais e atuais vices da Europa, haviam vencido a primeira partida por 1 a 0. Keegan abriu o placar, aos 2 minutos, mas Dominique Bathenay empatou, no começo da etapa final. Ray Kennedy deixou o time da casa precisando de mais um gol para chegar às semifinais.

A tensão crescia. A ansiedade era palpável entre os 55 mil espectadores que foram a Anfield naquela noite. Na metade do segundo tempo, Paisley trocou Toshack por David Fairclough. “Ele apenas fez com que eu me sentisse bem e simplesmente disse que esperava que eu tivesse uma chance. Disse: ‘Tente alguma coisa. Vamos ver se você consegue reverter isso aqui'”, afirmou Fairclough ao livro Quiet Genius: Bob Paisley, British Football’s Greatest Manager. O Super-substituto precisou de apenas uma chance: correu em busca de um belo lançamento de Kennedy, matou no peito e tocou na saída do goleiro. A bola morreu a centímetros do começo da Kop e, pelas imagens, parecia que os torcedores queriam agarrá-la.

A explosão das arquibancadas de Anfield foi mantida, com o mesmo nível de barulho, até o apito final, no que ainda é uma das noites mais memoráveis de futebol europeu que o estádio já viu. “Anfield delirava”, escreveu o site oficial do Liverpool. “Era – e talvez ainda seja – a maior atmosfera e momento específico que a Kop já testemunhou”.

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A Kop perdeu muitos irmãos na tragédia de Hillsborough. As cinzas de alguns dos 96 mortos durante aquela semifinal da FA Cup foram enterradas diante da arquibancada. Perdeu, também, a sua identidade. O relatório Taylor apresentou medidas de segurança para todos os estádios da primeira divisão inglesa, para evitar novos desastres, e uma delas atingiria o coração de Anfield: precisaram ser instaladas cadeiras na Kop, onde durante quase 90 anos todo mundo ficava em pé. O clube, por fim, decidiu demolir a arquibancada e construir uma nova.

Mesmo antes ser demolida, a Kop vinha definhando e perdendo força ao longo da década de oitenta. O sucesso sem precedentes do time de futebol causou certa complacência. A nova geração não havia passado pelo perrengue da segunda divisão ou dos primeiros anos da reconstrução. Estava acostumada com as vitórias e com os títulos e não sentia a necessidade de “sugar a bola para dentro das redes”, como dizia Shankly. Naquela época, o Liverpool mal era vazado dentro de casa e poucas vezes era derrotado.

Houve, junto com isso, uma mudança de perfil nos seus ocupantes. O Liverpool tornava-se cada vez mais nacional e atraía torcedores de todo o país, que queriam assistir a um time histórico em uma arquibancada histórica. O triângulo amoroso entre a Kop, a cidade e o time enfraqueceu. Em seguida, aconteceu a tragédia de Heysel, quando as ações de torcedores dos Reds causaram a morte de 39 italianos. A torcida não sabia direito como reagir: havia certa vergonha em cantar, gritar e apoiar como se nada tivesse acontecido.

“As raízes da complacência provavelmente estão na temporada 1978/79, quando o Liverpool concedeu apenas quatro gols em Anfield. Além disso, ao longo de toda a década de setenta, o Liverpool perdeu apenas 13 jogos de liga inglesa em Anfield. Alguns torcedores foram à Kop por anos sem ver seu time perder. (…) Em 1990, estimava-se que o Liverpool atraía dois terços de sua torcida de fora da cidade (…) Ainda havia perspicácia, mas era menos pronunciada. Ainda havia entusiasmo, mas era menos apaixonado. A aliança era com o time, não com a cidade. (…) E, então, veio Heysel. (…) Por um tempo, pareceu desrespeitoso cantar e vibrar. O silêncio no primeiro jogo depois do desastre foi assustador. E, quando o Liverpool marcou, a Kop não sabia exatamente o que fazer”, escreveu Stephen F. Kelly, no livro The Kop: Liverpool’s Twelfth Man

A maior evidência que a magia da Kop estava se dissipando foi o autor do último gol que a antiga arquibancada comemorou. Julian Dicks marcou de pênalti, na vitória por 1 a 0 sobre o Ipswich Town, jogador que passou apenas uma temporada no Liverpool. A despedida foi em 30 de abril de 1994, contra o Norwich. Um a um, lendas do clube subiram ao gramado para prestar tributo ao amigo que estava prestes a desaparecer: Billy Liddell, Tommy Smith, Phil Thompson e Kenny Dalglish, entre outros. O auge foi quando Joe Fagan, técnico campeão europeu de 1984, apareceu de braços dados com Nessie Shankly e Jessie Paisley, esposas dos dois treinadores mais importantes da história dos Reds.

Para a festa ser completa, faltou combinar com o Norwich. O último gol marcado diante da antiga Kop não foi de um jogador do Liverpool, mas de Jeremy Goss, que garantiu a vitória dos visitantes por 1 a 0. Por coincidência – ou não – o fim da Kop como ela foi entre 1906 e 1994 também marcou o fim da época mais vitoriosa da história do clube. Os Reds nunca conquistaram um título inglês diante da nova arquibancada, forrada de cadeiras, com comida, água e banheiros, mas sem a mesma alma.

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Onze anos depois, um revival: o Liverpool recebeu o Chelsea, pelo jogo de volta das semifinais da Champions League, depois de 0 a 0 em Stamford Bridge. Era a primeira vez desde 1985 que a torcida, tão orgulhosa de seu currículo continental, estava a um passo da decisão europeia. “O aquecimento para o jogo reviveu imagens que Anfield não testemunhava há mais de 20 anos. O estádio inteiro cantava, com You’ll Never Walk Alone ressoando por Anfield”, escreveu o clube, em seu site oficial. O universo retribuiria com o gol fantasma de Luis García, que levou o Liverpool à decisão de Istambul, onde vocês já sabem o que aconteceu.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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