Inglaterra

Os 40 anos de Ljungberg, o meia veloz dos gols marcantes e do Arsenal imbatível

Foi naquela vitória da Suécia sobre a Inglaterra por 2 a 1, nas Eliminatórias para a Europa, em 1998, que Arsène Wenger fez algo não tão comum: observar um jogador pela televisão e pedir sua contratação. Naquela partida, ele viu o potencial que Fredrik Ljungberg, a velocidade, a força e a agilidade do meio-campo daquela seleção sueca, tinha para encarar oponentes ingleses. A verdade é que o Arsenal já acompanhava os passos do jogador antes disso, mas foi assistindo àquele jogo que Wenger confirmou o próximo reforço dos Gunners e praticamente carimbou seu passe para o clube londrino. Pouco tempo depois, lá estava Ljungberg andando por Highbury com a camisa vermelha. Camisa com a qual um tempo depois, estava percorrendo campos com talvez o melhor time do Arsenal de sempre. Neste domingo, a o meia veloz dos Invencíveis e dos gols marcantes completa 40 anos de vida.

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Ljungberg estreou pelo Arsenal em setembro de 1998, contra o Manchester United. Embora tenha sido seu primeiro jogo com novos companheiros de time e sob novo comando técnico, o sueco parecia muito confortável entrando no gramado contra um rival em sua primeira aparição. Parecia até o momento em que ele aproveitou uma bola que aparentemente estava perdida aparecendo na área e encobrindo Schmeichel. Depois disso, ficou muito claro. Ljungberg entrou no lugar de Anelka aos 34 minutos do segundo tempo e, aos 41, iniciou sua carreira da melhor maneira possível, marcando contra o United e fechando a conta para os Gunners no confronto: 3 a 0 em Highbury. E isso aos 21 anos. Jovem, mas já apresentando a bravura de um veterano.

Naquele tempo, o sueco já era um excelente jogador. Tanto é que jogou em praticamente todas as seleções de base da Suécia e começou a compor as convocações para o time principal cedo. Mas foi na temporada de 2001/02 que sua melhor forma veio à tona, quando já tinha feito três temporadas com os Gunners. Foi a campanha em que o Arsenal faturou três títulos nacionais: a Premier League, a Copa da Inglaterra e a Supercopa da Inglaterra. A campanha que prenunciou a equipe impossível de ser derrotada que foi o Arsenal campeão da Premier League de 2003/04. Pelo segundo ano seguido, Ljungberg marcou em uma final da FA Cup sendo o autor do gol que definiu a vitória do time vermelho de Londres sobre o Chelsea por 2 a 0, em 2002. Havia anotado um tento em 2001, contra o Liverpool, mas, na ocasião, os Gunners não levaram a melhor.

Mal ele sabia que aquele golaço que ele carregou a bola por quase todo o campo até bater no ângulo do gol de Cudicini era um sopro de seu poder em momentos decisivos. Principalmente na Copa da Inglaterra. Com justiça, o meia foi eleito o melhor jogador do jogo da final contra os Blues. E, ao fim da temporada, foi nomeado o melhor sueco do ano, superando Ibrahimovic na premiação em seu país. Naquele 2001/02, Ljungberg marcou 17 gols em todas as competições, dos quais a maioria foi decisiva. Seu 2001/02 foi, de longe, um dos melhores pontos de sua trajetória no futebol, e foi nessa campanha do Arsenal em que a semente dos Invencíveis foi plantada.

Junto a Anelka, Bergkamp, Thierry Henry, Campbell, Kolo Touré, Ashley Cole, Lauren, Lehmann, Vieira, Gilberto Silva e Robert Pirès, Freddie ganhou a segunda taça da Premier League da sua carreira fazendo parte do time que entrou para a história do campeonato, da Inglaterra e do futebol. O Arsenal passou as 49 rodadas da competição sem perder, somando 36 vitórias e 13 empates. Desses quase 50 jogos, Ljungberg balançou as redes em oito. Em um deles, em uma das primeiras rodadas, ante ao Sunderland, o sueco comandou a goleada por 4 a 0 anotando um hat-trick sobre os Black Cats. Pela seleção sueca, foram 14 gols marcados em 75 jogos, em uma carreira que perdurou uma década.

Há três anos com as chuteiras penduradas, Freddie hoje é assistente técnico de Adries Jonker no Wolfsburg. Antes disso, ele passou uma temporada treinando o sub-15 do Arsenal. Em entrevista recente, Wenger, que foi seu técnico por nove anos, disse que o sueco teria prometido voltar ao clube de Londres no futuro. “Quando ele deixou o Arsenal da última vez, nós demos permissão para ele ir embora, mas se ele prometesse que voltaria um dia”, falou o técnico dos Gunners em entrevista. “Freddie fez um bom trabalho com o sub-15. Sempre mantinha contato com ele quando ele treinava a base. Espero que possamos usar tudo o que ele tem aprendido para se tornar um bom treinador no futuro no Arsenal”.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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