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Contra ingressos caros, Partido Trabalhista quer dar voz aos torcedores nos clubes

Se o Partido Trabalhista for eleito nas próximas eleições gerais do Reino Unido, em 2015, o torcedor dos clubes terá o direito de palpitar em todas as decisões que a diretoria tomar. Pelo menos, essa é a proposta que o grupo político apresentou nesta sexta-feira, alguns dias depois de um estudo da BBC calcular o preço para assistir a uma partida do Campeonato Inglês, e todos constatarem que está caro demais.

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A ideia dos trabalhistas é obrigar os clubes a separarem pelo menos dois lugares do conselho para torcedores que se juntarem em um grupo organizado, legítimo e reconhecido. Podem chegar a controlar até um quarto das cadeiras. Eles também terão o direito de comprar até 10% das ações, sempre que pelo menos 30% forem colocadas à venda. “Futebol é mais que um negócio. É vital para nossa comunidade. Vamos dar aos torcedores uma voz na forma como os clubes são administrados”, escreveu o partido no Twitter.

O ministro dos Esportes sombra* do Reino Unido, Clive Efford, confirmou que a motivação dos trabalhistas é o preço dos ingressos, mas também várias histórias recentes de protestos de torcedores ingleses contra os seus donos, como a tentativa do proprietário do Hull City de mudar o nome do clube, ou a do Crystal Palace (bem sucedida) de alterar a cor. Neste momento, apenas 14 clubes do país têm torcedores no conselho – na Premier League, apenas o Swansea.

“Eu acho que os torcedores têm que ser ouvidos”, começou Efford. “quando há discussões e decisões são tomadas sobre as cores do uniforme, o nome do clube, se um clube deve se mudar 30 milhas ou não, se o nome de um patrocinador que será colocado na camiseta ofende os fãs ou na venda do nome do estádio. Eu acho que se houver algum diálogo, pelo menos os diretores estarão cientes de como os torcedores se sentem ao tomar essas decisões”.

O hoje comentarista Gary Neville viu um caráter excessivamente eleitoral na proposta porque não vê como o governo conseguirá colocar pessoas à força em conselhos de empresas privadas e também questiona o tamanho da influência que os torcedores terão para alterar decisões. Na sua opinião, seria melhor usar o dinheiro dos impostos de grandes corporações para subsidiar o preço dos ingressos.

Também vale lembrar que o Partido Trabalhista inglês já fez promessas sobre futebol que não cumpriu. A torcida do Liverpool esperava que eles reabrissem a investigação sobre Hillsborough quando voltassem ao poder. Mas a vitória deles nas eleições de 1997,  que levaram Tony Blair ao cargo de primeiro-ministro e encerraram um período de 23 anos dos Conservadores no poder, causou pouca ou nenhuma mudança na situação da família das vítimas. Mesmo assim, a intenção deles é muito boa e, apesar das ponderações válidas de Neville, ouvir o que os torcedores têm a dizer deveria ser um princípio básico de qualquer dono de clube.

* Na Inglaterra, existe a figura do “ministério sombra”, com um grupo de porta-vozes da oposição, que formam um gabinete alternativo do governo. Cada ministro tem o seu correspondente. Ou seja, existe a verdadeira ministra dos Esportes (no caso a conservadora Helent Grant) e o ministro sombra (o trabalhista Clive Efford).

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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