Premier League

Clubes planejam volta parcial do público na Premier League, mas novas regras do governo esfriam as iniciativas

A Premier League se mostrava confiante em retomar os públicos dentro de algumas semanas, durante as primeiras rodadas da próxima temporada. Clubes e a própria liga realizavam seus planos para abrir os portões parcialmente e, assim, diminuir um pouco o prejuízo gerado pelas bilheterias. Entretanto, em pronunciamento nesta quarta-feira, o primeiro ministro Boris Johnson apontou que a previsão de permitir eventos públicos com grandes audiências a partir de 1° de outubro deverá ser repensada, diante do atual estágio da pandemia no Reino Unido.

A partir da próxima segunda, aglomerações com mais de seis pessoas serão proibidas no país, salvo exceções – como a prática de esportes coletivos e o ambiente escolar. Tais reuniões estão restritas tanto em ambientes privados quanto em públicos e renderão multas a quem descumprir as ordens. Segundo o Ministro da Saúde, Matt Hancock, a expectativa é de que a situação volte a se normalizar antes do Natal. “Precisamos de regras super simples para que todos as conheçam. E agora elas serão rigorosamente aplicadas pela polícia. Reuniões são permitidas, mas precisam de distanciamento e não podem passar de seis pessoas”, afirmou.

O amistoso entre Brighton e Chelsea foi pioneiro no futebol inglês, ao permitir 2,5 mil presentes nas arquibancadas do Estádio Amex, todos com distanciamento. Segundo apuração do site The Athletic, os dirigentes do Manchester United tinham um encontro com autoridades locais nesta quinta-feira, para discutir a reabertura de Old Trafford. A intenção era permitir 12 mil torcedores durante a partida contra o Crystal Palace em 19 de setembro e, se o teste fosse bem sucedido, o clube aumentaria a capacidade gradualmente com o passar das semanas. Agora, com o posicionamento do governo, tal ideia parece menos factível.

O discurso no Manchester United e em outros clubes que planejam a reabertura dos portões é de não pressionar por situações que comprometam a saúde pública. Todavia, as novas restrições de isolamento, por conta do aumento de casos no Reino Unido, já indicavam que a retomada do público não seria um processo simples. Nesta terça, o país registrou 2,6 mil novos infectados pelo coronavírus e oito óbitos – não há dados quanto ao número de casos ativos. Segundo o governo, a escalada se nota em diferentes partes do país.

Além do Manchester United, outros clubes haviam anunciado planos de abrir as arquibancadas parcialmente. O Arsenal planejava permitir entre 9 mil e 15 mil torcedores no Emirates, para o jogo contra o Sheffield United na primeira semana de outubro. O Liverpool, por sua vez, fazia uma projeção para o final de outubro, com 12,5 mil torcedores permitidos em Anfield. Já o Crystal Palace calculava uma liberação de até 5 mil lugares por partida em outubro. Todas essas ideias deverão ser desaceleradas.

Para que esta reabertura acontecesse, os clubes vinham trabalhando com diferentes organizações esportivas e governamentais para traçar um protocolo de segurança. “Estamos nos preparando para um grande número de eventualidades e revisando as opções para o primeiro evento teste. Apenas iremos confirmar isso depois que as aprovações locais e nacionais foram realizadas”, declarou o Manchester United, à The Athletic. Os Red Devils decidiam também quais torcedores seriam permitidos, com possíveis limitações a grupos de risco.

Chefe-executivo da Premier League, Richard Masters declarou nesta semana que a volta dos torcedores é um ponto vital à saúde financeira dos clubes. “Temos que retomar o público o mais rápido possível, essa é a grande coisa que está faltando, econômica ou não. Precisamos dos torcedores por todos os tipos de razões e esta é a nossa prioridade número um. O aumento de casos não diminui nossas ambições, significa apenas que teremos que nos adaptar. Mostramos nos últimos meses que somos capazes de nos adaptar à situação. Vamos esperar o impacto que isso terá no programa de testes do governo. Continuaremos em diálogo com o governo”, afirmou o dirigente, à BBC Sport.

Para Masters, a Premier League tem três objetivos principais – terminar a temporada no prazo, reabrir os portões e recuperar a economia da competição. “Não é apenas a perda da receita dos dias de jogo. Cada partida da Premier League gera cerca de £20 milhões à economia, portanto queremos fazer nossa parte para ajudar a economia local e nacional a se recuperar. Acho que há uma percepção de que a economia da Premier League pode suportar quase tudo, mas as perdas afetam as coisas e os clubes precisaram tomar decisões muito difíceis. É por isso que precisamos nos concentrar nesses três objetivos. Todos esperamos voltar à normalidade, mas é um grande desafio seguir em frente”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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