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O Wimbledon escorraçou o MK Dons na primeira visita dos intrusos à antiga cidade

Era uma questão de honra. Wimbledon e MK Dons sustentam uma rivalidade bastante particular na Inglaterra, apesar dos 100 quilômetros de distância que separam os seus estádios. Um clássico forjado pelo “futebol moderno”, diante da dissolução e da mudança do antigo Wimbledon FC para a cidade de Milton Keynes, o que nunca foi aceito por seus torcedores de raiz. Por iniciativa própria, a torcida formou o AFC Wimbledon. E o time do coração impôs sua nêmesis. Na primeira visita do “clone” de Milton Keynes ao Estádio Kingsmeadow, os verdadeiros Dons venceram por 2 a 0, em resultado com gosto especial à maioria presente nas arquibancadas.

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O confronto desta quarta foi o quinto entre Wimbledon e MK Dons. No entanto, as três primeiras partidas, válidas por copas nacionais, aconteceram em Milton Keynes. Esta é a primeira temporada em que ambos figuram na mesma divisão, após o acesso do AFC Wimbledon (o sexto em 14 temporadas) à League One, a terceirona do Campeonato Inglês. Durante o turno inicial da competição, o MK bateu os visitantes indigestos por 1 a 0. Hora da revanche em Kingsmeadow, para deleite do clube da casa.

O ranço estava claro desde antes da partida. No programa do jogo, produzido pelo Wimbledon, eles não fizeram uma menção sequer ao nome oficial dos adversários – no máximo, chamaram de Milton Keynes. Também não concederam uma tribuna aos dirigentes adversários, como de costume em qualquer partida, e os executivos precisaram se misturar aos torcedores no setor visitante. O placar eletrônico apontava apenas o “MK”, sem citar o apelido usurpado. E, como era de se esperar, a torcida local se incendiou para protestar contra os oponentes, também com faixas nas arquibancadas ressaltando quem são os Dons. “Onde vocês estavam quando vocês eram nós?” era o canto que ecoava em Kingsmeadow.

Em campo, o Wimbledon correspondeu às expectativas. A equipe da casa venceu por 2 a 0, com gols de Jake Reeves e Lyle Taylor no segundo tempo. Os verdadeiros Dons, inclusive, aparecem em uma situação mais confortável na tabela em sua estreia na terceira divisão: ocupam o 12° lugar, a oito pontos da zona de classificação aos playoffs de acesso – e isso porque perderam fôlego desde novembro. Já o Milton Keynes é o 17°, a seis pontos da zona de rebaixamento.

E a exultação ganhou contornos nas palavras do técnico Neal Ardley, após o jogo: “A vitória significa mais do que três pontos. Eu sabia o quanto este jogo valia, por isso coloquei muita pressão em mim. Vi tantos sorrisos nas arquibancadas e muita alegria quando demos a volta no campo ao final. Eu queria que os jogadores aproveitassem este momento com a torcida. Eles nos fizeram orgulhosos nesta noite. A atmosfera era elétrica, tinha algo diferente”.

Já o capitão Paul Robinson ressaltou a energia oferecida pela torcida em Kingsmeadow: “O clima estava inacreditável. Os torcedores foram fantásticos: eles gritaram a cada cabeçada, a cada dividida, empurraram o time. Eles nos apoiaram durante os 95 minutos e nos motivaram a vencer. Queríamos recompensá-los. Foi uma grande noite para o clube e uma grande noite para pessoas especiais, que se entregaram demais por nós aqui”. A verdade, por fim, venceu.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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