Premier League

Davinson Sánchez é uma aposta alta do Tottenham, mas com grande margem de crescimento

A letargia do Tottenham no mercado de transferências foi motivo de insatisfação até mesmo entre os próprios jogadores de Mauricio Pochettino. Mas duas semanas antes do fechamento da janela, enfim, os Spurs anunciaram o seu primeiro reforço para a temporada. E um nome que parece se encaixar bastante não só na filosofia do clube para a montagem do elenco, como também em seu estilo de jogo. Aos 21 anos, Davinson Sánchez chega por um preço bastante alto, considerando a pouca experiência que tem no futebol europeu. Ainda assim, os londrinos desembolsaram £40 milhões pelo colombiano, e apostam que ele se desenvolva tanto quanto no ano em que passou com o Ajax.

Formado pelo Atlético Nacional, Sánchez integrou algumas das grandes campanhas sob as ordens de Juan Carlos Osorio e Reinaldo Rueda. Levado pelos Verdolagas quando ainda integrava a base do América de Cali, o jovem não demorou a ganhar espaço entre os profissionais. Sua ascensão foi meteórica, embora tenha se firmado mesmo no último ano. Não precisou de muitos jogos para ganhar repercussão, especialmente após sua participação na Libertadores 2016. O defensor esteve presente em toda a campanha continental, levantando a taça antes de se mudar ao Ajax. E permaneceu como destaque na Eredivisie.

Em Amsterdã, Sánchez se transformou em uma das referências defensivas de Peter Bosz. Brilhou principalmente na Liga Europa, fundamental para a classificação dos Godenzonen à final. Seu estilo de jogo se casava muito bem com a equipe, veloz e dono de boa saída de bola. Logo de cara, pareceu que o Ajax seria apenas uma etapa ao prodígio. Talvez só não esperassem que fosse tão rápida. Precisando dar uma resposta à sua torcida, o Tottenham não poupou esforços para fechar a transação.

Embora atue majoritariamente como zagueiro, Sánchez também possui predicados para se encaixar na lateral direita. Não é de se duvidar que Pochettino utilize o jovem no setor, especialmente após a transferência de Kyle Walker para o Manchester City. Na rodada inicial contra o Newcastle, por conta da lesão de Kieran Trippier, quem segurou o rojão foi Kyle Walker-Peters, jovem da base que apenas estreava pelo elenco profissional. De qualquer forma, contar com um jogador versátil como o colombiano é um grande trunfo aos Spurs. Ele ajuda a potencializar a verticalidade do time, além de ter capacidade para crescer ainda mais. O ponto é que os londrinos precisam ter calma para lapidá-lo. Falta tarimba em uma competição tão exigente como a Premier League, por mais que o garoto já tenha encarado uma pressão gigantesca na Libertadores.

Um ponto de questionamento natural é o preço de Sánchez. Segundo dados do Transfermarkt, o valor de mercado do defensor é de £10 milhões, enquanto o Ajax havia pagado £4,5 em sua compra há um ano. No entanto, em uma janela naturalmente inflacionada, não surpreendeu que os holandeses dificultassem para liberar um de seus melhores jogadores. Os Spurs tinham pressa e ainda estavam cheios de dinheiro nos bolsos, após a saída de Walker. Nada melhor para os Godenzonen que aproveitar o momento – negociando com um clube a quem, aliás, se acostumou a vender nos últimos anos. Caberá a Davinson Sánchez justificar a confiança nesta nova etapa. E ao Tottenham aproveitar da melhor maneira o garoto, embora a habilidade de Pochettino para lapidar suas promessas seja uma de suas maiores virtudes.

A expectativa agora fica sobre a postura do Tottenham nesta reta final da janela de transferências, se seguirá seu mercado econômico ou se gastará ainda mais para encorpar seu elenco. A falta de alternativas no grupo é um ponto de debate, especialmente pela dificuldade em disputar duas frentes, com a Premier League e a Liga dos Campeões. De qualquer maneira, manter os principais destaques já é um passo importantíssimo aos Spurs. Considerando a idade de seus jogadores e o crescimento visto nas últimas temporadas, há margem para mais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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