Inglaterra

Nike fecha com Chelsea, que deixa Adidas após 10 anos, e acirra disputa por grandes clubes

Nike e Chelsea anunciaram um acordo de longo prazo que passará a valer a partir da próxima temporada. O clube azul de Londres tinha contrato com a Adidas desde 2006, quando a empresa alemã tomou o lugar da Umbro. A partir da temporada 2017/18, todo material esportivo do Chelsea será Nike. Um contrato importante para a empresa americana, que perdeu alguns grandes clubes nos últimos anos.

LEIA TAMBÉM: Uma chuteira de videogame? Nike lança modelo com a EA Sports que homenageia games 16 bits

A história já vem de longa data. Em março, já se falava das negociações entre Chelsea e Nike. O clube londrina estava insatisfeito por receber o que considerava um valor baixo para os padrões atuais, £ 30 milhões por ano (algo em torno de € 33 milhões, ou R$ 150 milhões, em dinheiro brasileiro). Este valor irá dobrar no acordo com a Nike: serão £ 60 milhões por ano (€ 66 milhões).

A estimativa de vendas de camisa do Chelsea é de três milhões de unidades no mundo, o que, portanto, faz com que o acordo se pague, pensando do ponto de vista da Nike. Para rescindir com a Adidas, com quem ainda tinha seis anos de contrato, o Chelsea pagará € 50 milhões – um valor que vale a pena, pensando em quanto o acordo renderá a mais para o clube. Segundo o jornal Guardian, o acordo entre Chelsea e Nike vai até 2032.

O acordo do Chelsea ainda está longe dos grandes contratos de material esportivo do mundo. O Barcelona tem contrato com a Nike até 2018 recebendo £ 28 milhões (€ 30 milhões) por temporada, mas a renovação fez o clube saltar para £ 100 milhões (€ 110 milhões) anuais no contrato que irá vigorar de 2018 a 2028 – e que o tornará o maior contrato de fornecimento de material esportivo do mundo entre os clubes de futebol.

O Manchester United é, atualmente, quem mais recebe pelo fornecimento de material esportivo. A Adidas paga anualmente £ 75 milhões (€ 83 milhões) ao clube de Old Trafford, em contrato que começou em 2015 e vai até 2025. O segundo maior contrato é do Bayern de Munique, com £ 42,5 milhões (€ 47 milhões) por ano, seguido do Real Madrid, com £ 34 milhões (€ 37,5 milhões), em contrato de 2012 a 2020.

Para ficar na Inglaterra, o Arsenal recebe £ 30 milhões (€ 33 milhões )por ano da Puma, enquanto o Liverpool recebe £ 25 milhões (€ 27,6 milhões) por ano da New Balance. O Manchester City, que também é Nike, recebe £ 15 milhões (€ 16,5 milhões) por ano.

Aliás, vale lembrar que o contrato com o Manchester City foi conquistado pela Nike quando a empresa ainda era dona da Umbro, a fornecedora anterior – caso similar ao que aconteceu com a seleção inglesa, o que gerou, claro, muita reclamação da marca inglesa, vendida pouco depois.

Vale lembrar que a Nike perdeu o Manchester United em 2015 e o Arsenal um ano antes, em 2014. Portanto, a marca americana queria voltar a ter clubes importantes na Inglaterra, onde está atualmente a liga com mais prestígio no mundo.

Há ainda negociações da Nike com outro clube londrino, o Tottenham, que atualmente tem contrato com a Under Armour. Segundo as especulações, os Spurs podem receber £ 27 milhões por ano (aproximadamente € 30 milhões). O atual contrato do Tottenham com a Under Armour é de £ 10 milhões (€ 11 milhões) e acaba ao final da atual temporada, em junho de 2017.

“Este é um acordo incrivelmente empolgante e importante para o clube. Como o Chelsea, a Nike é conhecida ao redor do mundo por sua excelência e inovação e nós estamos ansiosos para trabalhar junto no que certamente será uma parceria de sucesso. Nós acreditamos que a Nike será capaz de dar suporte ao nosso crescimento em novos mercados, assim como nos ajudar a manter nosso lugar entre os maiores clubes de futebol do mundo”, afirmou a diretora do Chelsea, Marina Granovskaia.

O presidente da Nike, Trevor Edwards, falou sobre o acordo. “O Chelsea é um clube de nível mundial, com uma rica tradição e paixão dos torcedores ao redor do globo. A parceria com o Chelsea reforça a nossa posição de liderança no futebol. Nós estamos empolgados a ajudar a crescer o alcance global do clube, servindo jogadores e torcedores com a inovação e o design da Nike”.

Segundo informado pelo Guardian, a negociação é mérito de Granovskaia, a principal executiva do Chelsea e considerada a principal conselheira de Roman Abramovich, dono do clube.

Com a confirmação do Chelsea, a Nike já garante um time importante, que está entre aqueles que mais rendem camisas no mundo. Segundo relatório divulgado em maio de 2016 pela Euroamericas, o Chelsea é o terceiro time em vendas de camisa no mundo, com 3,1 milhões de unidades comercializadas. Só é superado por Barcelona (3,6 milhões) e Bayern de Munique (3,3 milhões). Em seguida, estão Manchester United (2,9 milhões), Real Madrid (2,8 milhões), PSG (2,2 milhões), Arsenal (2 milhões), Atlético de Madrid (1,9 milhão), Juventus (1,6 milhão) e Milan (1,2 milhão).

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo