Inglaterra

O clube mais verde do mundo está próximo de sua melhor temporada na história

Na pouco repercutida quinta divisão inglesa, um time faz seu papel para ajudar a salvar o mundo e ganhar o devido reconhecimento por isso. Autointitulado como o “clube mais verde do mundo”, o Forest Green Rovers, do condado de Gloucestershire, na região sudoeste inglesa, está mais próximo do que nunca de chegar à quarta divisão do país, administrada pela Football League e completamente profissional, do que esteve em toda a sua história de 126 anos. Uma análise feita pelo clube revelou que existe a possibilidade de que em dez anos a equipe esteja na segunda divisão, mas Dale Vince, proprietário do clube, parece mais preocupado com o presente da agremiação,o que ela pode fazer pelo mundo e o impacto que pode ter em seus torcedores.

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Na temporada 2008/09, o clube havia anunciado que estava com grandes dificuldades financeiras e procurava investidores interessados em adquirir o time. Chegou a ser rebaixado para a sexta divisão naquela temporada, mas a violação das regras de fair play financeiro pelo Salisbury City, grande rival do time verde, acabou mantendo o Forest Green Rovers onde estava. A partir de então, a salvação nas mãos de Dale Vince chegou. Agora, com três rodadas restantes para o fim dos pontos corridos, a equipe briga para se manter na zona de classificação aos playoffs, em que quatro clubes disputam a segunda vaga para a quarta divisão.

O mandatário é dono de uma empresa de energia alternativa bem estabelecida no sudoeste da Inglaterra. Com mais de 500 empresários e considerada uma das maiores companhias privadas da região, a Ecotricity teve a confiança dos torcedores à época da aquisição. O único momento de atrito entre as partes foi quando, em 2011, Vince resolveu riscar do cardápio do estádio New Lawn os alimentos que continham carne. A torcida não gostou nada disso, mas eventualmente entendeu e manteve seu apoio ao projeto singular que havia começado no ano anterior. “Houve um grupo de torcedores fanáticos que sentiram falta de Bovril e dos enroladinhos, mas isso já faz muito tempo, e eu diria que 95% dos torcedores apoiam completamente o que o Dale está tentando fazer”, opinou Phil Butterworth, torcedor do Forest Green há 18 anos, em matéria do New York Times.

No teto da arquibancada sul do Estádio New Lawn, 170 painéis solares captam energia, que é utilizada, entre outros coisas, para abastecer o robô que toma conta do gramado. O dispositivo é também responsável por produzir adubo orgânico para fertilizar o grama sem a necessidade de produtos químicos. A água utilizada na manutenção do estádio também é captada no teto da casa do Forest Green, que capta das chuvas o necessário. A preocupação com o meio ambiente se estende até mesmo à locomoção dos jogadores. Após um cálculo revelar que, no total, os atletas percorriam cerca de 16 mil quilômetros por semana, o clube passou a encorajar um rodízio de caronas. Alguns dos dirigentes passaram a dirigir carros elétricos, e a agremiação ainda ofereceu um estabelecimento com quartos para que alguns atletas não precisassem se locomover de carro.

Vince explica que a proximidade entre sua empresa e o clube, além da necessidade de sobrevivência financeira do Forest Green, foi o que mais o motivou a ir em frente com o negócio. “Eles tinham uma história centenária no futebol, e então achei que, já que estava em nosso quintal, como estava, tínhamos que fazer algo. E então, ao mesmo tempo, pensamos que poderíamos levar nossa mensagem e nosso trabalho a um novo público, relativamente inalcançado pelas coisas que fazemos”, explicou, em entrevista também ao jornal norte-americano. Agora, espera que o sucesso dentro de campo catapulte a mensagem que o clube quer passar além das quatro linhas. “Quanto mais acima na liga e no futebol, mais impacto teremos com nossa mensagem: de ser o clube mais verde do mundo. Eu acho que já somos, na verdade”, completou.

Phil Butterworth, que acompanha o Forest Green Rovers há mais de 18 anos, já deixou explícito como o plano, de alguma forma, já tem funcionado: “Levei duas crianças para o jogo do Forest Green, e elas ficaram muito impressionadas pelos carros elétricos. Sei que uma delas particularmente chegou em casa, e sua avó lhe prometeu um carro elétrico quando completasse 16 anos. Então, obviamente, há algum impacto.”

Chegando à Championship ou não, aumentando seu alcance às outras regiões da Inglaterra ou não, Vince, a Ecotricity e o Forest Green Rovers já atingiram sua própria comunidade, e só isso já justifica a todo o trabalho feito nestes últimos cinco anos. Se servirem de inspiração para que outros clubes de maior expressão adotem práticas que agridam menos o meio ambiente, já é um enorme lucro.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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