Premier League

Arsenal fez um bom negócio com Kolasinac, um lateral bósnio de muitos talentos

De contrato renovado com o Arsenal, Arsène Wenger colocou um fim às especulações sobre o seu futuro e começa a planejar a próxima temporada, sua 21ª à frente do clube londrino. A primeira contratação do seu novo vínculo com os Gunners é uma daquelas barganhas que ele adora.  Livre no mercado após sua saída do Schalke 04, o lateral esquerdo bósnio Sead Kolasinac acertou por cinco anos, sem custos. Não dá para ser mais barato do que de graça, certo?

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No entanto, o preço parece ser a única característica do jogador que combina com o histórico de reforços de Wenger. O francês costuma contratar jogadores que se encaixam no seu estilo de jogo, leve, técnico, sempre tratando bem a bola. Kolasinac, 23 anos, não é grosso, longe disso, mas tem como principais qualidades o poder defensivo, as divididas, os desarmes e o espírito de luta. A defesa do Arsenal anda precisando desses atributos.

Os laterais esquerdos do elenco londrino são Nacho Monreal e Kieran Gibbs, dois jogadores que sobem bastante ao ataque e, com frequência, deixam a retaguarda desprotegida, e os zagueiros, à mercê dos contra-golpes. Kolasinac sabe chegar à linha de fundo e foi autor de cinco assistência na última Bundesliga, mais do que qualquer outro defensor da liga alemã, mas guarda mais posição do que os seus novos concorrentes e parceiros de time, embora Wenger já esteja visualizando o seus cruzamentos.

“Ele é um jogador muito compacto, muito forte e determinado nas divididas”, afirmou o técnico francês ao site do Arsenal. “Ele é bom na bola aérea e, no geral, tem os atributos para se adaptar ao futebol inglês, que é muito exigente fisicamente. Ele é um jogador que pode dar assistências, ir à frente e contribuir com bons cruzamentos. É importante porque temos Kieran Gibbs, Nacho Monreal e ele. Mas Nacho tem jogado bastante na zaga e, em um sistema com três zagueiros, eu o vejo na ala esquerda. Então, no geral, eu acho que ele pode contribuir bastante para sermos mais perigosos no ataque”.

Além disso, os apelidos de Kolasinac na Bósnia – segundo ele, “O Destruidor”, “O Tanque” e “O Hulk Bósnio” – passam certa confiança no poderio físico do novo jogador do Arsenal. “Sead é como uma árvore”, analisa seu ex-técnico Jens Keller, ao Guardian. “Ele leva uma pancada na cabeça e simplesmente levanta e continua a jogar perfeitamente”. Um defensor forte que encara as entradas mais duras também é uma adição interessante para um elenco que passa muitas vezes a impressão de que não gosta muito do jogo físico.

Kolasinac nasceu em Karlsruhe, cidade onde seu pai Faik trabalhava na fábrica da Mercedes. O montenegrino Faik mudou-se para Capljina, na Bósnia, aos 10 anos, antes de trabalhar na Alemanha. É com este país dos Balcãs que o lateral esquerdo se identifica. Tanto na parte pessoal, com visitas frequentes à casa da mãe, quanto na parte religiosa, uma vez que é frequentador assíduo de mesquitas. E na parte futebolística: defende a seleção bósnia desde 2013 e disputou a Copa do Brasil. Mas não foi muito feliz. Aos 3 minutos da primeira participação da história do seu país em Mundiais, marcou um gol contra a favor da Argentina.

O jogador tem passagem pela base de vários clubes alemães, mas fez toda sua carreira adulta no Schalke 04. Deixa Gelsenkirchen com 123 partidas disputadas, a maioria nas últimas duas temporadas. Começou 2016/17 no banco de reservas de Baba Rahman, emprestado pelo Chelsea, mas ganhou a posição, na oitava rodada, e só ficou fora do time depois disso por lesão ou suspensão – com exceção de um jogo. Sua posição favorita é a lateral esquerda, mas Kolasinac atuou bastante como meia-esquerda e algumas vezes no miolo da zaga ou como volante, mostrando o quanto pode ser polivalente.

Isso é importante para o Arsenal. Wenger conseguiu uma boa sequência de resultados na reta final com um esquema de três zagueiros, mas é fã da linha de quatro. Kolasinac pode atuar na lateral esquerda com quatro defensores, como zagueiro pela esquerda, com uma trinca de defensores, ou no meio-campo. Pode não ser o grande nome, caro e famoso, que o torcedor dos Gunners está esperando – com razão -, mas o bósnio é um bom negócio e pode ajudar bastante os ingleses na próxima temporada.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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