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Por que a renovação de Gerrard seria boa para todos os envolvidos

A história de Steven Gerrard como jogador do Liverpool pode estar chegando ao fim. O seu contrato termina no final da temporada e ainda não foi renovado. Quando estava em má fase, há mais ou menos um mês, chegou a se especular que o clube não estava muito interessado, mas isso obviamente não era verdade. Não se abre mão da sua principal bandeira sem se esforçar. Um novo acordo foi oferecido ao veterano, que pondera.

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“Vou decidir quando estiver pronto. Não há nada a dizer sobre isso. Quando tiver, os torcedores me conhecem há tempo o suficiente e sabem que eu vou dizer o que preciso”, afirmou o jogador de 34 anos à BT Sport, após a vitória sobre o Leicester, na última terça-feira, a sua melhor atuação na temporada. No mesmo contexto, Henderson externou o desejo dos jogadores ao dizer que “precisamos mantê-lo no clube pelo tempo que conseguirmos”. O técnico Brendan Rodgers também exaltou o talento do seu capitão. “Nesse estágio da carreira dele, a questão principal é o nível de jogo e ele é um jogador muito importante para nós”, disse.

Todos tem razão: os que querem que ele permaneça e o jogador de pensar antes de tomara uma decisão importante nos minutos finais de sua carreira. Mas quando Gerrard terminar de avaliar, deve concluir que o melhor é ficar. Para ele e para o clube.

Por que seria bom para o Liverpool
Gerrard: capitão do Liverpool (Foto: AP)
Gerrard: capitão do Liverpool (Foto: AP)

Depois de Suárez e Sturridge, Gerrard foi o melhor jogador do time no vice-campeonato inglês da temporada. Marcou 13 gols na Premier League, o segundo meia mais artilheiro do torneio atrás de Yaya Touré, e liderou a tabela de assistências com 13 passes para os companheiros colocarem a bola na rede. Acima de tudo, encontrou uma nova posição jogando à frente dos zagueiros e se livrou das lesões. A escorregada contra o Chelsea não apaga a ótima temporada do capitão.

Segundo Rodgers, Gerrard não foi recuado para primeiro homem de meio-campo apenas para preservá-lo fisicamente, ou por um passe de mágica, mas para adaptar as suas qualidades ao que o time precisava. Com precisão acima da média no passe longo, acionava os velozes Suárez, Sturridge e Sterling. “Olhamos para isso este ano e não temos o mesmo estilo de jogo, então precisamos mudar a estrutura. Isso significa que ele pode ter uma influência maior no nosso time, mas talvez eu precise colocá-lo em outra função”, disse o técnico.

Essa nova função foi exercida contra o Leicester: mais próximo do ataque, com dois homens de proteção. Na terça-feira, Lucas Leiva e Joe Allen. Deu certo, e Gerrard foi um dos melhores em campo. Mas dificilmente será titular novamente no próximo final de semana. O Liverpool tem duas partidas essenciais na sequência: o Basel para decidir a vaga nas oitavas de final da Liga dos Campeões e o clássico contra o Manchester United. Além disso, Rodgers deixou bem claro que o capitão precisa descansar um pouco. “Ele não tem mais 24 anos. O treinador precisa administrar a carga de trabalho dos jogadores. As pernas dele não são as mesmas, ele vai jogar menos jogos, mas é meu trabalho colocá-lo em campo nas partidas certas”, afirmou.

A importância de Gerrard também extrapola o campo de jogo. É líder, aconselha os jovens e esquenta o coração do torcedor quando pisa no gramado com a faixa de capitão no braço direito. Ou quando marca um gol e sai comemorando com os braços abertos em direção à câmera e escorrega de joelhos. O ídolo é consolo e fonte de alegria para o torcedor que já se acostumou com tantos anos sem títulos. Imagina se ele se vai, de repente aparece em algum rival e marca no Liverpool, como fez Lampard no Chelsea? Muitos fãs morreriam de desgosto. Talvez até ele.

Por que seria bom para Gerrard
Na temporada passada, Gerrard escorregou, e o Liverpool perdeu do Chelsea (Foto: AP)
Na temporada passada, Gerrard escorregou, e o Liverpool perdeu do Chelsea (Foto: AP)

Apesar da identificação com o clube e do amor do torcedor, Gerrard talvez ainda não apareça nas primeiras posições da lista de grandes jogadores da história do Liverpool. A conquista da Champions League de 2005, com aquela virada espetacular contra o Milan, nunca será esquecida. Nem os anos de serviço. Mas falta o troféu do Campeonato Inglês, ainda mais em um país que valoriza muito esse título e em um clube que sempre se orgulhou de ser o maior vencedor nacional.

O jejum quase foi quebrado na temporada passada, e a culpa para o observador casual recai em Gerrard. O escorregão contra o Chelsea foi realmente crucial e ainda deve atrapalhar o seu sono, embora tenha sido apenas uma das muitas circunstâncias que causaram o fracasso. Sem contratações de primeira linha, é difícil imaginar o Liverpool sendo campeão nos próximos anos, mas a chance vai de mínima a zero se o jogador deixar o clube. E apenas o título inglês afastaria esses dois fantasmas.

Sem contar que ele já teve algumas oportunidades de sair e talvez ter uma carreira mais vitoriosa quando estava no auge da sua forma, mas decidiu ficar e reforçar o seu legado. Por que sair agora? Neste estágio da vida, dificilmente conseguiria construir algo significativo em outro clube e serviria apenas para perder a insígnia de jogador de um clube só. A questão financeira pode pesar, mas a tendência é que um atleta que defende o Liverpool por 16 anos já tenha recebido bastante dinheiro, e não é que ele já não recusou propostas robustas no passado.

Gerrard tem todo direito de ir embora por qualquer motivo, nem que seja para conhecer novos países, novas culturas e enfrentar outros desafios. Mas seria uma pena e ele sairia com o coração apertado. Sentiria falta de Liverpool, uma comunidade muito unida e na qual os clubes desempenham um papel importante. Sua ligação com o clube vai além do futebol e entra na família, pois seu primo foi um dos 96 mortos no desastre de Hillsborough. Ele terá coragem de dar as costas para tudo isso?

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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