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Pellè e Mané em dia de Pelé e Mané: Em Londres, Chelsea toma um baile do Southampton

Oito pontos em oito rodadas. Pouco para qualquer time favorito ao título da Premier League, e ainda mais para o atual campeão. O Chelsea faz o seu pior início de campanha desde 1978/79, muito antes dos milhões de Roman Abramovich, na temporada em que sofreu o seu penúltimo rebaixamento. Neste sábado, os Blues sofreram a sua derrota mais acachapante. Erraram demais, foram praticamente nulos no ataque e tomaram um baile de bola do Southampton. Tudo isso dentro de Stamford Bridge. Em tarde inspiradíssima de Sadio Mané e Graziano Pellè, os Saints viraram por 3 a 1, massacrando a partir do fim do primeiro tempo. Na 16ª posição, os londrinos estão a apenas duas posições acima da zona de rebaixamento.

Por alguma parte do primeiro tempo, o Chelsea ainda sonhou com a vitória. Os Blues não tinham muitos espaços, mas finalizavam mais e abriram o placar aos 10 minutos, em linda cobrança de falta de Willian, encobrindo o adiantado Stekelenburg. Entretanto, o time de José Mourinho foi se acomodando após 25 minutos propondo o jogo. Deixaram que o Southampton crescesse. Já marcando muito bem, os Saints passaram a dominar o meio de campo. E, a partir de então, atacavam bem mais. Primeiro, Begovic parou Bertrand cara a cara. Mas o arqueiro nada pode fazer após a linda jogada coletiva dos alvirrubros. Pellè ajeitou com o peito e Davis emendou chute de primeira, para empatar.

Na volta do intervalo, Mourinho indicou o seu desagrado com o time ao substituir Ramires, tomando um sufoco de Sadio Mané, por Matic. Enquanto isso, Dusan Tadic era outro que infernizava pela direita, caindo pelo lado de Ivanovic. Prelúdio do passeio que aconteceu nos 25 primeiros minutos da etapa complementar. Apenas Begovic se salvou na atuação desastrosa do Chelsea, evitando uma vantagem ainda maior do Southampton. Diante das enormes brechas defensivas e da sucessão de erros, o goleiro ia salvando a pátria até os 16 minutos, quando acabou vendido pela própria zaga.

As falhas combinadas de Ivanovic, Matic e Terry acabaram sendo mortais. Pellè enfiou a bola para Mané, que, no mano a mano, não desperdiçou. A virada estava consumada, e viria mais. O senegalês retribuiu o presente ao roubar a bola ainda no campo de ataque, de Eden Hazard. Arrancou por toda a intermediária e deu bom passe para Pellè finalizar cruzado, forte, sem chances para Begovic. O desastre estava completo.

Até então, 25 minutos haviam se passado e o Chelsea sequer finalizara no segundo tempo. O meio-campo era extremamente burocrático, com Fàbregas e Oscar sem conseguir criar, enquanto os erros se repetiam aos montes. Falcao García, outra vez, não foi nem sombra do craque dos tempos de Atlético de Madrid, assim como Hazard em relação à última temporada. Matic, mesmo sem estar lesionado, acabou substituído por Rémy. E, só nos minutos finais, o time de casa tentou partir para pressão. Sem resultado. Valeu demais a entrega do Southampton, até com Pellè ajudando demais na marcação. Atuação marcante do time de Ronald Koeman.

Depois de um início de temporada ruim, o Southampton parece retomar a força de 2014/15. Já tinha conquistado ótimo resultado ao bater o Swansea na rodada passada, enquanto a vitória sobre o Chelsea reitera o bom momento. Sobretudo, pela bola de nomes como Mané, Pellè, Tadic e Wanyama. No entanto, vale ressaltar a recuperação da consistência no meio de campo, que tinha perdido muito com a venda de Schneiderlin.

Enquanto isso, em Stamford Bridge, Mourinho vê a pressão crescer. O treinador que perdeu apenas uma vez em suas 99 primeiras partidas pela Premier League em casa, agora soma duas derrotas nos últimos três jogos. E os problemas são generalizados, desde o ataque que não trabalha as jogadas à defesa que sofre com muitos rombos. Sem falar nos erros de passe e domínio que parecem contaminar todo o elenco. A pausa para a Data Fifa é útil para os Blues deixarem a cobrança passar um pouco e ganharem tranquilidade para trabalhar. Mas o tempo é curto para corrigir tanto.

Abaixo, os quatro gols do jogo:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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